Arquivo do mês: agosto 2010

Use as redes sociais para melhorar sua cidade

O leitor não precisa estar familiarizado com os termos técnicos, como API, app ou widget. Basta saber que a tecnologia hoje permite que qualquer cidadão que veja um problema na cidade enquanto se locomove por ela pode registrar o caso, divulgá-lo e acompanhar a resolução dele.

Li recentemente um artigo escrito por Chris Vein. Ele ocupa o cargo de diretor de informação na cidade de São Francisco, na Califórnia – a 12ª mais populosa dos Estados Unidos, com mais de 800 mil habitantes.  Na prática, ele comanda todas as tarefas relativas à divulgação de informações para a sociedade e a comunicação da prefeitura com a opinião pública.

Ele mostrou no artigo que diversos aplicativos (os chamados “apps”, abreviação da palavra em inglês “application”) que foram criados para funcionar pela internet e por telefones celulares permitem que os cidadãos, aos enxergarem um problema, encaminhem ele para o administrador público responsável pela apresentação da solução.

Esse tipo de serviço é extremamente valioso. Quantas vezes, ao passar por um monte de entulho despejado ilegalmente em uma viela, o cidadão não tem vontade de pegar um telefone e falar imediatamente com o funcionário público na prefeitura, responsável pela remoção? A dificuldade é achar o responsável, o número de telefone dele, ligar em um horário que ele esteja lá e contar com a atenção dele.

Muitos dos serviços em funcionamento em São Francisco se encarregam desse dessas tarefas. O cidadão, ao passar por uma pilha de entulho, por um buraco na rua, por uma calçada mal conservada, pode fazer uma fotografia como próprio celular, acessar a página do serviço disponibilizado em internet logo em seguida, cadastrar-se ao serviço gratuitamente, inserir a imagem, escrever um breve relato se desejar, indicar a categoria do problema (se é um buraco na rua, lixo jogado indevidamente etc) e apertar o botão “ok”.

Pronto, o aplicativo (o “app”, lembra-se?”) registra a reclamação e já encaminha automaticamente ao departamento da prefeitura responsável pela solução. Depois, mostra ao internauta a evolução do caso, até a conclusão – e pode ainda cobrar ou não o poder público pela resposta ao cidadão. Tudo automaticamente, graças à programação por trás do serviço, que “emite ordens” para o cumprimento de todas essas etapas.

Urbanias1 Se nas principais cidades européias e norte-americanas esse tipo de serviço cresce de forma acelerada, no Brasil ainda engatinha. Mas, ao menos, na maior cidade brasileira, São Paulo, já há um aplicativo com essa finalidade. Chama-se Urbanias, um serviço que permite ao cidadão apontar reclamações, inserir imagens dos problemas, escrever um breve relato e o aplicativo manda tudo isso para a prefeitura. Pelas redes sociais, ele mostra diversos exemplos de cidadania promovida pela rede.

Trata-se de um serviço bastante interessante. Eu mesmo já me cadastrei e já testei. Deu certo. Demorou quase um mês para a prefeitura remover excesso de lixo e entulho dispostos em frente a uma escola pública. Mas removeram.

O tema poderia ser uma interessante reportagem para a imprensa brasileira, seja rádio, TV, internet ou jornais e revietas. Inclusive, é uma pauta que vai ao encontro do comportamento da juventude atualmente, que, em média, busca resolver tarefas e problemas pela internet. Seria, no mínimo, uma experiência interessante para atrair jovens e adolescentes para a leitura de jornais.

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A limitação do WikiLeaks é a força do jornalismo

Dias atrás, o Café Expresso abordou a possibilidade do jornalismo deixar os leitores criarem a própria história, em vez de tirar conclusões por eles. A figura de linguagem quis expressar uma nova forma de fazer jornalismo, na qual um milhares de informações são organizadas em bancos de dados que formam a base para a criação de infografias e gráficos, apresentados principalmente de forma interativa.

O jornalismo interativo, como tem sido chamado, é jornalismo, como o próprio termo diz. E requer jornalistas por trás. Sem os profissionais da imprensa, talvez o grande público não tenha condições, tempo ou vontade de “colocar a mão na massa de dados” e organizá-la. A vontade do público é fazer uma leitura própria dos dados – não escrevê-los.

DerSpielgel O vazamento de mais de 91.000 documentos confidenciais do Pentágono sobre a Guerra do Afeganistão pelo WikiLeaks é um exemplo bastante claro sobre essa diferença. Na média, em geral, a curiosidade pode levar o público a acessar alguns documentos, mas dificilmente todos. É bastante improvável que alguns, mesmo que poucos, tenham coragem de analisá-los e organizá-los para fazer uma leitura posterior. É preciso profissionais para transformá-los em algo inteligível e de interpretação possível.

Por essa razão o WikiLeaks entregou os documentos para três dos principais jornais mundiais: The New York Times (EUA), The Guardian (Reino Unido) e Der Spiegel (Alemanha). Os jornalistas e profissionais de arte dessas publicações colocaram a mão na massa e tornaram as informações dos documentos acessíveis à teia global.

Projetos como o WikiLeaks tem limitações, como qualquer elo da cadeia produtiva do jornalismo. Não deixa de ser importante, no entanto, que eles existam. A assimilação da informação pela sociedade global sempre exigirá a capacidade de contar histórias de um profissional experimentado para tal tarefa. Se a plataforma de distribuição da no´ticia será o rádio, a televisão, a internet ou o papel, pouco importa diante da relevância do assunto.

Um novo jornalismo, que deixa o leitor montar a história que quiser

É desnecessário gastar palavras para convencer o quanto as ferramentas na internet estão melhorando a forma de apresentar as informações. Quantidades gigantescas de dados ganham vida e a interatividade – e permitem que o internauta navegue por informações cruas e tire as próprias conclusões.

ConflictHistory Três exemplos me parecem bastante conclusivos sobre o assunto. O primeiro é o Conflict History, sensacional para visualizar a quantidade de conflitos, guerras ou incidentes que ocorreram no mundo todo em determinado período. Não traz ainda um último conflito que estourou em junho, na Ásia, entre Uzbequistão e Quirguistão. Ficaria completo se trouxesse uma pequena ficha com dados sobre cada ocorrência, como faz o projeto Excelências, da ONG Transparência Brasil.

Excelências O Excelências não dá título nem texto ao internauta. Mostra fichas de legisladores do Senado Federal, da Câmara dos Deputados, das assembléias legislativas nos estados e das câmaras de vereadores das capitais. Além disso, apresenta os cargos relevantes que o político já ocupou, reportagens sobre matérias legislativas relatadas por ele inclusive pelo grau de relevância, quantidade de verbas gastas pelo gabinete e bens declarados na Justiça Eleitoral entre outras. Deixa o leitor livre para ler, analisar, comparar e tirar as próprias conclusões.

O terceiro é um mapa mundial do custo de vida em várias cidades  do mundo todo, um aplicativo que distribui dados de diferentes listas de preços em um mapa mundial. É possível escolher que lista distribuir pelo globo: locais com preços mais caros ou baratos de aluguel, supermercado ou restaurante, entre outros.

Projetos como esses, bastante interessantes e importantes, serão cada vez mais parte do jornalismo. Eles não se propõe a induzir o leitor a percorrer uma história formatada. Em vez disso, os deixa livre para irem para onde quiserem. Não tomarão o lugar de jornais e revistas, muito menos dos jronalistas – ao contrário, precisão muito deles, principalmente da capacidade de organização e de edição deles. Serão, isso sim, cada vez mais utilizados como fontes, como ferramentas capazes de organizar milhares de dados para facilitar a vida dos jornalistas – e do leitor.

Leitor tem solução para segurança pública

Leitor opina 4 Diz o ditado que oopinião a gente respeita, concorde ou não com ela.

O leitor que enviou carta para o jornal O Globo não quer ministério para a segurança pública, nem mais carros de polícia ou policiais nas ruas. Ele quer um novo partido político.

Deve ter dado certo em algum lugar, talvez no … no … no … no … não sei.

Os diamantes de sangue de novo no topo da pauta da mídia

A participação da modelo Naomi Campbel em um interrogatório que investiga o comércio dos chamados “diamantes de sangue” de Serra Leoa e outros países africanos. Ela assumiu ter ganho em 1997 alguns diamantes em estado bruto de um ex-dirador da Libéria, país que usava o dinheiro arrecadado com a venda de diamantes de conflito para fornecer armas para grupos em  Serra Leoa.

A questão serve como ponto de partida para entender fatos ao redor de uma antiga história. A exploração e o comércio de diamantes extraídos em países africanos sempre serviu para financiar guerras civis e conflitos étnicos no continente e manter ditadores sanguinários no poder. Quem compra as pedras, ora, são aqueles que têm poder aquisitivo para tal.

Vale uma rápida leitura no que foi chamado como Kimberley Process, um sistema de certificação para garantir que diamantes comercializados no mercado mundial não sejam provenientes de conflitos.

Diamond Producers

A produção de diamentes é grande. A Rússia, como mostra o gráfico produzido por The Economist, é o campeão disparado na produção de diamantes. Dos 15 maiores produtores mundiais, mais de dez estão no continente africano – e a Rússia não é o campeão de respeito às leis. Um quilate, no mercado de diamantes, equivale a 200 miligramas.

Independente do tamanho da produção, alguns milhões de receitas com diamantes contrabandeados são suficientes para manter conflitos sanguinários. Libéria, Serra Leoa, Congo, Costa do Marfim e Zimbábue são alguns exemplos que nações que sofreram – e ainda sofrem – longos momentos de violência por causa dos diamantes de sangue.

Para saber mais: Aos que ainda não assistiram, vale ver dois filmes. O primeiro é  Diamantes de Sangue, que mostra como a extração das pedras vendidas de forma ilegal alimenta guerras na África e faz a riqueza de algumas empresas. O segundo chama-se O Senhor das Armas e mostra o funcionamento do mercado internacional de armas, desde a fabricação até a venda para ditadores e grupos envolvidos em guerras civis na África.

Calvin ensina como não ser escravo da rotina

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Quanto óleo vazou no Golfo do México?

Dias atrás, o Café Expresso publicou informações que tentavam comparar o tamanho dos vazamentos de óleo ocorridos no Golfo do México (BP, 2010) e no Alasca (Exxon Valdez, 1989).

A conta continua incerta, mas uma reportagem no The New York Times mostra que cientistas do governo federal norte-americano calculam que o volume derramado no mar pode chegar a 5.000.000 de barris (cinco milhões de barris), o equivalente a 210.000.000 de galões de óleo (duzentos e dez milhões de galões).

O Exxon Valdez, como já mencionado em artigo anterior, o petroleiro Exxon Valdez carregava cerca de 53.094.510 milhões de galões (equivalente a 1.264.155 barris de óleo), dos quais foram derramados cerca de 10.800.00 de galões, o equivalente a 257.000 barris.

A conta certamente ainda levará alguns meses ou anos para ser ratificada com precisão maior.

Veja mais: Um infográfico interativo elaborado pelo Financial Times mostra,  desde abril, estimativas da quantidade de óleo recolhida do mar e os custos para a limpeza do desastre ambiental ocorrido no Golfo do Méxido.