Arquivo do mês: maio 2010

Se essa idéia pegar, policiais e vendedores de bala vão disputar espaço nos faróis

Do leitor 6A idéia no leitor é inusitada, mas está bem estruturada e pensada, inclusive com requintes tecnológicos – e imagina ainda penalidades para aqueles que tentarem descumpri-la.

As blitzes contra motoristas embriagados aumentam os congestionamentos e causam desconforto para todos. A opinião dele foi publicada pelo jornal O Globo, no dia 29 de maio.

O leitor não questiona a Lei Seca – apenas sugere uma medida para amenizar os efeitos colaterais no trânsito.

Se essa idéia pegar, os policiais terão de dividir espaço nos faróis com aqueles vendedores ambulantes que colocam saquinhos de bala ou chicletes nos retrovisores dos carros ou tentam faturar alguns trocados com o comércio de todo tipo de produto. Como diz o ditado, opinião a gente respeita.

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Por que ‘On the Road’ pode ser um filme fantástico

O cineasta Walter Salles, que já produziu filmes como Central do Brasil, Diário de uma Motocicleta e Abril Despedaçado, entre outros, está em fase de produção de On The Road, um filme que narra a história de jovens americanos que colocaram mochila nas costas e cruzaram aquele país de costa a costa. Foi contada primeiramente em livro, nos Estados Unidos, na década de 50 (escrito em 51 e publicado em 57), por Jack Kerouac.

A obra é considerada um marco na cultura norte-americana (e até mundial, em alguns aspectos) por debater questões referentes ao sonho americano (um país de oportunidades para aqueles que são persistentes e trabalhadores) e aos comportamentos da juventude naquela época. Ao partirem país adentro, os personagens ajudam a debater com profundidade aspectos da cultura e do pensamento norte-americano. O autor cunhou a expressão beatnik, ao conseguir condensar as ansiedades de uma geração.

A história não é apenas mais uma viagem de mochileiros. Mostra o sonho presente da cabeça de nove entre cada dez pessoas, de colocar a mochila nas costas (uma espécie de metáfora para as poucas coisas que o jovem tem como patrimônio ou para um certo desapego às coisas materiais) e pegar a estrada sem rumo (que significa buscar o desconhecido ou as novidades). Debate aquela vontade persistente de querer transformar a realidade, bem como conhecer e viver o desconhecido.

Na história real, os personagens conhecem outros personagens – pessoas talvez insignificantes para o mundo, mas de grande importância na vida deles –, vivem sucessos e fracassos. Pensam em novas idéias, fortalecem convicções, descartam outras. Algo que ocorre com toda a juventude durante boa parte das experimentações que todos fazem na vida. Por isso, a história do livro é marcante.

Após ler duas reportagens, nos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, como sei de todas essas informações? Pelo capítulo de On the Road na Wikipédia, enciclopédia livre na internet. Quem apostou as fichas nas próprias reportagens errou.

On the Road OESP Por incrível que pareça, as duas reportagens, de quase meia página cada uma, não trouxeram nenhuma linha sobre a história do livro que será contada em filme, algo que é fundamental para o leitor sentir a dimensão do projeto em produção.

Em vez de contar quem são os personagens do livro, um resumo (mesmo que superficial) ha história ou a importância histórica da obra, as reportagens consomem todo o espaço reservado para elas narrando as dificuldades e impressões do cineasta, informações sobre outros autores e tentativas de filmar o mesmo roteiro.

On the Road FSP Conclusão: as duas reportagens ignoraram completamente as centenas de milhares de leitores que os dois jornais têm. As informações menos importantes (que explicam idas e vindas e a burocracia para a produção) foram privilegiadas em detrimento daquilo que é fundamental para o leitor ao ser apresentado sobre um novo livro, filme ou peça de teatro que está em produção ou em lançamento.

Esse fato é mais corriqueiro do que deveria nos cadernos de cultura e entretenimento, quando jornalistas escrevem para jornalistas ou para cineastas, editores de livros ou teatrólogos.

Jornais precisam ousar nas estratégias para atrair leitores mais jovens

Os jornais impressos ainda buscam estratégias e formatos para atrair novos grupos de leitores, incrementando assim assinaturas, vendas avulsas e receitas. A tarefa é inglória no Brasil, país de renda média muito baixa, nível educacional ruim e de pouco hábito em leitura.

Pesquisas sobre o assunto mostram que os jornais atingem, historicamente, cerca de 30% dos adolescentes de 10 a 14 anos e aproximadamente metade dos jovens entre 15 e 24 anos. Sem desmerecer tais investigações, é difícil crer que todo esse contingente de gente mais nova está lendo jornais. Os números de assinaturas e tiragens dos diários impressos não refletem tamanha voracidade pela leitura.

Algumas experiências surgiram no Brasil para atrair para o universo de leitura de jornais impressos diários grupos inteiros até então marginalizados. O diário esportivo Lance!, surgido em 1997, representa um esforço nesse sentido, tentando transformar em leitores e clientes de mídia imprensa os vorazes debatedores de futebol.

Jornais populares das regiões metropolitanas de Belo Horizonte (Super Notícia)e Rio e Janeiro (Meia Hora) também fazem parte desse esforço, com preços módicos (entre R$ 0,25 e R$ 0,70, mais ou menos) e dirigidos para classes D e E, grupos sociais antes excluídos da leitura de jornais.

Esses jornais escolheram nichos e grupos de leitores para produzir conteúdo segmentado. Assim fica mais fácil. Já os jornais que miram o País inteiro, todas as faixas etárias e todas as classes sociais e econômicas não têm esse facilidade estratégica. Precisam encontrar um equilíbrio na linguagem e na pauta para produzir conteúdo que agrade diariamente jovens e idosos, pobres e ricos, empresários e estudantes. Meninas capa

O que ocorre hoje é que o conteúdo dos jornais é bastante desequilibrado. Pende automaticamente, como um vício, para temas políticos e econômicos, cujas fontes são majoritariamente oficiais (governos e autoridades públicas). São assuntos que não podem deixar de ser divulgados, até porque os diários cumprem uma função de registro histórico.

Há anos, as publicações criaram jornais dentro dos jornais: cadernos semanais que visam construir um relacionamento especial com grupos etários ou com gostos específicos. O único problema é que o esse leitor terá de esperar uma semana inteira para receber uma nova reportagem. Será que vale a assinatura?

Os jornais teriam, então, de fazer um amplo esforço de planejamento e pauta, de forma a criar conteúdo para tais grupos marginalizados todos os dias, seja sobe esporte, economia ou política. Porque não mostrar como crianças e jovens estão esbanjando ou economizando as mesadas? Ou como estão conseguindo gerar alguma renda própria? Esses são só exemplos – e muitas publicações já devem ter produzido matérias sobre tais assuntos sem conseguir atrair a atenção das crianças e jovens.

Meninas capa2 O problema, então, está na visibilidade que se dá ao conteúdo produzido. Se as crianças e jovens já sabem que os jornais dos pais raramente trazem algo que lhes sirva, certamente não têm o hábito de vasculhar as páginas deles para lê-los – a não ser que sejam surpreendidas.

Foi o que fez a Folha de S.Paulo. Conseguiu convencer meninas a contarem sobre a ansiedade diante da primeira menstruação, assunto que certamente interessa a um público maior do que ao das adolescentes. A iniciativa merece ser parabenizada, até porque o blog insiste que a capa dos jornais precisam começar a privilegiar outros assuntos que não sejam economia e política para tentar atrair novos públicos e elevar as vendas nas bancas. Se houve um pecado, foi não ter estampado a fotografia das garotas e o título para a matéria na parte superior da capa, no espaço dedicado à fotografia mostrando rezas e oferendas para o sucesso da seleção. Qual tema você acha que era mais importante?

Reportagens sérias sobre África merecem um “Pulitzer”

No Brasil, o Prêmio Esso de Jornalismo vem, há 55 anos, indicando quais são os melhores trabalhos da imprensa brasileira – uma espécie de Pulitzer do jornalismo brasileiro. Na edição de 2010, reportagens podem ser inscritas até 16 de agosto.

Não gosto muito das categorias do prêmio, pois acredito que não representam todos os setores da cadeia produtiva da notícia. Ressalva para a premiação “Melhor Contribuição à Imprensa”, que busca, em boa parte das vezes, quando não foge do foco, escolher alguma instituição ou projeto que ajuda a criar informação valiosa para o trabalho dos jornalistas. Já foram vencedoras dessa categoria organizações como Transparência Brasil, Contas Abertas e Congresso em Foco, entre outras.

FSP Suazilândia Tudo isso é apenas informação de almanaque. Minha intenção é apenas sugerir que as boas reportagens de autoria de Fábio Zanini vindas da África concorram para a categoria principal da edição deste ano.

Duas matérias de Fábio Zanini recentemente publicadas na Folha de S.Paulo (para assinantes) mostram dramas diferentes na África. A primeira registra a disseminação da Aids em Suazilândia, país no qual 26% da população está infectada. A segunda aponta o retorno dos massacres de civis na região de Darfur, no Sudão, que já contabiliza 300.000 mortos em uma fase de recrudescimento dos conflitos internos.

O mérito dessas reportagens – e de todo o trabalho do jornalista nos últimos tempos – é mostrar para o brasileiro algo que a imprensa brasileira quase nunca deu atenção: os verdadeiros dramas na África, que não podem nem de perto serem confundidos com os problemas da África do Sul, sede da Copa do Mundo de 2010.

Para saber mais:

1) Da África, blog do Fábio Zanini mostra uma realidade que nenhuma Copa do Mundo conseguirá esconder nunca.

Opinião a gente respeita: se tem problemas com a Justiça, não pode nem ser votado nem votar

Na página dedicada à opinião dos leitores, o jornal O Globo publica, no dia 13 de maio, uma carta interessante sobre o projeto de lei apelidado de Ficha Limpa, em tramitação do Congresso Nacional, com o objetivo de impedir que pessoas que respondam por denúncias ou qualquer processo na Justiça possam se candidatar a qualquer cargo eletivo.Opinião leitor

A lógica do leitor é a seguinte: quem volta pode ser votado. Então, ele vê paradoxo na iniciativa de criar condições para que as pessoas encarceradas, condenadas por quaiquer crimes, possam usufruir do direito de voto. Opinião a gente respeita, como diz o ditado. Interpretando o que foi sugerido, quem está com problemas com a Justiça não pode nem votar nem ser votado.

Citação de brasileiros ainda é a mais popular no Twitter mundial quase 24 depois

Segundo estudo publico pelo Blog do Twitter, são produzidas cerca de 50 milhões de tweets por dia – mensagens da rede social Twitter com até 140 caracteres – entre as pessoas cadastradas.

Este dado é importante para medir o quanto o Twitter já faz parte do cotidiano do brasileiro, que utiliza da rede social para conversar com o mundo.

Depois da partida entre Cruzeiro e São Paulo pelas quartas de final da Copa Santander Libertadores 2010, a citação #Mineiraocalou passou a figurar no topo da lista dos “trending topics” no Brasil e, depois, no mundo todo. A lista mostra os dez assuntos mais comentados na rede social.

A citação faz parte da música provocativa cantada pela torcida são-paulina já próximo do fim do jogo, uma alusão ao silêncio dos mais de 48 mil torcedores cruzeirenses, que acompanhavam o time mineiro, franco favorito, perder por dois gols a zero da equipe paulista em pleno estádio Mineirão, em Belo  Horizonte.

O blog Meio de Campo do portal Globo.com calculou a audiência da citação e chegou à conclusão de que #Mineiraocalou representou 0,03% das mensagens publicadas por internautas do mundo todo no Twitter. Muitos estrangeiros perguntavam pelo Twitter o que significava a expressão, ajudando a turbinar a #Mineirãocalou Worldwideaudiência.

Basta fazer a conta: 0,03% de 50 milhões de mensagens diárias é igual a 15.000 tweets naquelas horas após o jogo. E horas depois, já na manhã brasileira, a citação permanecia no topo da lista mundial de “trending topics”.

E ainda permanece. O jogo no estádio Mineirão acabou por volta de meia-noite da quarta-feira, dia 12 de maio. Mas, às 22h do dia 13, quase 24 horas depois, as listas de “trending topics” do Brasil e do mundo ainda tinham, no topo, a expressão #Mineiraocalou.

Saiba mais: se quiser ficar atualizado sobre recursos do Twitter, redes sociais e internet, acompanhe o blog Vida em Rede, de Rafael Sbarai, publicado no portal Veja.com.

Veja onde e como estão os 23 atletas (e outros mais) convocados por Dunga

Se você quiser saber onde estão – e como estão – os atletas brasileiros no mapa mundi do esporte, a reportagem multimídia preparada pelo UOL Esportes dá a informação de forma extremamente interessante e fácil.

UOL esporte1 A reportagem buscou informações a respeito de brasileiros competindo em quatro modalidades esportivas: futebol, vôlei, basquete e automobilismo. O internauta fazer as buscas que quiser por algumas formas: pelo nome do atleta, pela modalidade que pratica e pelo país onde compete.

Nas fichas, o UOL Esportes narra os últimos feitos de cada atleta nas ligas nas quais eles competem, se fizeram gols ou se saíram vitoriosos, se sofreram contusões ou se os carros se classificaram bem.

Por exemplo: o lateral Michel Bastos, atleta do Lyon (França), convocado para a seleção brasileira que disputará a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul entre os 23 jogadores, entrou somente nos minutos finais no empate da equipe dele contra o modelo Valenciennes, partida realizada antes da convocação.

UOL esporte3 Outro exemplo: o volante Josué, do Wolfsburg (Alemanha), convocado para a seleção brasileira pelo poder de marcação, acertou 51 dos 55 passes que deu na última partida que realizou, contra o Frankfurt, válida pelo campeonato alemão.

Só verificando e interagindo para perceber como essa reportagem multimídia é interessante – como outras já feitas pelo UOL Esportes. Boa diversão.