Veja SP: melhor do que o blog sugeriu


Semanas atrás, o Por Dentro da Notícias sugeriu à mídia realizar uma matéria sobre a tecnologia por trás do controle e operação do trânsito nas grandes capitais. A idéia era revelar táticas instrumentos, métodos e todos os números que demonstrassem o gigantismo de controlar o congestionamento em cidades como São Paulo, onde é comum os congestionamentos somarem 200 quilômetros.

A Veja São Paulo que circula neste fim de semana fez muito melhor. Mais do que produzir uma reportagem interessante, como era a sugestão, o jornalista Henrique Skujis entregou uma matéria exclusiva. Entre informações importantes, interessantes e essenciais, destaco:vejasp-2402-capa-1

– Até o fim de 2008, todo dinheiro arrecadado com as multas de trânsito na cidade (de São Paulo) caía no caixa único da prefeitura e era aplicado nas mais diversas secretarias municipais. A mudança — agora o valor arrecadado vai para o Fundo Municipal de Desenvolvimento de Trânsito (FMDT) — trouxe mais dinheiro para os cofres da CET.

– A arrecadação em 2009 foi recorde, e o orçamento aprovado para 2010 supera R$ 600 milhões – quase 60% a mais que há cinco anos.

– Aproximadamente 87% do orçamento da CET (R$ 524 milhões) vem de multas. É comum os motoristas reclamarem que os agentes de trânsito dão mais atenção às infrações que ao controle do tráfego. Não é verdade. “Não se multa o suficiente por aqui”, diz Luiz Célio Bottura, consultor em engenharia urbana. “Ao contrário, o que se vê é uma crescente impunidade. Para cada multa, milhares deixam de ser aplicadas.”

– Os marronzinhos são cada vez menos responsáveis pelos flagrantes. No primeiro semestre de 2009, 36% das infrações foram anotadas por eles. Os policiais militares responderam por 11% e os radares por 53%.

– De 2006 para 2009, a velocidade média dos veículos nas ruas da capital caiu de 29 para 15 quilômetros por hora no pico da tarde (entre 17 e 19 horas).

– Das 302 câmeras de monitoramento, 137 estão quebradas. O problema retarda a localização de acidentes e de carros quebrados. Os agentes, que só recentemente voltaram a usar rádios de comunicação no lugar dos ineficientes palmtops, demoram a chegar e o congestionamento ganha corpo de um minuto para o outro.

– Carência semelhante à das câmeras assola os semáforos inteligentes, que, sem manutenção, emburreceram. Dos 1 457 cruzamentos com a tecnologia, somente 225 (15%) estão em ordem, ou seja, trabalham conforme o tráfego de veículos nos arredores.

 OESP CET – Uma falha de quinze minutos no cruzamento entre duas avenidas movimentadas no horário de pico é capaz de provocar uma fila de até 1 quilômetro.

O jornal O Estado de S.Paulo, em feliz coincidência, trouxe também uma reportagem sobre a gestão do trânsito na capital paulista. Mostrou que, em 2009, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de SP realizou 225.324 remoções de veículos quebrados ou sem combustível nas ruas, quantia 20%
superior à registrada em 2008. A matéria de Renato Machado mostrou que na Marginal do rio Tietê, por exemplo, “a interrupção por 15 minutos de uma faixa provoca 3 quilômetros de lentidão”.

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