Brasil deveria ter painel igual ao Impostômetro para informar o que ocorreu com casos de corrupção?


Nas últimas duas semanas, três reportagens ajudaram os leitores a rememorar histórias envolvendo corrupção ou descumprimento de leis que, no passado, ganharam bastante repercussão durante semanas seguidas. No entanto, como de costume, foram esquecidas pelas redações e pela sociedade diante do frenético ritmo dos fatos e notícias que ocorrem todos os dias.

Casos relembrar OESP Enem 2009 Um dos casos aborda a tentativa de venda dos resultados da prova do Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio, realizada pelo Ministério da Educação, em 2009.

Outro fato remonta a processo judicial divulgado na mídia entre 2005 e 2006 mostrando que empresários e servidores públicos de elevado poder aquisitivo construíram mansões em área de preservação permanente na região dos Lençóis Maranhenses, no estado do Maranhão.

Casos relembrar Valor Lalau O terceiro tem como personagem o juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, que ficou famoso em 2002 por causa da acusação de desviar R$ 169 milhões de recursos públicos destinados para a construção de um fórum trabalhista na cidade de São Paulo.

Missão da imprensa – Na maioria das vezes, os casos voltam a ser alvos de reportagens por causa de decisões judiciais parciais determinando alguma ação, como uma audiência, a condenação em primeira instância ou o congelamento de bens, entre outras possibilidades.

É pouco, principalmente se considerarmos que a imprensa é uma instituição que tem a missão primordial de informar a sociedade sobre tudo aquilo que é relevante e vigiar personagens que, dentro dos governos ou de quaisquer órgãos públicos, detenham cargos ou poder de decisão sobre o destino das pessoas e dos recursos públicos.

Casos para relembrar UOLComo evitar o esquecimento – Uma idéia para evitar que casos estrondosos de corrupção ou transgressão da lei caiam no limbo do esquecimento, mesmo que temporariamente, é manter alguma equipe de reportagem com a missão de vasculhar e acompanhar, diariamente, as decisões dos tribunais de justiça.

Com a ajuda de juízes, promotores e advogados, é possível planejar um método e um processo pelo qual estagiários e jovens jornalistas, supervisionados por profissionais mais experientes, atualizem um painel publicado na internet com as informações mais recentes sobre diversos casos selecionados.

Os jornais detém arquivos de décadas de história política que poderiam ser vasculhados. A partir da seleção dos principais e mais notórios casos que mereçam ser acompanhados, a atualização seria feita na medida que tribunais publicassem novas decisões.

Impostômetro SP A consequência da lei do esquecimento que impera hoje entre jornalistas e leitores contribui para alimentar o pensamento popular de impõe uma máxima: basta um novo caso de corrupção para que os desmandos e desvios em evidência no presente sejam devidamente deixados de lado.

A ideia do Impostômetro – Anos atrás, a Associação Comercial de São Paulo e o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário se uniram para criar o Impostômetro, um painel instalado na lateral do prédio da associação que apresenta, em tempo real, simbolicamente, o quanto de impostos os governos em todo o Brasil estão arrecadando. A iniciativa ajudou a sociedade a ter uma noção da quantidade de taxas e impostos que paga e da velocidade do crescimento da arrecadação.

Por que não uma grande corporação de mídia, com recursos humanos, orçamentários e operacionais não poderia empreender uma idéia similar: criar um painel atualizado permanentemente com as mais recentes informações sobre casos de corrupção e transgressão da lei envolvendo o poder público?

Por que não ter esse “painel da corrupção” no portal da empresa na internet e também em praça pública, como fez a Associação Comercial de São Paulo, para chamar a atenção da sociedade para o desdobramento dos casos e inclusive para o ritmo do Poder Judiciário?

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