As cidades estão esburacadas, os cidadãos reclamam e a imprensa pode ajudar


O internauta Ricardo Vendramini, ao ler a sugestão de pauta anterior, sobre a idéia da Prefeitura de São Paulo de criar uma nova faixa exclusiva para motos em um dos mais importantes corredores da capital, mesmo sem ter conseguido alcançar os resultados esperados numa ação similar em outra avenida, sugeriu, de pronto, uma medida alternativa para garantir mais segurança aos motociclistas: eliminar os buracos das ruas.

O internauta está certo e a sugestão dele serve não somente para a prefeitura (de todas as grandes cidades, com trânsito intenso) como também para a imprensa. Por causa das chuvas intensas, que tem causado quantidade recorde de alagamentos, as ruas estão repletas de buracos. A sensação que fica para o cidadão é que alguma coisa está errada, já que consertá-los não exige muita tecnologia nem muito dinheiro.

Cratera FSP 1 Em um primeiro exercício, pesquisei rapidamente a cobertura de 1 de dezembro até hoje, 12 de janeiro, no arquivo de dois dos maiores jornais brasileiros – Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Encontrei apenas uma boa matéria, sobre um buraco específico que surge há 30 anos numa das mais importantes avenidas da capital paulistana, na qual a Folha analisou e Cratera FSP 2apresentou muito bem a história aos leitores. No total, encontrei 11 casos, relatando pequenos casos isolados de buracos na cidade, com nenhum ou pouco destaque – e cinco delas estavam em espaços destinados a reclamações dos leitores. Falta certamente uma cobertura mais contextualizada e abrangente, planejada e persistente, por parte da mídia.

Sem presunção, segue, como sugestão, um roteiro rápido de cobertura sobre o  assunto, com foco na prestação de serviços aos leitores e cidadãos:

1) A primeira questão que a imprensa poderia investigar, na câmaras de vereadores e nas próprias prefeituras, em qualquer cidade de porte médio ou grande, é a execução orçamentária para essa finalidade. Em São Paulo, por exemplo, o portal do governo municipal disponibiliza um amplo leque de informações, como orçamento e execução orçamentária atualizada até novembro.

2) Encontrar e analisar dados específicos sobre cada programa não é uma tarefa fácil, mas deve ser mais simples para os vereadores, cujas equipes têm conhecimento sobre o assunto e acesso irrestrito ao banco de dados de execução orçamentária. Vale uma consulta sobre o ritmo e a eficiência do gasto em rubricas como segurança no trânsito, recapeamento e operações tapa-buracos.

3) Depois, equipes de jornalistas podem se dividir e cruzar as principais avenidas e corredores da cidade para mapear buracos que têm potencial para causar acidentes e estão sem as faixas brancas e amarelas da sinalização horizontal em condições adequadas. Como lembrou o internauta, uma moto ou um carro, ao tentar repentinamente desviar de um buraco, pode causar um acidente até fatal.

4) Se não houver tempo e dinheiro para uma apuração como essa (pois nem todas as mídias têm recursos para isso), o chefe de reportagem pode combinar com os profissionais da redação para, ao longo de três dias, mapearem os buracos ao longo do trajeto casa-trabalho. Ao término do prazo, certamente haverá um conjunto interessante de informações para serem mostradas aos ouvintes, leitores, internatuas ou telespectadores e, inclusive, usar tais dados para pressionar uma autoridade pública a dar entrevistas e explicar porque a situação está como está.

Fiz outro exercício: em um trajeto de 15 quilômetros entre minha casa e meu trabalho, contei 16 buracos, muitos em ruas dentro dos bairros, mas outros tantos em vias importantes, de grande tráfego de motos e carros. Imagine o potencial de dados que uma equipe inteira pode produzir ao longo de uma semana fazendo o mesmo exercício.

Todos esses argumentos reforçam a pertinência de uma reportagem que analise a condução dos programas de recapeamento e tapa-buracos, aliada ou não a uma cobertura sobre gastos em sinalização horizontal. É preciso, acima de tudo, tirar uma fotografia das condições atuais nessas duas áreas e apresentá-la de forma contextualizada ao cidadão, de preferência com um histórico de gastos e intervenções do poder público para melhorar a vida do contribuinte. A reportagem da Folha de S. Paulo que ilustra essa mensagem serve como bom exemplo.

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