Jornais acertam em ouvir a sociedade civil ‘desorganizada’


Estadão

Reportagem do Estadão trouxe cidadãos comuns como especialistas

Costumo insistir que o jornalismo em geral escuta sempre fontes da chamada sociedade civil organizada – quaisquer pessoas que representem instituições sindicais, políticas, empresariais e sociais. Faz parte, pois há maior chance dessas fontes serem especialistas em algum assunto. O problema é que essas fontes usualmente têm um discurso pronto que muitas vezes está dissociado do que realmente pensa seus representados. Esses discursos são geralmente bem construídos, bem pensados, bem formulados, imaginados para atingir um determinado objetivo. São peças importantes da estratégia de comunicação dos entrevistados com os grupos que representam e com os públicos como governos, partidos políticos ou setores empresariais. Faz parte e é assim que o jogo é jogado.

A imprensa, enquanto elaborando as reportagens, não deve evitar essas fontes ‘organizadas’, sob o risco de divulgar opiniões e análises de especialistas e fontes sem representatividade. No entanto, precisa abrir mais espaço para as fontes da ‘sociedade civil desorganizada’ – as pessoas comuns. Esse caminho depende de um bom planejamento já na pauta.

Recentemente, o jornal O Estado de S.Paulo deu um bom exemplo de como esse tipo de jornalismo pode ser feito. No dia 30 de outubro de 2009, para analisar a revisão de metas administrativas da Prefeitura do Município de São Paulo, o jornalista Vitor Hugo Brandalise decidiu ouvir cidadãos comuns, que foram convidados com antecedência a analisar e opinar sobre o assunto. A diagramação ajudou a produzir uma bela reportagem – e um belo exemplo de jornalismo.

Justiça seja feita: O Globo, do Rio de Janeiro, vem há um bom tempo trazendo a opinião do cidadão comum para dentro das reportagens, com diagramação diferenciada para dar visibilidade a ela. O leitor é estimulado a opinar sobre assuntos do dia-a-dia no portal do jornal. Depois, algumas dessas mensagens são escolhidas para a versão impressa. Outro bom exemplo de como o jornal pode se reinventar.

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