Em vez de esperar pelos estudos, jornalistas estão produzindo-os


Hora da morte Jornalistas, muitas vezes, conseguem boas matérias a partir do momento que conseguem estudos ou levantamentos inéditos feitos por institutos econômicos, associações sindicais ou empresariais ou universidades. O que essas instituições fazem é colocar técnicos e professores para avaliar algum fato, mensurando a dimensão de algum fato da realidade social, econômica ou política de uma cidade, estado ou do país, identificando causas e consequências e oferecendo propostas para melhorar a situação.

Agora, muitos jornais estão investindo tempo em realizar os próprios levantamentos. Os jornalistas têm as habilidades que têm os técnicos das instituições que antes faziam e entregavam os estudos e trabalhos prontos: faro para pesquisa, capacidade de organizar dados, técnicas para fazer relações entre informações, perspicácia para ouvir especialistas que identifiquem causas e consequências. São matérias especiais, que requerem tempo maior de apuração e produção, publicadas principalmente nas edições de domingo.

A edição do dia 15 de agosto trouxe diversos desses exemplos e parece sinalizar que as redações podem ter se convencido da pertinência de liberar jornalistas para estudarem e pesquisarem um tema em profundidade.

Boa perícia1) O Estado de S. Paulo: Na era CSI, perícia na maior parte do País não tem o mínimo para solucionar crimes. Os jornalistas aproveitaram a imagem que os leitores têm dos seriados norte-americanos que mostram a tecnologia e a destreza da polícia e de peritos para desvendar crimes e identificar criminosos. Planejaram o roteiro de informações que teriam de ser pesquisadas, elaboraram um questionário e enviaram para as 27 unidades da federação por duas semanas. Com os dados, produziram um mapeamento da estrutura de perícia e criminalística dos governos estaduais do Brasil – e mostraram tudo numa maravilhosa infografia.

2) Folha de S.Paulo: Dez obras viárias recebem mais verbas que o metrô. Os repórteres estabeleceram um método: escolheram um período de tempo para verificar o volume de recursos empregados em obras voltadas para a mobilidade de carros e de pessoas e identificaram os valores envolvidos nos investimentos e intervenções do poder público. Com base nisso, mostraram qual é o setor de transporte prioritário para a ação do Estado no discurso e na prática.

3) Folha de S.Paulo: Onze da noite é a hora em que se registram mais homicídios em São Paulo. A partir de informações oficiais do governo estadual paulista sobre homicídios, os jornalistas identificaram qual é a hora da morte no estado – o horário e o dia da semana mais propenso para ocorrer mortes. Produziram uma bela infografia para facilitar a compreensão dos leitores.

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