Movimento político de norte-americanos não quer “mais Estado”


Nos Estados Unidos, desde que a crise financeira iniciada em 2008 fez desaparecer uma parte considerável dos empregos, nos bônus salariais, da renda e da riqueza das famílias norte-americanas, o governo federal e o Congresso passaram a aprovar um conjunto de novas leis para cortar gastos, evitar a falência generalizada dos bancos, diminuir os prejuízos das pessoas com com as perdas de imóveis e oferecer, na medida do possível, algum socorro para pessoas necessitadas.

Vale lembrar que a economia norte-americana é bastante dependende do consumo e o crédito ao consumidor e às empresas cresceu perigosamente, com fartura, aceleramente e com análise de risco frágil. Muitas famílias deram o imóvel como garantia para conseguir créditos – e fizeram isso repetidamente, usando o mesmo imóvel para conseguir mais de um ou dois empréstimos, em muitos casos.

O sistema financeiro, ávido por realizar muitas operações de empréstimo e embolsar o lucro das operações, com noção desvirtuada do risco inerente, abriu os cofres e ofereceu crédito para empresas e famílias com poucas e fracas garantias. O fim da história todo mundo já sabe: uma crise de proporção global, com epicentro nos países ricos, iniciada nas quebras de bancos importantes.

Desde então, quando o presidente democrata Barak Obama passou a publicar diversas leis para aumentar receitas via novos impostos e ampliar o sistema de saúde para pessoas sem condições de pagar um plano privado, parcelas consideráveis do público norte-americano passaram a criticar tais medidas e tal ingerência do Estado. Entre os críticos, principalmente simpatizantes republicanos, partido do ex-presidente George Bush, derrotado na última eleição presidencial.

Esse público do Partido Repúblicano, mais conservador, está no centro do movimento chamado Tea Party, pelo qual as pessoas protestam contra o aumento dos impostos. No entanto, no cerne, está a maior ingerência do Estado na vida no cidadão, onde a cobrança de impostos é um ponto central.

O nome do movimento relembra uma página da história dos EUA: o movimento Tea Party, ocorrido na cidade de Boston, em 1773, pelo qual os colonos americanos, mas principalmente os comerciantes, protestaram contra a decisão dos colonizadores ingleses de determinarem o monópolio para a Coroa inglesa na venda de chá em todos os países colonizados. Naquela época, foi entendido como uma ingerência descabida do Estado sobre a vida das pessoas.

Dias atrás, a The Economist publicou um gráfico que resume uma pesquisa que diagnosticou quem são os partidários do Tea Party. A constatação é que, entre os adeptos, a maioria é feita por pessoas mais velhas, mais ricos e brancos.

Para boa parte dos políticos e das famílias norte-americanas, o Estado deve ser um regulador e um indutor do crescimento e do bem-estar, cuja ingerência deve ser sempre pontual, sem desequilibrar princípios enraizados na sociedade. Um deles é que a igualdade social e econômica deve ser fruto principalmente do esforço das pessoas, não da ação escarancada dos governos.

Sabe-se que o governo Barak Obama teve de injetar bilhões de dólares para evitar quebradeira de grandes conglomerados empresariais nos Estados Unidos, incluindo fábricas e bancos, que poderiam colocar em risco a própria sobrevivência da economia no longo prazo. O dinheiro do contribuinte salvou não somente milhares de empregos, mas também empresas e gestores que embolsavam milhões de dólares anuais em bônus por desempenho. Boa parte da crise foi gerada pela ganância em produzir desempenhos fabulosos a cada ano, com pouca atenção aos riscos das operações.

O tamanho da participação do Estado na vida das famílias e das empresas sempre será uma questão vital para a vitalidade de uma economia e de um país. Às vezes, é preciso de um pouco mais de Estado, às vezes, um pouco menos. Acertar a dose do remédio ou da vitamina é crucial para fortalecer a saúde do doente, em vez de envenená-lo e matá-lo.

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