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O que é mais barato? Usar táxi ou ter um carro? Comprar ou alugar um apartamento?

As matérias que abordam o bolso do consumidor estão entre aquelas de maior audiência, sobretudo quando auxiliam a economizar ou consumir de forma mais eficiente. É o caso da matéria feita pelo jornal Folha de S.Paulo, em maio: “Até 15 km por dia, táxi é mais barato do que carro”.

Táxi ou carroO mais interessante é a ferramenta interativa para que o leitor possa inserir os próprios dados e ter uma noção sobre qual opção é melhor para o caso dele.

Com muito trabalho em programação, arte e matemática, e com a ajuda do professor Samy Dana, especialista em finanças pessoais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o jornal pôde disponibilizar, no Folha.com, uma espécie de formulário para os usuários fazerem as próprias contas.

Dois fatores presentes nessa reportagem fazem dela um espetáculo de grande audiência: uma boa pauta com foco no indivíduo e na utilidade pública e uma infografia interativa forma visualmente fácil de compreender. Que outros exemplos como esse surjam na Folha e na concorrência.

Saiba mais:

O Café Expresso abordou recentemente uma reportagem no jornal norte-americano The New York Times com as mesmas características. O infográfico auxilia os leitores a perceberem qual a melhor opção: comprar ou alugar um apartamento, dependendo da necessidade e do perfil do imóvel. Veja aqui.

NY Times mostra que interatividade também pode trazer utilidade

Há uma explosão de infográficos – estáticos ou interativos – nascendo nas empresas de mídia (muito mais nos Estados Unidos e na Inglaterra do que em qualquer canto do planeta).

Há muita beleza implícita na forma de apresentar os dados. Isso é bom. O público consegue, muitas vezes, perceber mais facilmente a informação oferecida ao vê-la – em vez de lê-la. Isso também é bom. A interatividade prende a atenção, gera interesse e divertimento. Isso é bom, claro.

NYT buying or renting Mas, muito mais do que beleza e curiosidade, os bonitos e didáticos infográficos que proliferam no mundo virtual precisam começar a trazer utilidade – ou prestação de serviço, como muitos gostam de mencionar.

Veja o exemplo mais recente do The New York Times, jornal de vanguarda quando o assunto é apresentar notícias em formato interativo e visualmente arrojado.

Eles criaram uma espécie de aplicativo pelo qual as pessoas podem inserir dados sobre si mesmas numa planilha e calcular, automaticamente, em quais situações é mais vantajoso financeiramente alugar ou comprar um imóvel para moradia.

Uma sugestão de pauta para as empresas brasileiras de mídia é copiar a idéia e mudar a pauta: em quais situações é mais vantajoso financeiramente para o cidadão comprar um carro ou se locomover pela cidade de táxi? Fica a dica.

Atualização: No dia 15 de maio, o jornal Folha de S.Paulo publicou uma reportagem sobre as condições que é melhor optar pelo táxi ou pelo carro próprio. A reportagem é estática, e não interativa, mas a matéria é boa.

Você gostaria de opinar sobre quais programas deveriam ganhar ou perder recursos?

No portal da BBC na internet, está disponível uma interessante, interativa e divertida ferramenta para que as pessoas façam facilmente simulações de corte no orçamento e de aumentos de impostos, medidas consideradas fundamentais para angariar 74 bilhões de libras por ano para fechar as contas no Reino Unido.

Chama-se “Budget: what would you cut?” (Orçamento: o que você cortaria?). Não creio que seja possível capturar as decisões dos internautas e a tendência dos ingleses – se preferem maiores ou menores cortes em educação ou segurança, se tendem a aceitar aumento de impostos. Seria importante e interessante se esses dados pudessem ser capturados e tabulados, para indicar, mesmo que sem caráter científico, o que deseja a população.

BBC Imaginem, também, o sucesso que uma ferramenta similar faria no Brasil, caso lançada por algum veículo de comunicação.

Eu faria apenas uma sugestão: que fossem atrelados às áreas passíveis de cortes os nomes de alguns programas destas pastas, de forma que o internauta, ao decidir por um hipotético corte de 10% na verba para a Saúde, por exemplo, poderia saber qual ação governamental estaria sendo reduzida.

Para aqueles que quiserem se divertir no portal da BBC, a sigla VAT significa um imposto sobre valor agregado, conceito praticamente inexistente na cultura tributária brasileira.