Quatro paradoxos brasileiros para questionar os brasilianistas


Segundo informação antecipada pelo jornalista Lauro Jardim, diversos brasilianistas virão ao Brasil para debater com acadêmicos brasileiros os encontros e desencontros e as idas e vindas da sociedade e da economia brasileiras, entre outros temas. Será um simpósio com quase mil debatedores durante três dias, em julho, em Brasília.

A iniciativa é extremamente interessante e tanto a imprensa quanto especialistas de tudo quanto é área do conhecimento não podem perder a oportunidade para tentar enxergas as mazelas e sucessos do Brasil por outros pontos de vista – o do estrangeiro.

Faz parte da história de qualquer país prestar atenção naquilo que dizem viajantes estrangeiros a respeito dos aspectos e comportamentos locais. Há diversos diários de bordo de viajantes que ajudam até hoje a explicar aspectos da vida cotidiana e privada no brasil e 1500 a 1800. O olhar de quem está de fora, muitas vezes, capta a essência de conformidades e distorções difíceis de serem percebidas por quem as vive e pratica, consciente ou inconscientemente.

Como naqueles séculos, o Brasil ainda é um país de muitas lacunas, perguntas sem respostas, contradições e paradoxos. Exemplos não faltam – e servem como sugestões de pauta para a imprensas.

1) Economia. Enquanto os países mais desenvolvidos buscam maneiras de estabilizar a economia e retomar o crescimento, o Brasil, sem desequilíbrios estruturais e com perspectiva de elevar o PIB em aproximadamente 6% em 2010, aumenta os juros com o intuito de fazer arrefecer esse crescimento econômico tão desejado pelo mundo desenvolvido.

2) Esportes. O Brasil, conhecido internacionalmente como o país do futebol, tem uma população de mais de 190 milhões de pessoas que são potencialmente 190 milhões de torcedores, tamanha é a paixão pela modalidade. isso pode ser facilmente ser traduzido em 190 milhões de potenciais consumidores de produtos e serviços relacionados ao futebol. No entanto, não há estádios confortáveis, não há medidas simples já adotadas por outros países na prevenção da violência, não há clubes fortes. A economia do futebol, que movimenta centenas de bilhões em países europeus, em solo brasileiro patina. As partidas são realizadas em horários esdrúxulos, com médias de público irrisórias, com banheiros fétidos, com torcidas organizadas ameaçadoras. Nem precisa lembrar que que os craques brasileiros estão todos disputando os campeonatos europeus, ajudando os clubes de lá a lotarem estádios.

3) Cidades. Na área prisional, a população carcerária dobrou nos últimos nove anos. Do total de 473 mil detentos, 44% são presos provisórios, que aguardam julgamento. Até dezembro de 2009, havia três vezes mais presos do que vagas em presídios. Construir e operar um presídio não é uma das tarefas mais complexas tanto da engenharia como da administração de empresas. Financeiramente, não é um dos investimentos mais caros, tanto da construção quanto na operação. No entanto, não há solução nem pressão da sociedade nem perspectiva de melhoria. É algo da cultura do brasileiro, que enxerga nelas uma espécie de depósito para pessoas indesejáveis. Mas esse fracasso invariavelmente se volta contra a própria sociedade.

População carcerária

4) Meio ambiente. Um último exemplo está no lixo produzido pelas cidades. Na Europa, lixo jogado em qualquer canto é algo inconcebível. Por aqui, é regra. , quase 400 usinas já operam, inclusive enclaves nos quais residem famílias ricas, com tecnologia que nada lembra as chaminés do século 18. Pesquisadores já mensuraram e publicaram os ganhos.

No Brasil, são geradas, diariamente, cerca de 170.000 toneladas de resíduos sólidos urbanos. Isso mesmo, 170.000 toneladas de lixo por dia, dos quais somente 25% seguem para locais considerados adequados do ponto de vista ambiental, os aterros sanitários. O restante é disposto em lixões ou aterros precários, que despejam gás metano na atmosfera e chorume nos lençóis freáticos. Além dos aterros sanitários, o Brasil inicia tardiamente uma discussão para construir e operar plantas industriais que produzem energia elétrica a partir da incineração dos resíduos ou da combustão do gás metano, processos estes precedidos por outros, como triagem, compostagem e reciclagem.

Reciclagem Europa No Estado de São Paulo, estuda-se três desses projetos. Mas nem tudo é simples. As diretrizes e regras – a política nacional de resíduos sólidos – está ainda em tramitação do Congresso Nacional, desde 1991. A última versão prevê prioridade para reciclagem por meio de catadores, uma espécie de política social para uma parcela do Brasil miserável que consegue, nos resíduos da população, uma forma de sustento. Se seguir nessa toada, o País precisará manter uma tragédia ambiental para minimizar o sofrimento de uma fatia da sociedade que orbita a linha de pobreza.

Será que os brasilianistas ajudam a resolver esses paradoxos brasileiros? Você consegue apontar outros?

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