Jornais precisam ousar nas estratégias para atrair leitores mais jovens


Os jornais impressos ainda buscam estratégias e formatos para atrair novos grupos de leitores, incrementando assim assinaturas, vendas avulsas e receitas. A tarefa é inglória no Brasil, país de renda média muito baixa, nível educacional ruim e de pouco hábito em leitura.

Pesquisas sobre o assunto mostram que os jornais atingem, historicamente, cerca de 30% dos adolescentes de 10 a 14 anos e aproximadamente metade dos jovens entre 15 e 24 anos. Sem desmerecer tais investigações, é difícil crer que todo esse contingente de gente mais nova está lendo jornais. Os números de assinaturas e tiragens dos diários impressos não refletem tamanha voracidade pela leitura.

Algumas experiências surgiram no Brasil para atrair para o universo de leitura de jornais impressos diários grupos inteiros até então marginalizados. O diário esportivo Lance!, surgido em 1997, representa um esforço nesse sentido, tentando transformar em leitores e clientes de mídia imprensa os vorazes debatedores de futebol.

Jornais populares das regiões metropolitanas de Belo Horizonte (Super Notícia)e Rio e Janeiro (Meia Hora) também fazem parte desse esforço, com preços módicos (entre R$ 0,25 e R$ 0,70, mais ou menos) e dirigidos para classes D e E, grupos sociais antes excluídos da leitura de jornais.

Esses jornais escolheram nichos e grupos de leitores para produzir conteúdo segmentado. Assim fica mais fácil. Já os jornais que miram o País inteiro, todas as faixas etárias e todas as classes sociais e econômicas não têm esse facilidade estratégica. Precisam encontrar um equilíbrio na linguagem e na pauta para produzir conteúdo que agrade diariamente jovens e idosos, pobres e ricos, empresários e estudantes. Meninas capa

O que ocorre hoje é que o conteúdo dos jornais é bastante desequilibrado. Pende automaticamente, como um vício, para temas políticos e econômicos, cujas fontes são majoritariamente oficiais (governos e autoridades públicas). São assuntos que não podem deixar de ser divulgados, até porque os diários cumprem uma função de registro histórico.

Há anos, as publicações criaram jornais dentro dos jornais: cadernos semanais que visam construir um relacionamento especial com grupos etários ou com gostos específicos. O único problema é que o esse leitor terá de esperar uma semana inteira para receber uma nova reportagem. Será que vale a assinatura?

Os jornais teriam, então, de fazer um amplo esforço de planejamento e pauta, de forma a criar conteúdo para tais grupos marginalizados todos os dias, seja sobe esporte, economia ou política. Porque não mostrar como crianças e jovens estão esbanjando ou economizando as mesadas? Ou como estão conseguindo gerar alguma renda própria? Esses são só exemplos – e muitas publicações já devem ter produzido matérias sobre tais assuntos sem conseguir atrair a atenção das crianças e jovens.

Meninas capa2 O problema, então, está na visibilidade que se dá ao conteúdo produzido. Se as crianças e jovens já sabem que os jornais dos pais raramente trazem algo que lhes sirva, certamente não têm o hábito de vasculhar as páginas deles para lê-los – a não ser que sejam surpreendidas.

Foi o que fez a Folha de S.Paulo. Conseguiu convencer meninas a contarem sobre a ansiedade diante da primeira menstruação, assunto que certamente interessa a um público maior do que ao das adolescentes. A iniciativa merece ser parabenizada, até porque o blog insiste que a capa dos jornais precisam começar a privilegiar outros assuntos que não sejam economia e política para tentar atrair novos públicos e elevar as vendas nas bancas. Se houve um pecado, foi não ter estampado a fotografia das garotas e o título para a matéria na parte superior da capa, no espaço dedicado à fotografia mostrando rezas e oferendas para o sucesso da seleção. Qual tema você acha que era mais importante?

2 Respostas para “Jornais precisam ousar nas estratégias para atrair leitores mais jovens

  1. Jorge / Adriana

    O problema para esse hábito é que as novas gerações possuem um perfil diferente de leitura. Eles não leem jornais impressos porque o fluxo da informação e absorção de conteúdo é passivo, ou seja, eles “aceitam” aquilo que é transmitido pelos veículos e não “retorna”, diferentemente, da Internet em que eles só leem o que lhes for de interesse e, ainda, interagem. Assim, há um fluxo da informação. Mas, acho que isso não e vantajoso porque eles ao selecionarem aquilo que for de interesse próprio, muitas vezes, acabam deixando passar despercebido conteúdo relevante e mais: em casos de trabalhos escolares, a rede atrapalha porque a prática do “copiar e colar” deixa o jovem preguiçoso. Muitas vezes, entregam os trabalhos sem ao menos ler aquilo que “pegou da Net”.

  2. Pingback: Alguns jornais conseguem fugir das regras convencionais para preencher bem as capas | Café Expresso

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