Por que ‘On the Road’ pode ser um filme fantástico


O cineasta Walter Salles, que já produziu filmes como Central do Brasil, Diário de uma Motocicleta e Abril Despedaçado, entre outros, está em fase de produção de On The Road, um filme que narra a história de jovens americanos que colocaram mochila nas costas e cruzaram aquele país de costa a costa. Foi contada primeiramente em livro, nos Estados Unidos, na década de 50 (escrito em 51 e publicado em 57), por Jack Kerouac.

A obra é considerada um marco na cultura norte-americana (e até mundial, em alguns aspectos) por debater questões referentes ao sonho americano (um país de oportunidades para aqueles que são persistentes e trabalhadores) e aos comportamentos da juventude naquela época. Ao partirem país adentro, os personagens ajudam a debater com profundidade aspectos da cultura e do pensamento norte-americano. O autor cunhou a expressão beatnik, ao conseguir condensar as ansiedades de uma geração.

A história não é apenas mais uma viagem de mochileiros. Mostra o sonho presente da cabeça de nove entre cada dez pessoas, de colocar a mochila nas costas (uma espécie de metáfora para as poucas coisas que o jovem tem como patrimônio ou para um certo desapego às coisas materiais) e pegar a estrada sem rumo (que significa buscar o desconhecido ou as novidades). Debate aquela vontade persistente de querer transformar a realidade, bem como conhecer e viver o desconhecido.

Na história real, os personagens conhecem outros personagens – pessoas talvez insignificantes para o mundo, mas de grande importância na vida deles –, vivem sucessos e fracassos. Pensam em novas idéias, fortalecem convicções, descartam outras. Algo que ocorre com toda a juventude durante boa parte das experimentações que todos fazem na vida. Por isso, a história do livro é marcante.

Após ler duas reportagens, nos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, como sei de todas essas informações? Pelo capítulo de On the Road na Wikipédia, enciclopédia livre na internet. Quem apostou as fichas nas próprias reportagens errou.

On the Road OESP Por incrível que pareça, as duas reportagens, de quase meia página cada uma, não trouxeram nenhuma linha sobre a história do livro que será contada em filme, algo que é fundamental para o leitor sentir a dimensão do projeto em produção.

Em vez de contar quem são os personagens do livro, um resumo (mesmo que superficial) ha história ou a importância histórica da obra, as reportagens consomem todo o espaço reservado para elas narrando as dificuldades e impressões do cineasta, informações sobre outros autores e tentativas de filmar o mesmo roteiro.

On the Road FSP Conclusão: as duas reportagens ignoraram completamente as centenas de milhares de leitores que os dois jornais têm. As informações menos importantes (que explicam idas e vindas e a burocracia para a produção) foram privilegiadas em detrimento daquilo que é fundamental para o leitor ao ser apresentado sobre um novo livro, filme ou peça de teatro que está em produção ou em lançamento.

Esse fato é mais corriqueiro do que deveria nos cadernos de cultura e entretenimento, quando jornalistas escrevem para jornalistas ou para cineastas, editores de livros ou teatrólogos.

2 Respostas para “Por que ‘On the Road’ pode ser um filme fantástico

  1. Beziinha Ávila

    Acho muito errado a Kristen participar de um filme assim, pois já no filme crepúsculo ela representa a moçinha inocente, e neste ela vai ser a adolescente q adora ****…
    ninguem merece…..

  2. Pingback: Projeto On the Road Brasil :: Embarque conosco nessa viagem! » Blog Archive » Por que ‘On the Road’ pode ser um filme fantástico

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