No Manchester, treinadores ficam no cargo por 24 anos. No Brasil, técnicos têm de ganhar todo ano


Muricy Ramalho, cotado para ser o novo técnico da seleção brasileira, já deu entrevistas dizendo que gosta de seguir princípios como lealdade e esforço dentro do futebol. Prega o cumprimento de contratos firmados. Depois de rápida passagem como treinador do time principal do São Paulo Futebol Clube (SPFC), na década de 90, passou por diversos times até retornar ao mesmo SPFC, em janeiro de 2006. Ganhou três títulos brasileiros consecutivos mas não resistiu a uma nova desclassificação na Taça Libertadores da América – a quarta consecutiva. Em junho de 2009, três anos e meio de pois de assumir o cargo, foi demitido.

Controvérsias a parte, a relação entre Muricy Ramalho e o SPFC é uma das mais umbilicais no futebol brasileiro, devido a sintonia entre treinador e torcida. Superada, certamente, pela relação de Telê Santana com a mesma torcida e com o mesmo clube.

Telê Santana, à frente da seleção brasileira nas Copas do Mundo de 1982 e 1986, foi desclassificado nas duas vezes, e passou a ser considerado “pé frio”, um profissional sem sorte. Em outubro de 1990, assume o cargo de treinador no SPFC, do qual só saiu em em janeiro de 1996, por causa de uma isquemia cerebral. Os cinco anos e três meses à frente do time ficaram marcados na história das relações entre treinadores e torcidas de futebol.

A sintonia que existe entre os dois treinadores, o clube e a torcida são sintomáticas e exemplares, mas ainda distante do que existe no Manchester United, clube inglês.

O atual treinador do Manchester United, Sir Alex Ferguson, está no cargo desde novembro de 1986, há quase 24 anos, independentemente de conquistar os títulos mais desejados do clube em um ano ou não. Ganhou duas vezes a Liga dos Campeões da UEFA, o que corresponde à taça Libertadores na América do Sul, e um título intercontinental de clubes, o mundial extra-Fifa até 2005. Comparativamente, Telê Santana obteve desempenho melhor quando analisada tal meta: ganhar o principal título continental.

Poucos sabem, mas Fergunson não é (ainda) o mais longevo técnico do Manchester. Matt Busby comandou o time de Old Trafford entre 1945 e 1969. Ganhou cinco títulos nacionais e um continental. Se comparações numéricas forem permitidas, o escocês, em números absolutos, vence, mas o brasileiro teria mais 20 anos para tentar um título continental. Mas cá, diferente de lá, não há tanto tempo assim para os treinadores permanecerem no cargo entre um título e outro.

Vale lembrar essas histórias, principalmente em um momento em que diversos treinadores correm o risco de perderem os cargos após o retorno do Campeonato Brasileiro 2010, depois da Copa do Mundo. Ricargo Gomes, no SPFC, há um ano no cargo, terminou o Brasileirão 2009 em terceira colocação e classificou o clube para as semi-finais da Libertadores 2010. Dorival Junior, no Santos, liderou o melhor futebol no primeiro semestre no Brasil, ganhou o campeonato paulista 2010 e está na final da Copa do Brasil, que pode dar uma vaga tranquilizadora para o time na Libertadores 2011. Silas, no Grêmio, está há menos de um ano no clube e ganhou o campeonato estadual este ano.

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