Brasil busca esperteza para crescer, diz Giannetti


Eduardo Giannetti é um economista que aborda a economia de uma forma diferente, principalmente porque analisa a psicologia dos agentes econômicos – empresas e pessoas – na tomada de decisões. No nosso caso, sempre analisa a forma de ser do brasileiro, o que inclui pensar da cultura, na tradição, na origem e no sentido da formação econômica do Brasil – para abordar as causas e conseqüências. Afinal, economia não é uma ciência exata.

É um dos mais ouvidos economistas brasileiros nos últimos anos. Separei alguns trechos de uma entrevista de página inteira que Giannetti concedeu para o jornalista Sergio Lamucci, do Valor Econômico, no dia 18 de novembro. Vale ler a matéria inteira, acessível por clipping no portal do Ministério da Fazenda.

Em setembro de 2004 e novamente em 2006, repórter e economista já haviam se encontrado para entrevistas. São momentos distintos da economia e as respostas mostram os desafios postos em cada um. Apenas uma coincidência consta nas três: a incapacidade brasileira de melhorar a educação e a formação do capital humano.

“Boa parte da nossa história econômica (…) se resume na tentativa de encontrar maneiras de contornar a restrição imposta pelo nosso baixo nível de poupança e encontrar o crescimento sustentado. Nós tivemos dois episódios emblemáticos na busca desse atalho do crescimento sem dor.”

“Juscelino contaminou a imaginação brasileira com a aspiração de desenvolvimento acelerado, mas não quis apresentar a conta, e encontrou a inflação como um meio de viabilizar um forte adicional ao processo de formação de capital. Como a conta só apareceu depois do seu mandato, ele ficou com essa pecha de grande presidente.”

“Geisel imaginou que o Brasil era uma ilha de prosperidade num mar turbulento. Enquanto o mundo inteiro se ajustava, amargando uma recessão diante da nova realidade do choque do petróleo, Geisel aproveitou a abundância de capital externo (…) para alavancar a formação de capital aqui. Fez o II PND e transformou o Brasil numa ilha de turbulência num mar de prosperidade.”

“Acho que está se criando uma situação parecida com a do Juscelino e a do Geisel.”

“A história econômica do Brasil nos últimos 50 anos é a história de um país com a vocação do crescimento, mas sem a vocação da poupança, que tenta desesperadamente contornar essa restrição por meio de algum tipo de esperteza, que logo se mostra limitada.”

“A nossa formação cultural e as nossas raízes históricas são muito desfavoráveis a essa visão de longo prazo, a essa capacidade de agir no presente tendo em vista o futuro. Isso aparece na previdência, no meio ambiente, na educação, na infraestrutura urbana.”

“No momento, o Brasil quer aumentar o gasto público, o consumo e o investimento, e não quer saber de poupar. Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo.”

“Por mais que eu me esforce, eu não vejo (melhorias na educação nos últimos anos). Outro viés da imaginação brasileira é confundir desenvolvimento com formação de capital físico, com industrialização e urbanização. Eu nunca vi aparecer no Brasil um Juscelino do capital humano, alguém que incendiasse a imaginação do país em torno de um projeto de levar a sério a capacitação da população.”

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