O poder das decisões dos indivíduos no crescimento da economia


Entre março e outubro de 2008, decidi estudar em um curso preparatório cujo objetivo é deixar os estudantes de economia e áreas afins em “ponta de bala” para disputar uma vaga de mestrado acadêmico em Economia. Como tenho aprendido conceitos econômicos na prática, fiz o cursinho para tentar aprender um pouco mais, já que estava fora de cogitação cursar uma nova graduação além das de Jornalismo e História que já tenho. Foram mais de 300 horas de carga horária nas quais os professores pisaram no acelerador para ensinar assuntos e conceitos estudados em cinco anos de graduação. Uma loucura. Lembro que em muitas aulas de matemática, os professores enchiam lousas e lousas de fórmulas sem escrever um único número!

Nas diversas vezes que o coordenador foi à sala de aula para conversar e orientar a turma, em uma das ocasiões ele relatou uma informação, fruto da experiência dele de anos e anos organizando cursos preparatórios para as provas de mestrado. Foi mais ou menos assim: “Toda vez que a economia está em crescimento, a procura pela prova de mestrado – e, conseqüentemente, pelo curso preparatório – diminui. E vice-versa. As explicações não são muito claras.”

Naquela ocasião, me lembro que pensei: as conclusões são claríssimas. Se a economia cresce ou está em fase de crescimento, há mais vagas de trabalho disponíveis e há espaço para todos – mais bem qualificados e não tão bem qualificados. As empresas funcionam em ritmo mais acelerado e exigem um ritmo mais frenético de empregados. Assim, há mais tempo alocado no trabalho e menos tempo disponível para cursos e aprendizado. E vice-versa.

Hoje, o The New York Times informa, em reportagem de primeira página, que estatísticas preliminares apontam que mais da metade dos cerca de 640.000 empregos criados ou mantidos nos Estados Unidos graças aos pacotes de estímulo econômico do governo Obama estão relacionados com o mercado de educação. A área de educação demandou aproximadamente 325.000 novos profissionais, contra somente 80.000 novos postos de trabalho vindos da construção civil, apesar de a maior parte dos US$ 787 bilhões injetados pelo poder público na economia americana terem como destino os investimentos.

Claro que números podem ser torturados e dar a resposta que o analista deseja. Mas eles fazem pensar que, mesmo em um momento que a mão forte do Estado parece ganhar a simpatia dos governantes, políticos e da população, por causa da mais recente crise financeira internacional, os indivíduos ainda são mais ágeis que o Estado para fazerem as coisas acontecerem – neste caso, criar empregos. O mercado – esse ser disforme que costuma ser imaginado como um lugar no qual as vontades e decisões de compra e venda de empresas e pessoas comuns se processam – parece não estar tão morto assim.

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