Zilda Arns: resta fazer uma matéria ainda


Zilda O Globo 1 A imprensa cobriu a morte de Zilda Arns, médica pediatra e sanitarista que se transformou em uma das mais principais personalidades brasileiras ao liderar com êxito as iniciativas da Pastoral da Criança, com relativo equilíbrio e eficiência, principalmente se for considerado que ela faleceu ainda no dia 12, mas a notícia começou a circular pela internet somente dia 13 – e os jornais impressos só tinham como noticiar no dia seguinte.

Houve pouco tempo para levantar informações relevantes. Mas, mesmo assim, os principais jornais brasileiros deram conta do recado, seja no dia imediatamente seguinte ou depois. Destaque para O Globo e O Estado de S. Paulo, neste último Zilda O Globo 2 caso, com um belo artigo de José de Souza Martins, professor emérito da USP na área de filosofia, que trouxe números a respeito do desempenho da Pastoral e Zilda.

A TV Cultura, de São Paulo, foi muito feliz em reprisar uma entrevista concedida por Zilda Arns em 2001 para o programa Roda Viva. Lá, ela detalhou, com didatismo e clareza, os princípios e os procedimentos que fizeram da Pastoral da Criança um sucesso internacional, com bases de operação em países pobres da Ásia, África e América.

Mesmo com o bom trabalho da imprensa, acredito que há espaço para mais uma reportagem, principalmente por revistas de economia e negócios como Exame e Época Negócios, que focam muito em gestão, mas também para Carta Capital e Isto É Dinheiro. Sugiro um roteiro simples:

1) Quais os números que demonstram o sucesso da atuação da Pastoral da Criança, preferencialmente divididos por regiões, como mostrou José de Souza Martins? É possível produzir boas infografias com esses dados? Há localidades ou comunidades que podem servir como ‘personagens principais’ para demonstrar o desempenho desse programa coordenado por Zilda Arns?

2) Quais são os princípios e métodos gerenciais que podem ser transpostos para outros desafios que o Brasil tem? Nas reportagens, a imprensa traz algumas pistas: simplicidade, comprometimento das pessoas (que são voluntárias), capilaridade (atendimento em mais de 4.000 cidades), fé na causa, aproveitamento dos saberes locais (como demonstra os ingredientes regionais da  multimistura).

3) Há empresas que se servem dos mesmos princípios e métodos? Quais os resultados? Em quais mercados ou companhias tais métodos poderiam ser aproveitados? Empresas como Natura, Nextel, Avon e muitas outras se servem de uma rede de vendedores que trazem os princípios praticados por Zilda Arns.

4) É possível comparar o custo de atendimento e o resultado alcançado pela Pastoral da Criança com outras políticas públicas dos governos federal ou estaduais?

5) Zilda coordenava também uma iniciativa relativamente recente: a Pastoral da Pessoa Idosa. Há resultados, desafios, metas e métodos para serem mostrados?

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