Exemplo de jornalismo na fiscalização das ações do poder público

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O portal G1 tem feito um ótimo trabalho ao acompanhar, periodicamente, o cumprimento das promessas de campanha do presidente da República, dos governadores e de alguns prefeitos.

É possível acompanhar o cumprimento de promessas nas diversas áreas da administração pública.

Esse tipo de prática jornalística ao longo do tempo, companhando diligentemente a evolução de algum tipo de assunto, não costuma ser tão comum nas redações.

Essa reportagem “de longo prazo” do G1 ainda tem o mérito de preservar o histórico da apuração, oferecendo ao leitor as informações das parciais apuradas em momentos no passado.

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Algumas vezes, jornalistas acompanham a evolução do bem-estar de famílias ao longo de um prazo mais longo, de forma que o leitor possa identificar, sob o prisma do personagem e do jornalista, os principais indutores da mudança de bem-estar da família acompanhada. O resultado costuma ser muito bom para o leitor.

Veja mais:

Reportagem da Folha de S. Paulo acompanha famílias desde 2005, início de programa social do governo federal, e mostra que beneficiários do Bolsa Família trilham caminhos opostos ao longo de dez anos.

Lei das Estatais: Vale uma pesquisa nos estados e municípios?

A Folha de S. Paulo publicou reportagem mostrando que, no Estado de São Paulo, um decreto que regulamenta a Lei das Estatais – que estabelece, entre outras normas, novas regras para nomeação de diretores e conselheiros de estatais – havia sido flexibilizado. O governo paulista desistiu da flexibilização dias depois.

A chamada Lei das Estatais, quando aprovada, foi considerada uma importante evolução na governança das empresas estatais brasileiras. O governo federal publicou decreto regulamentando aspectos da lei dia 27 de dezembro. Os estados devem fazer o mesmo.

Diz o primeiro artigo da Lei 13.303/2016:

Art. 1o  Esta Lei dispõe sobre o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, abrangendo toda e qualquer empresa pública e sociedade de economia mista da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que explore atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, ainda que a atividade econômica esteja sujeita ao regime de monopólio da União ou seja de prestação de serviços públicos.

Vale uma pesquisa em todos os estados brasileiros – e até nas capitais – para identificar como os gestores públicos do Poder Executivo estão regulamentando, via decreto, os dispositivos da lei, sobretudo nas empresas estatais consideradas de pequeno porte (receita operacional bruta inferior a R$ 90 milhões).

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Organizar todos os trajetos da corrida de São Silvestre – um trabalho a ser feito

Uma matéria publicada dia 30 de dezembro na Folha de S. Paulo poderia inspirar uma pesquisa de fôlego para identificar todos os trajetos que a corrida de São Silvestre já teve – já foram realizadas 91 edições anuais da prova até 2015, ininterruptamente.

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É trabalho para aficionados ou para uma atividade interdisciplinar em alguma faculdade que envolva alunos e professores de carreiras como história, jornalismo, designer gráfico e até ciências da computação.

Imagine obter informações do percurso de todas as edições da prova, desenhá-los em mapas de forma padronizada e listá-los lado a lado, como fez o designer Sam Potts com a Volta da França.

Ele organizou, lado a lado, os trajetos das cem edições da prova até então. Além da pesquisa histórica e da acurácia na compilação de dados, ele escolheu, para visualizar o trabalho, um modelo de infografia bastante simples e eficiente, chamado small multiples – gráficos com a mesma escala e eixos organizados lado a lado que permita a comparação fácil.

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Riscos e cuidados no uso de estatísticas. Mesmo as oficiais

Reportagem publicada pela Folha de S. Paulo no dia 4 de março de 2016 evidencia o risco – e consequentemente os cuidados -que devem ser levados em consideração no trato com estatísticas, mesmo aquelas que são oferecidas oficialmente por órgãos públicos.

Em resumo, o número de homicídios divulgados pelo poder público está subdimensionado, pois há muitos casos listados em outra categoria de informação que não aparece nos balanços divulgados pela Secretaria de Segurança Pública.

O debate em torno da reportagem e da análise dos dados exigiu explicações do governo paulista e novas regras para a divulgação de estatísticas, como a divulgação das correções feitas periodicamente e de dados dos boletins de ocorrências.

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Veja mais:

O problema atinge outros estados brasileiros, como mostra a tese do pesquisador Daniel Cerqueira, que avaliou dados sobre mortes violentas não esclarecidas no estado do Rio de Janeiro.

A análise sobre estatísticas de crimes que ainda falta ser feita

A imprensa reportou a quantidade de homicídios dolosos em 2015 no Estado de São Paulo. Foi a menor taxa desde 1996. Algumas indagações:

  • A metodologia é realmente estranha. O poder público contabiliza a quantidade de casos, e não a quantidade de mortos. Como explica o texto, um caso pode conter várias mortes (uma chacina, por exemplo). Isso pode ampliar significativamente o número de pessoas assassinadas intencionalmente.
  • É sempre complicado analisar segurança pública por meio de um único indicador. Um dia ainda espero ler uma reportagem que traga, em bom espaço, todos os indicadores de mortes e de crimes.
  • Isso significa mostrar estatísticas históricas de mortes com ou sem intenção, por qualquer tipo de arma, no trânsito ou em casa, enfim, qualquer causa de morte, exceto doença.
  • Vale o mesmo para os tipos de crime: com ameaça ou não, em casa ou na rua, roubo ou furto, patrimônio – qualquer ocorrência.
  • Essa análise é muitas vezes difícil ou impossível por causa de imperfeiçoes na coleta, organização e divulgação de estatísticas públicas.
  • Isso é importante para evitar manipulações. Por exemplo: um assassinato passa a constar na lista de homicídios dolosos de acordo com a metodologia adotada na contabilidade e na investigação das autoridades públicas. Pode haver uma redução histórica dos casos de mortes intencionais, mas uma explosão nos de mortes cujas causas não foram identificadas.
  • Geralmente, os jornais mostram localidades com maior ou menor ocorrências de algum tipo de crime por meio de um mapa coroplético indicando cores mais escuras ou claras em cada distrito. Essa visualização é a única possível, já que o poder público não divulga o endereço exato da ocorrência, mas somente por bairros.
  • No entanto, isso pode causar distorções. Um exemplo: uma enorme quantidade de crimes praticados na fronteira entre um bairro tranquilo e outro mais problemático pode passar a impressão que um bairro inteiro é problemático. Essa distorção aumenta se o bairro for espacialmente bastante extenso.

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Nova Iorque registrou primeira alta em homicídios em cinco anos: 350 casos em 2015

A cidade de Nova Iorque, a mais populosa cidade dos Estados Unidos, com cerca de 8,5 milhões de habitantes, registrou 350 assassinatos em 2015, entre homicídios com ou sem dolo. Isso mesmo, menos de 500. Esse tipo de crime aumentou 5,1% em comparação ao ano anterior, quando a cidade registrou 333 homicídios.

Foi a primeira elevação em cinco anos. As estatísticas foram divulgadas pelo Departamento de Polícia de Nova Iorque, publicadas no The Wall Street Journal e servem para comparação com quaisquer cidades brasileiras, independentemente do porte populacional e condições sociais.

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A decisão que revolucionou o futebol completou 20 anos. E quase ninguém lembrou

No dia 15 de dezembro, um artigo nas redes sociais chamou a atenção: “20 anos da Lei Bosman – o fim da escravidão no futebol“. A notícia foi publicada no Blog do Paulinho.

Os mais jovens talvez não saibam, mas qualquer um que fosse apaixonado por futebol em 1995 sabe quem é Bosman – ou o cara que fez acabar a chamada “lei do passe”.

Em resumo: jogadores podem assinar contratos com outros clubes tão logo o contrato com a equipe atual termine (ou um pré-contrato, seis meses antes do fim do contrato) sem a necessidade de pagar uma indenização à equipe atual, que detinha o “passe” do jogador. No Brasil, foi seguida pela Lei Pelé, em 1998.

Os principais jornais impressos não lembraram da efeméride. O portal IG fez uma reportagem. Lá fora, destaque para matéria do diário inglês The Guardian.