Países ricos também convivem com mazelas de nações subdesenvolvidas


Para quem acha que cidadãos em países ricos não sofrem com descaso do poder público ou falta de assistência social, basta lembrar que em qualquer nação há sempre pessoas pobres e ricas, de classe média e alta.

Os problemas vividos no Brasil são realmente enormes, fruto da incompetência dos administradores públicos, da corrupção e do baixíssimo nível cultural e educacional da população, entre outras origens. Falta muito ainda para o país ser minimamente justo, mais democrático (considerando aqui o conceito que oferece oportunidade a todos os cidadãos de usufruírem de seus direitos estabelecidos na Constituição) e eficiente. Há dezenas de listas e comparações que constatam isso.

Apenas para matar a curiosidade, selecionei algumas referências de problemas vividos por países já desenvolvidos (lembrem-se, na literatura econômica, o Brasil é emergente, uma palavra politicamente correta para descrever nações subdesenvolvidas). Deve ser difícil viver em lugares assim, não é?

1) Escolas públicas do Distrito de Columbia (região equivalente ao Distrito Federal do Brasil, entre os estados de Maryland e Virginia, ocupada inteiramente pela cidade de Washington, capital norte-americana) começaram a servir jantar para cerca de 10.000 estudantes, muitos dos quais passaram a receber assim três refeições por dia. O objetivo é combater a fome na infância e a subnutrição entre os pobres. O programa custará US$ 5,7 milhões este ano. Lá, a taxa de pobreza entre as crianças negras é de 43% hoje, contra 31% em 2007 – e significativamente maior do que a média norte-americana.

2) Na França, sindicatos de trabalhadores iniciaram uma greve em protesto à iniciativa do governo federal de mudar regras da previdência pública para que o sistema suporte o envelhecimento da população. Lá, como cá, greve é um direito. Lá, o protesto, que começou dia 12 de outubro, virou confronto, interrompendo ou prejudicando seriamente o funcionamento de postos de combustível, trens, aeroportos, coleta de lixo e escolas. Lá, movimentos grevistas costumam crescer a partir da adesão de jovens e estudantes, o que é visto como uma espécie de rito de passagem, uma idéia que diz que o jovem deve participar pelo menos uma vez na vida em um movimento social. O movimento só começou a perder força duas semanas depois. Sarkosy, o presidente da França, disse que em uma democracia todos podem se expressar, mas devem fazer isso sem violência e sem excessos. Em cidades brasileiras, é bastante comum greves evoluírem para confronto com policiais – ou entre eles.

3) Na cidade de Nova Iorque, o departamento de política local vem obtendo sucesso em reduzir a criminalidade. A cada ano que passa, menos crimes são registrados. No entanto, há reclamações que muitas estatísticas, de delitos menores, são omitidas. A prefeitura se defende. Alega dificuldades tecnológicas. Outras cidades, no entanto, conseguem oferecer à sociedade dados abrangentes sobre violência, incluindo crimes de maior e menor  gravidade. Especialistas reclamam que a falta de transparência impede que se tenha um retrato fidedigno da eficiência do poder público na área da segurança.

NY City police stops4) Nova Iorque, novamente. Lá, há muita reclamação de que a quantidade de batidas policias aumentaram. A polícia, mostram as estatísticas, intensificou a política de parar os cidadãos considerados suspeitos, perguntar e revistar – algo bastante presente na sociedade brasileira. Lá, os números mostram que os negros e hispânicos são os alvos principais das batidas dos oficiais de polícia nova-iorquina – nada diferente do que ocorre nos países subdesenvolvidos. Lá, ao menos, as estatísticas oficiais foram divulgadas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s