Essa reportagem é relevante ou fútil?


Dia 21 de março, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma reportagem infográfica para explicar algumas causas dos preços elevados de produtos e serviços comercializados na capital paulista, uma das mais caras cidades do mundo. Faz parte da série “Discussões Urbanas – Os Desafios da Metrópole”, abordando diversas facetas deste tema com infografias de página inteira.

Sem dúvida, o periódico tem levado a sério um dos pilares do jornalismo moderno: oferecer informação de uma forma visualmente agradável e didática. Sem superficialidade, sem exageros, gráficos e tabelas simples, porém bem organizadas espacialmente e relacionadas umas com as outras. Cada trecho ajuda a história a fluir.

Futilidade? – Muitos críticos ainda enxergam o uso de matérias baseadas em infografia como futilidade ou apenas entretenimento. Dizem ainda, desta vez com razão, que nada vale uma matéria visualmente agradável se ela não seguir algumas das regras elementares do jornalismo: precisão, objetividade, relacionada com assuntos que tenham impacto para a vida do cidadão e sejam relevantes para ele. Boa apuração e apresentação agradável podem coexistir e o leitor é quem ganha.

O que acontece nas redações é que muitas vezes os jornalistas correm à procura de estudos, levantamentos e bancos de dados interessantes para dar origem a matérias infográficas – e nem sempre eles abordam temas que estão no topo dos mais requisitados no momento.

OESP 21mar11

Quente e frio – A matéria sobre os motivos de tudo custar tão caro em São Paulo é uma “matéria fria”, tipo de reportagem que, em geral, não precisa ser publicada imediatamente, independentemente de ser importante, interessante ou úteis. Há tempo para planejar uma infografia bem elaborada para auxiliar a matéria ou até para ser o cerne dela, como é o caso. Quando a redação está diante de “matéria quente”, que precisa ser publicada imediatamente ou o mais breve possível, quase nunca há tempo para “as futilidades”, como dizem os críticos. Explica-se tudo por texto, e pronto.

Mais velocidade – Com o texto, é diferente. Mais flexível para elaborar e publicar, leva vantagem na linha de produção do jornalismo porque permite maior velocidade na cobertura diária dos fatos, principalmente quando há necessidade de acompanhar a evolução de alguma história.

A regra de reportagens infográficas já é prática comum há anos na redação da revista Superinteressante, sucesso de vendas no mercado brasileiro. O projeto editorial da publicação permite que a redação trabalhe com pautas desconectadas com o dia a dia dos fatos econômicos e políticos.

Isso não impede que a Super conecte a pauta aos assuntos mais comentados ou desejados dos leitores. Tanto que, de anos para cá, sempre que possível tenta explorar, com profundidade e muita infografia, os temas centrais de filmes que estão para surgir nas telas dos cinemas.

Conclusão – Enfim, a matéria publicada pelo Estadão para discutir o custo de bens e serviços na capital paulista não deve ser considerada fútil, pois é relevante. Por ser considerada uma reportagem fria, o que mostra ainda mais acertada a decisão de entregá-la ao leitor da forma de um belo infográfico.

Se alguém quiser a imagem da reportagem em tamanho maior, deixe um e-mail nos comentários.

Veja mais:

Em texto recente, o Café Expresso comentou outra reportagem da mesma série do Estadão, que analisou, naquela ocasião, o problema da coleta seletiva de lixo na capital paulista.

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