Arquivo do mês: julho 2011

O tamanho – literalmente falando – da dívida dos EUA

FSP dívida EUA Dois infográficos mostram, literalmente, o tamanho da dívida dos Estados Unidos. Até dia 2 de agosto, o Congresso norte-americano debate com o presidente da República, Barak Obama, a ampliação do limite desta dívida.

Obama quer um limite maior de dívida para o país, de forma que não tenha que cortar uma grande soma de recursos do orçamento no médio e longo prazo, principalmente aquela destinada a programas sociais, a principal plataforma eleitoral dele.

Já o Congresso norte-americano quer que o presidente corte exatamente recursos para áreas sociais, minando o apelo eleitoral de Obama na próxima eleição, em 2012.

Uma consequência é certa: se o limite da dívida norte-americana não for elevada já, este ano, o país não terá recursos para pagar débitos que vencem nas próximas semanas. Por isso o presidente quer se endividar um pouco mais, pegar mais dinheiro no mercado financeiro internacional e pagar débitos que estão para vencer no curto prazo. É isto ou calote.

O jornal Folha de S.Paulo publicou uma boa infografia mostrando, em um gráfico de barras simples, a evolução dessa dívida, ao longo dos anos. Deixa claro como cresceu rapidamente o endividamento da maior potência econômica do planeta.

15 trillion dollars Mas melhor mesmo fez o webdesigner Oto Godfrey, que, graficamente, empilhou notas de cem dólares e mostrou claramente a quantidade física de dinheiro que é necessária para pagar a dívida dos Estados Unidos.

Nos EUA, carros roubados recuam 40%. Em SP, 21%. No Brasil, pouco se sabe

No fim de semana, o jornal norte-americano The Washington Post publicou uma reportagem mostrando que diversas modalidades de crime estão em queda nos Estados Unidos, segundo o FBI, mas uma delas cai de forma muito mais rápida: os roubos de carro. A queda na quantidade de veículos roubados, lá, atinge 40% entre 2003 e 2010. Em algumas localidades, a redução foi maior que 60%.

Fewer cars stolen A matéria explica que as polícias locais, lá, usam uma gama variada de métodos e ferramentas, desde carros chamados de “isca”, que são monitorados pelas equipes à espera dos ladrões, como o uso de rastreamento e bloqueio remoto. São dispositivos já bastante disseminados.

As chaves especiais de ignição, que os bandidos aprenderam a copiar ao longo dos anos, evoluíram para outras que se comunicam com computadores de bordo a partir de algoritmos complexos e milhões de possibilidades de códigos de acesso, segundo o jornal, tornando mais difícil e caro burlar a tecnologia, exigindo ladrões especializados, tempo e equipamentos.

N o dia 25 de julho, o governo do Estado de São Paulo divulgou novas estatísticas sobre criminalidade. Os homicídios diminuíram consistentemente, o que é bom. Há alguns anos, o foco da política de segurança pública paulista é evitar crimes contra a vida. De outro lado, crimes contra o patrimônio, como os roubos de carros, continuam crescendo, depois de um período de queda.

Crimes SP 1semEscassez de dados – No Brasil, não há estatísticas consolidadas, abrangentes, centralizadas e à vista de todos sobre o assunto, que dê ao cidadão um retrato exato de como está a incidência de crimes no país inteiro. Os estados divulgam as estatísticas locais da forma como querem, quando querem, com a periodicidade que desejarem. Há relutância dos governantes em oferecer dados históricos e comparáveis.

O Estado de São Paulo passou a fazê-lo de uma forma mais transparente, divulgando estatísticas de acordo com diversas modalidades de crimes, períodos e localidades, da mais abrangente (o estado todo) à mais local, cidade por cidade até distrito por distrito, no caso da capital paulista.

Esse comportamento exigiu certa pressão da imprensa, mas tem permitido aos cidadãos acompanhar a evolução histórica dos crimes nas cidades e no estado e, inclusive, comparar com outros países.

Se nos EUA os roubos e furtos de carros caíram 40% desde 2003, no Estado de São Paulo a redução é de 21% desde 2001. Se a diminuição desse tipo de ocorrência parece vagarosa, vale lembrar que as autoridades priorizam a preservação da vida e depois a do patrimônio. Como reflexo dessa diretriz, os homicídios dolosos – ou seja, com intenção de matar – recuaram 65% entre 2001 e 2010.

Veja mais:

Conheça as estatísticas do Estado de São Paulo sobre segurança pública e faça suas próprias comparações.

Em matéria recente, o Café Expresso abordou a questão envolvendo a divulgação de dados de violência no estado de São Paulo.

A um ano da abertura dos Jogos Olímpicos em 2012, Londres tem 88% de tudo pronto

A organização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil começa a ganhar as páginas dos jornais, exclusivamente por causa das notícias negativas e da recorrente mistura entre bens públicos e ganhos privados, atrasos em obras e planos, estouros orçamentários, falta de planejamento, de licitação e de controle.

Parece reprise. Há exatos quatro anos, o Brasil sediou os Jogos Pan-americanos, no Rio de Janeiro. Em julho de 2007, durante as competições, os brasileiros começaram a tomar conhecimento da dimensão dos recursos públicos empregados – R$ 3,3 bilhões – e do despreparo das autoridades públicas em cumprir obrigações como construir as instalações esportivas e as obras de transporte público – estas, apelidadas como “legado” para a sociedade. Vale lembrar que o parque aquático, o velódromo e os dois estádios construídos ou reformados em 2007 não estão aptos para os Jogos Olímpicos de 2016.

A história todo mundo já conhece. Obras sem planejamento, sem projetos de engenharia e sem orçamentos realistas. Custos bastante acima do divulgado inicialmente, cobertos inteiramente pelos cofres públicos. A iniciativa privada, que seria investidora em cerca de 30% das obras, participou apenas como fornecedora de bens e serviços de construção das obras.

A organização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil seguem o mesmo roteiro do Pan-americano de 2007, só que envolvendo recursos públicos em volume muito maior. Os estádios, que poderiam ser eminentemente investimentos privados, transformaram-se em despesa pública, incluindo gasto público tanto em arenas públicas quanto privadas. Obras de mobilidade urbana e reforma urbanística das cidades não existem ou estão muito atrasadas. Os planos formulados inicialmente crescem todos os trimestres e não há nenhuma garantia que os orçamentos públicos atualmente relacionados aos dois eventos esportivos não crescerão ainda mais.

A organização dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, é a antítese do Brasil e tem muito a ensinar aos brasileiros. Algumas lições esbarram na instituição de leis e ferramentas de gestão. Outras, talvez as mais importantes, são culturais e conceituais, baseadas em princípios.

– Os governos envolvidos criaram uma agência (Olympic Delivery Authority, ODA, em inglês) exclusivamente para construir e entregar, com um ano de antecedência, todos os equipamentos e a infraestrutura para os jogos. O Brasil aprovou lei similar, pois se comprometeu a fazer isso. A lei brasileira, no entanto, não prevê metas e prazos para a entrega das instalações esportivas.

Londres 2012 arena 2 – O último relatório da agência britânica indicou que, em março de 2011, 83% das obras de instalações esportivas e de infraestrutura de transporte e energia tinham sido entregues em dia ou adiantadas. Segundo reportagem publicada no Financial Times, dia 20 de julho, 88% estavam concluídas e entregues.

– Em julho, os ingleses entregaram a quinta instalação, de um total de seis: o centro de imprensa, que comportará mais de 20 mil jornalistas.

– Além do centro de imprensa, já foram entregues para testes o velódromo (ciclismo), estádio (futebol, atletismo, abertura e encerramento), arenas para handebol e basquete, parque de canoagem e subestação de energia e central de calor, além de três estações de acesso metroviário ao centro olímpico. As obras seguem firmes nos 11 condomínios residenciais para atletas, que serão entregues no fim de 2011. O parque aquático será entregue, no prazo, no primeiro trimestre de 2012.

– Há muita preocupação com o legado. O que fazer com todas essas instalações? As unidades de saúde, o estádio,  os centros esportivos, os 11 conjuntos de alojamentos, com 2.818 apartamentos? Para uma parte dos alojamentos, já foi realizada uma pré-venda para empresas privadas. Para o restante, já três consórcios ou empresas privadas pré-selecionadas para assumir a administração e venda dos apartamentos. O estádio será concedido para um clube inglês, depois de desmontadas algumas seções, cujo objetivo é reduzir o custo de conservação.

– Os gastos das autoridades londrinas são publicadas na internet: datas, quem gastou, que tipo de gasto, quanto foi pago. Despesas com quaisquer coisas. Os salários de todos os diretores, conselheiros ou principais gestores da ODA britânica são publicados no relatório anual deles.

Londres 2012 basquete – Londres foi escolhida em julho de 2005. Em julho de 2006, já tinha pronto o plano principal para a construção do parque olímpico em uma antiga área industrial no leste da capital, degradada e com solo contaminado.

– Em março de 2007, o orçamento para as Olimpíadas 2012 foi apresentado: 9,32 bilhões de libras. Em março de 2011, foi revisto: 9,29 bilhões de libras. Nenhum centavo a mais. Somente 8,09 bilhões de libras foram disponibilizados para gastos. Houve contingenciamento (por causa da crise financeira que eclodiu em setembro de 2008) e reserva de recursos para riscos diversos.

– Um consórcio formado por três empresas foi contratado em agosto de 2006 para gerenciar custos e cronogramas das obras com três objetivos: garantir que as instalações esportivas e a infraestrutura fossem entregues no prazo; garantir que os orçamentos não aumentassem; buscar a redução nos preços a partir do gerenciamento eficiente dos projetos. As economias feitas seriam repartidas entre empresa e governo.

– O consórcio já recebeu 515 milhões de libras por metas atingidas e superadas. Conseguiu fazer com que todas as obras fossem entregues nos custos e prazos estabelecidos em 2007 – ou até antecipadas – e conseguiu reduzir custos de outros projetos, de forma que ficou com uma parte dos ganhos obtidos. As obras do estádio olímpico, por exemplo, começaram com três meses de antecedência.

– Há metas e controle. Em todos os anos, a autoridade olímpica londrina lançou planos de metas anuais, cada qual com dez itens, considerados marcos fundamentais para o progresso da construção do parque olímpico. É possível acompanhar o progresso de acordo com as metas diariamente. A agência publica regularmente relatórios para todas as etapas cumpridas ou em andamento.

– Em 2008, para evitar atrasos e imprevistos motivados por conflitos em torno de contratos e obras, entrou em funcionamento uma instância independente de arbitragem para buscar soluções pragmáticas para quaisquer disputas.

– O centro olímpico está instalado em uma antiga e enorme área no leste da cidade, considerada como uma espécie de ferro-velho a céu aberto. O objetivo é remodelar esse lado da cidade. Uma das metas era limpar a área de cerca de 2,5 km², antigo reduto de fábricas poluidoras, de forma a permitir o início das obras. Cerca de 220 edifícios abandonados e antigos foram postos abaixo e o índice de reaproveitamento do material de demolição nas obras do próprio parque atingiu 98%. Mais de 1,5 milhão m³ de solo foram descontaminados por cinco máquinas de grande porte, com capacidade de limpar 200 toneladas de terra por hora, removendo óleos e metais pesados. Limparam cerca de 2 milhões de toneladas. Depois de limpa, a terra passou a ser utilizada nas obras do próprio parque olímpico. Mais de 70.000 toneladas de sucata em um antigo depósito de lixo industrial foram separadas, reutilizadas ou destinadas para reciclagem. A rede elétrica é agora subterrânea, incluindo dois túneis com seis quilômetros de extensão para enterrar a rede de alta tensão. Antigamente sobrecarregados, 52 postes de eletricidade desapareceram.

Para saber mais:

1) O Tribunal de Contas da União (TCU) publicou o acórdão 2101/2008, um relatório extenso, de 126 páginas, avaliando a gestão das autoridades públicas na organização do Pan-americano e 2007. Vá direto ao final e leia os 77 pontos que amparam o voto do ministro relator Marcos Vinicios Vilaça. É uma aula.

2) Basta um registro simples e gratuito para ter acesso a algumas reportagens do Financial Times, como esta, que explica em que fase de conclusão estão as obras e os preparativos para os Jogos Olímpicos de Londres e como funciona o trabalho do consórcio contratado para garantir cumprimento de prazos e custos.

3) Para quem quiser acompanhar, o portal da Autoridade Olímpica de Londres 2012 tem uma seção com as fotos das instalações esportivas já entregues ou em obras.

Os jornais deveriam insistir mais em matérias locais sobre os vereadores

A melhor matéria da última semana passa longe dos furos jornalísticos que derrubaram ministros e autoridades em geral envolvidos em suspeitas de corrupção. Ela aborda um tema importante de uma forma bastante inteligente. Se as redações decidissem colocar jornalistas no encalço de vereadores e parlamentares como fazem com celebridades, teriam muita matéria-prima para boas matérias.

O Jornal da Tarde listou todos os projetos de lei aprovados pela Câmara de Vereadores de São Paulo para concluir que, em regra, os vereadores não produzem quase nada de importante e custam muito caro para o contribuinte. A matéria foi reproduzida ainda no O Estado de S. Paulo.

Para falar a verdade, o título, que reflete o ponto central da matéria, não é o mais importante da reportagem, já que, como justificam um especialista e um vereador ao longo do texto, a Câmara não existe somente para propor e aprovar projetos de lei. Essa é, inclusive, uma tarefa menos importante que algumas outras, como fiscalizar o trabalho do prefeito e equipe e reverberar as ansiedades da população local para dentro do próprio governo municipal.

OESP vereadores A matéria é oportuna porque decidiu reunir informações e dados importantes, divulgados aqui e acolá em diversos momentos diferentes, e dar a eles um sentido, uma ordem.

O Jornal da Tarde poderia insistir nesse caminho e analisar em mais ocasiões o trabalho tanto do prefeito quanto dos vereadores, com levantamentos e pautas inteligentes. Essa é uma das saídas para a imprensa que tem como foco o jornalismo local ou hiperlocal,  identificado mais com os problemas da cidade do que do estado ou do país.

As fontes ouvidas na matéria dão algumas dicas de novas reportagens que poderiam ser feitas:

– “É preciso analisar quais foram as ações nas comissões temáticas”, sugeriu o diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo. Essas comissões são as responsáveis, entre outras tarefas, por realizar audiências públicas e debater com os contribuintes temas de relevância para a cidade.

– A Câmara dos Vereadores não pode ser avaliada apenas pelos projetos dos vereadores, mas também pelos que foram propostos pelo prefeito, explicou o vereador Antonio Goulart, vice-presidente da Casa. Então, porque não fazer uma reportagem analisando a qualidade das leis sugeridas pela prefeitura? E, porque não fazer uma matéria abordando as leis propostas pelo vereador Antonio Goulart, uma das principais autoridades da Câmara de Vereadores da cidade de São Paulo?

Para seguir fiscalizando e analisando com qualidade o trabalho dos prefeitos e dos vereadores, as equipes de reportagem poderiam pedir ajuda para organizações sociais que buscam fazer o mesmo trabalho, como a ONG Voto Consciente, o Movimento Nossa São Paulo, o Movimento Viva Rio e a Transparência Brasil – ou congêneres Brasil adentro. Reuniões periódicas de planejamento ou de pauta com tais instituições poderiam render boas reportagens.

Veja mais:

No dia 14, o jornal Folha de S.Paulo produziu reportagem com base em um recente relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM) da capital paulista. O trabalho dos auditores tem 267 páginas e, se destrinchado, pode servir de idéia para boas pautas em diversos jornais e rádios com foco no jornalismo local.

O que é mais barato? Usar táxi ou ter um carro? Comprar ou alugar um apartamento?

As matérias que abordam o bolso do consumidor estão entre aquelas de maior audiência, sobretudo quando auxiliam a economizar ou consumir de forma mais eficiente. É o caso da matéria feita pelo jornal Folha de S.Paulo, em maio: “Até 15 km por dia, táxi é mais barato do que carro”.

Táxi ou carroO mais interessante é a ferramenta interativa para que o leitor possa inserir os próprios dados e ter uma noção sobre qual opção é melhor para o caso dele.

Com muito trabalho em programação, arte e matemática, e com a ajuda do professor Samy Dana, especialista em finanças pessoais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o jornal pôde disponibilizar, no Folha.com, uma espécie de formulário para os usuários fazerem as próprias contas.

Dois fatores presentes nessa reportagem fazem dela um espetáculo de grande audiência: uma boa pauta com foco no indivíduo e na utilidade pública e uma infografia interativa forma visualmente fácil de compreender. Que outros exemplos como esse surjam na Folha e na concorrência.

Saiba mais:

O Café Expresso abordou recentemente uma reportagem no jornal norte-americano The New York Times com as mesmas características. O infográfico auxilia os leitores a perceberem qual a melhor opção: comprar ou alugar um apartamento, dependendo da necessidade e do perfil do imóvel. Veja aqui.

Os planos de inspeção veicular ambiental devem começar a se espalhar pelo Brasil

Se a legislação não for alterada ou postergada novamente, como ocorreu recorrentemente nas duas últimas décadas, as administrações públicas brasileiras terão de criar, aprovar e publicar planos de controle de poluição veicular – e instituir os programas até abril de 2012, onde for necessário.

A resolução atinge todos os estados, o Distrito Federal e todos os municípios cuja frota seja superior a 3 milhões de veículos. Para cidades com frota menor, fazer a inspeção veicular ambiental anual é optativa.

Cabe aos estados elaborarem os planos, em articulação com os municípios, e cabe aos conselhos estaduais de meio ambiente recebê-los e aprová-los. Os estados têm liberdade para decidir se a inspeção veicular é pertinente ou não e escolher qual a frota que será alvo do controle veicular ambiental.

O prazo para apresentar os planos venceu no último dia 30 de junho. Se o plano concluir que é necessário lançar um programa de inspeção veicular ambiental, a frota tem de começar a ser vistoriada até abril de 2012. A partir daí, a inspeção é obrigatoriamente anual.

O que pensam os motoristas? – Para fluminenses e paulistanos, a inspeção veicular ambiental não é novidade, pois já existe. Mas para diversas outras localidades, certamente será. Costuma ser rápida, com agendamento, mas há uma taxa a ser paga. O que será que a população de localidades nas quais não há inspeção pensam sobre o tema? Concordam que é algo importante, há consciência ambiental ou percebem como mais uma obrigação que o poder público lhes impõe? É preciso lembrar que proprietários de veículos já pagam IPVA, licenciamento, seguro obrigatório, pedágios (em algumas localidades) e agora a inspeção ambiental.

As novas regras vão causar impacto na vida de muita gente. Um balanço do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) divulgado no início deste ano apontou que o Brasil, ao fim de 2010, tinha 64.817.974 veículos registrados. Em dez anos, 35 milhões de veículos adicionais foram colocados nas ruas. Entre as cidades, só São Paulo tem mais de 3 milhões de veículos – praticamente 6,5 milhões (maio de 2011). O Rio de Janeiro tinha 2,1 milhões de veículos, dos mais variados portes, de caminhões a motocicletas. Belo Horizonte, a terceira mais motorizada, contava com uma frota de 1,4 milhões de veículos.

Quais as fontes? – Que tal uma entrevista com Rudolf Noronha, gerente de Qualidade do Ar do Ministério do Meio Ambiente? Ele pode oferecer informações que ajudem o leitor a entender como esse assunto evoluiu nos últimos anos e as razões para obrigar a criação de planos e programas. Pode, inclusive, abordar experiências internacionais. Imagine se ele tiver um mapa das localidades que já cumpriram a determinação dentro do prazo? Informações indicam que muitos estados estavam comprometidos em cumprir a regra.

Noronha disse, no início do ano, que, por enquanto, a poluição só é controlada por inspeção ambiental veicular pelo estado do Rio de Janeiro e pelo município de São Paulo. Por serem regiões economicamente importantes, podem servir como exemplos para perceber o que deu certo e errado e quais lições que outros estados e municípios podem seguir para ganhar tempo e economizar recursos.

Outra fonte que pode ser procurada é a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema), que pode ter informações valiosas que ajudariam a mapear, a contextualizar e a circunscrever o assunto.

Uma linha do tempo – Abaixo, é possível ter uma noção superficial da evolução do debate a partir da organização temporal das resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que regula assuntos ambientais.

Agosto 1993: Resolução Conama 7 definiu as diretrizes básicas e padrões de emissão para o estabelecimento de Programas de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso. Não estipula prazos nem para a elaboração de planos nem para o início de funcionamento de programas de inspeção ambiental veicular.

Setembro 1995: Resolução Conama 15 determinou que a inspeção ambiental veicular não pode ser inicada antes que órgãos estaduais de meio ambiente criem planos de controle ambiental. Não estipula prazos.

Dezembro 1995: Resolução Conama 18 fez pequenas alterações na regra vigente, que vincula o início da inspeção ambiental veicular à elaboração prévia de planos de controle da poluição veicular. Não menciona prazos.

Agosto 1997: Resolução Conama 227 regulamentou o funcionamento de programas de inspeção ambiental veicular e determinou que eles devem ser implantados prioritariamente em regiões cuja qualidade do ar esteja comprometida por causa das emissões de poluentes pela frota circulante.

Janeiro 1999: Resolução Conama 251 determinou que a inspeção veicular ambiental foque veículos movidos a diesel.

Junho de 1999: Resolução Conama 256 estabeleceu, pela primeira vez, o prazo de 18 meses para a elaboração e publicação dos planos, concedendo prazo adicional de um ano, prorrogável por mais seis meses, para início da inspeção na frota. Caso descumpridas tais regras, passaria a ser do Ibama a responsabilidade pela elaboração tanto do plano quando do programa de inspeção ambiental na frota.

Setembro 2008: Resolução Conama 403 estabeleceu níveis mais rigorosos de emissões para veículos pesados novos movidos a diesel a partir de 1 de janeiro de 2012, incluindo novos dispositivos tecnológicos de controle de emissão.

Setembro 2009: Resolução Conama 415 estabeleceu níveis mais rigorosos de emissões de poluentes para veículos leves de passageiros, a partir de 1 de janeiro de 2012, incluindo novos dispositivos tecnológicos de controle de emissão.

Setembro 2009: Foi criado um grupo de trabalho (Portaria MMA 336, 22/092009) com objetivo de elaborar um inventário de emissões por veículos automotores.

Novembro 2009: Resolução Conama 418 estabeleceu prazo de 12 meses para todos os estados, o Distrito Federal e todos os municípios com frota maior que 3 milhões de veículos elaborarem os planos de controle de poluição veicular e 18 meses para iniciar tal inspeção. Entes federativos que já tivessem iniciado serviços de inspeção ambiental na frota receberam prazo de 24 meses para adequarem os programas.

2010: Foi concluído o 1º Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários.

Dezembro 2010: Resolução Conama 426 deu mais seis meses de prazo para todos entregarem os planos de controle de poluição veicular, mas não prorrogou a o prazo para o início das inspeções anuais na frota.

Junho 2011: Data limite para os conselhos estaduais de meio ambiente receberem dos estados os planos de controle de poluição da frota de veículos.

Abril 2012: Data limite para a inspeção veicular ambiental começar nos locais e nas condições indicados pelos planos.

O que eles – os jornalistas – disseram de mais interessante nos últimos dias

"No sentido político, Dilma é a Eva tirada da costela do Adão da Silva. (…) É evidente que há diferenças entre o padrinho e a afilhada, a principal das quais é o fim da crispação a que Lula conduzira a política brasileira. A carta da presidente a Fernando Henrique Cardoso é a mais forte demonstração de que Dilma está se esforçando para introduzir a civilização em um ambiente que o antecessor tornara tosco demais." (Clóvis Rossi, em "Mulher do Lula. Para sempre?", no jornal Folha de S.Paulo, dia 16 de junho de 2011, sobre a relação e as diferenças de comportamento entre a atual e o ex-presidente da República)

"E José Eduardo Cardozo, por onde anda? Ministros da Justiça têm importância decisiva em qualquer governo, até em regimes militares. (…) Mas vamos focar a era Lula. Márcio Thomaz Bastos tinha o escovão mais requisitado da República: vivia tentando apagar os rastros dos colegas, como o do próprio Palocci na quebra do sigilo do caseiro Francenildo." (Eliane Cantanhêde, em "Onde está o Wally Cardozo?", no jornal Folha de S.Paulo, dia 16 de junho de 2011, sobre o sumiço do atual ministro da Justiça durante o período de crise política)

"Mas talvez o fim de um amor seja um fenômeno tão misterioso quanto o apaixonamento. Talvez existam duas mágicas opostas, igualmente incontroláveis, uma que faz e outra que desfaz." (Contardo Calligaris, em "Por que acaba um casal?", no jornal Folha de S.Paulo, dia 16 de junho de 2011, sobre a forma como a sociedade enxerga namoros e casamentos)

"Cabral, o Pedro, descobriu o Brasil. Que agora descobre Cabral, o Sérgio." (Ricardo Noblat, em "Nas asas de Eike", no jornal O Globo, dia 4 de julho de 2011, sobre a descoberta que o governador fluminense utilizou em diversas ocasiões privadas o jato do empresário Eike Batista)

“A relação entre o real e o dólar é problema quando sobe e quando cai.” (Miriam Leitão, em “Câmbio, desligo”, no jornal O Globo, dia 7 de julho de 2011, sobre o persistente processo de fortalecimento do real frente ao dólar e a quantidade de causas e consequências negativas e positivas que permeiam o tema)

“Alguns números não querem dizer o que parecem, precisam ser explicados; mas os da taxa desagregada de desemprego querem dizer exatamente o que dizem: o mercado de trabalho no Brasil, mesmo num momento em que tantos empresários se queixam de falta de gente, se dá ao luxo de preferir e preterir. O mercado prefere homens brancos, deixa em segundo plano mulheres, tenta evitar os muito jovens e cria ainda mais barreiras para mulheres negras. Pode-se explicar o fenômeno com qualquer contorcionismo, mas seria preferível ver o que os números contam. Eles contam que o mercado de trabalho no Brasil discrimina.” (Miriam Leitão, em “Números que contam”, no jornal O Globo, dia 5 de julho de 2011, sobre o índice de desemprego brasileiro, que atingiu 6,4% em maio – e 20% para jovens negras de 18 a 24 anos)