Quando uma boa reportagem causa um efeito-manada na imprensa


Reportagem boa pode conter muitos ingredientes. O furo jornalístico, quando um fato de gigantesco interesse social é mostrado pela primeira vez sem que a sociedade esteja esperando por ele, é de longe o principal. Mais do que o impacto inicial que a novidade gera na classe política, no meio empresarial ou na própria sociedade, furos jornalísticos costumam causar um “efeito-manada”: Universidades todos os outros jornalistas e empresas do ramo são forçados a inserir o tema como assunto prioritário na pauta de cobertura do dia. Quando uma notícia pauta a imprensa, ela automaticamente ganha um carimbo de boa notícia.

Este blog insiste na importância que o jornalismo tem para acompanhar o resultado das políticas públicas e apresentar às pessoas as boas e as más práticas, os bons e os maus resultados. Mesmo que, por um pouco de vício, a imprensa privilegie notícias que denotem falhas, omissões ou falcatruas, em detrimento de gestores públicos que consigam atingir bons resultados e entregar bons serviços para a sociedade. Mas isso é outro assunto.

Uma pauta do jornalista Paulo Mazzitelli, do Jornal da Tarde, publicada dia 21 de fevereiro, não foi um furo jornalístico, como foi a reportagem publicada no dia 23 de fevereiro pela Folha de S.Paulo sobre interesses difusos na recriação da estatal Telebrás. No entanto, revelou falhas graves na implantação de uma política pública de grande impacto social.  Universidades4

A matéria do Jornal da Tarde, cuja circulação é forte na capital paulista e algumas cidades mais próximas, detectou que a Universidade Federal do ABC, uma espécie de carro-chefe da política federal de expandir a quantidade de vagas e de câmpus universitários federais por todas as regiões do Brasil, estava operando pela metade depois de vários anos da inauguração. Prédios inacabados, evasão estudantil elevada, alunos frustrados. Dinheiro empregado sem eficácia, o que não quer dizer que há malversação.

Universidades1 Nem sempre uma boa reportagem cria um efeito-manada. Desta vez, criou. A matéria, publicada também em O Estado de S. Paulo, do mesmo grupo jornalístico, ganhou repercussão do Diário do Grande ABC. Não consegui avaliar a repercussão nas emissoras de rádio e TV, mas, na semana seguinte, o próprio Estadão e o Valor Econômico coincidentemente dedicaram esforços para, a partir do exemplo revelado uma semana antes, publicar matérias com o objetivo de avaliar os resultados de toda a política pública federal para a expansão do ensino superior.

Dessa forma, a sociedade pôde conhecer que foram criadas 15 instituições de ensino superior federal no Brasil nos últimos cinco anos, mas os prédios e a Universidades2JPG infraestrutura necessária estão pela metade, milhares de professores ainda não foram contratados e a evasão atingiu índices alarmantes nos cursos inaugurados. De outro lado, as reportagens mostram que as vagas cresceram muito, também. A gestora pública responsável pela área foi obrigada a explicar a situação – e prometer soluções. No caso da universidade do ABC, foram publicadas cartas, de um ex-reitor e do atual, tentando justificar o atraso nas obras. Na opinião no blog, ingredientes não faltaram para a reportagem do Jornal da Tarde ser a melhor daquela semana, mesmo com o furo jornalístico sobre o caso Telebrás.

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