A tecnologia contra o crime no Brasil e no mundo


Duas reportagens publicadas – uma no The New York Times, outra do O Estado de S. Paulo – este ano chamaram a atenção para a disparidade de tecnologia à disposição dos departamentos de polícia nas cidades brasileiras e norte-americanas.

Em Nova Iorque, bancos de dados foram criados com informações que ajudem na identificação ou obtenção de provas contra pessoas envolvidas em crimes, como tatuagens, marcas corporais, cicatrizes, jeito de andar, registros de dentes que faltam ou dentes de ouro e inclusive de manchas ou condições da pele. No Brasil, há deficiências graves para os equipamentos e utensílios mais básicos e basilares em diversos estados. Esse retrato só veio à tona devido ao esforço do Estadão. Os jornalistas perguntaram para cada secretaria estadual de segurança pública, por questionário, qual era a infraestrutura existente para perícias.

Faltam estatísticas – Na área de segurança pública no Brasil, é difícil encontrar levantamentos que deixem de lado a discussão teórica ou filosófica e se preocupem em obter dados estatísticos que retratem, considerando todos os estados, a situação sobre determinado aspecto. É uma tarefa difícil. As polícias, por aqui, não divulgam nem estatísticas detalhadas sobre locais de crimes.

Essas reportagens no Estadão e NYT poderiam suscitar outras boas matérias, de preferência pelas emissoras de televisão, para que a sociedade possa conhecer até em que ponto a tecnologia da polícia brasileira está adequada para identificar crimes e criminosos. Como mostra a repercussão da cobertura dos confrontos entre policiais e traficantes no Rio de Janeiro, há audiência garantida para esse tema.

Diretrizes para uma pauta – Para muitos gestores públicos e policiais brasileiros, tecnologia é sinônimo de mais e melhores viaturas e armamentos – no máximo, policiais trabalhando em rede e a utilização mais intensiva de escutas telefônicas. Solucionar crimes certamente exige muito mais. Alguns pontos poderiam ser abordados na elaboração de uma pauta:

1) A identificação de pessoas pelas digitais no Brasil está ainda longe de se tornar realidade? Na Inglaterra, os policiais de Londres já testam um identificador de digitais totalmente portátil, de forma que, em vez de levar o suspeito para a delegacia, eles podem checar a identidade da pessoa no ato. Em vez de gastar três horas, a previsão é gastar 15 minutos com o novo sistema, sem contar que diminui drasticamente o constrangimento para aqueles que são inocentes. Em um estado norte-americano, há um projeto para identificar pessoas condenadas pela íris ocular.

Mapa perícia 2) Até onde os departamentos de perícia da polícia civil nos estados estão aptos a realizar exames de DNA? O mapa ampliado produzido pela reportagem do Estadão dá uma noção sobre o assunto. Há laboratórios conveniados, em caso de não haver equipamentos e estrutura própria? Quanto tempo demora? As forças policiais têm recursos financeiros no orçamento para essas despesas? Exames de DNA, feitos com rapidez, são uma das mais eficazes técnicas para relacionar culpados e crimes.

3) É possível entrevistar um especialista que esteja à frente de um laboratório ou centro dos EUA ou Europa para identificar qual é a estrutura ideal para que a perícia policial possa solucionar casos. Quais equipamentos precisam estar à disposição dos departamentos de polícia? Que tipo de profissional precisa ser contratado?Mapa perícia2

4) É possível calcular o custo para montar uma estrutura para perícias, com tecnologia de ponta e profissionais treinados, de forma a contribuir para a apresentação de provas para os julgamentos? Por trás da discussão entre policiais que prendem e juízes que mandam soltar, está a alegada precariedade das provas.

Matérias como essas, no mínimo, ajudam a pressionar as autoridades públicas a anunciar investimentos e ações para corrigir os problemas. Inclusive, foi o que prometeu o Ministério da Justiça naquela ocasião. Será que as promessas foram cumpridas?

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