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Quando vaia das arquibancadas, a torcida às vezes tem razão. Mas nem sempre

Alguns jogadores são considerados os “pernas de pau” pelos torcedores. No Corinthians, boa parte das arquibancadas credita a queda de rendimento do time no fim do primeiro turno ao desempenho do zagueiro Chicão, até então capitão do time e um dos símbolos de entrega e empenho da equipe.

No São Paulo, um dos mais criticados é o lateral esquerdo Juan, formado nas categorias de base, campeão brasileiro pelo Flamengo em 2009 com desempenho elogiado e recém-contratado pela equipe tricolor para a temporada 2011. No Palmeiras, a história não é diferente. O atacante Luan, em boa parte dos jogos, recebe críticas e á tratado com ironia pela torcida e pela mídia.

Como avaliar se a torcida tem razão? Um dos caminhos é medir o desempenho dos atletas, jogo por jogo: quantos passes certos e errados, quantos gols e finalizações, quantos desarmes e assistências, entre outros fundamentos do futebol. O que poderia ser informação pode se transformar em confusão.

O Globoesporte.com ofereceu aos internautas estatísticas individuais de cada jogador presente no campeonato brasileiro da primeira divisão. Está tudo lá. Então, que tal comparar o desempenho do perna de pau (aos olhos dos torcedores do próprio time) com rivais que estão se destacando na mesma posição?

Juan x Cortes1) Juan (São Paulo) x Bruno Cortês>

Um é criticado na equipe paulista. O outro, no Botafogo, foi convocado para a seleção brasileira. Em 13 aspectos avaliados, dados mostram que o são-paulino é melhor em 5, pior em 4 e empata em 4. Um detalhe: Nos passes errados, a desvantagem de Juan é de 0,01 ponto percentual, o que poderia ser considerado um empate. Então, o resultado mais realista seria Juan 6 x Cortês 3. Mas o destaque do campeonato é, sem dúvida, o botafoguense.

Dedé x Chicão 2) Dedé (Vasco) x Chicão (Corinthians).

O primeiro foi convocado pela seleção brasileira e está na mira de diversos clubes enquanto o segundo perdeu a vaga de titular, a faixa de capitão, não foi sequer escalado para o banco nos últimos jogos e está em desgraça com a torcida. As estatísticas mostram que o vascaíno é destaque em 6 categorias, contra 4 do corintiano. Dedé se destaca em dois fundamentos essenciais para um zagueiro: rouba mais bolas e acerta mais passes. Chicão, ao contrário de anos anteriores, deixou de fazer gols de falta e pênalti, fundamentos nos quais se destacava. Isso tem feito a diferença.

Luan x Dagoberto 3) Luan (Palmeiras) x Dagoberto (São Paulo):

O palmeirense não atuou no último clássico do clube, contra o Santos. Nas redes sociais, a torcida chgou a ironizar, escrevendo que o alviverde paulista estava tão mal na partida que já sentiam saudades do atacante. De outro lado, Dagoberto tem recebido elogios. Contando todos os campeonatos no ano, já marcou 22 vezes e deu muitas assistências. Pelas estatísticas, no entanto, o palmeirense se destaca em 6 fundamentos, contra 3 do são-paulino. A vantagem de Luan poderia ser ainda maior, já que Dagoberto, ao contrário de anos anteriores, não recebeu nenhum cartão vermelho ainda.

Esclarecimento ou mais dúvidas? – O problema das estatísticas em uma área tão dinâmica e tão sujeita a análises subjetivas como é o futebol é que elas esclarecem, mas não convencem. Certamente, torcedores que criticam fulano, mesmo que ela tenha melhor desempenho nos fundamentos, vão propor, de imediato: “quer trocar fulano por beltrano?” Os dados, isoladamente, não são definitivos – apenas auxiliam a entender melhor o assunto, a ter um diagnóstico melhor, a analisar a questão por outro ponto de vista e a pensar melhor.

Mas é possível tirar conclusões e lições. 1) O jogador muitas vezes permanece do time porque é aplicado em fundamentos que o técnico considera importantes. 2) Nem sempre o desempenho do atleta justifica as vaias do torcedor. 3) Em um único jogo, o “perna de pau” aplica um chapéu do adversário, marca um gol, acerta três chutes no alvo, e reverte toda a desvantagem estatística. Futebol é ou não é coisa do diabo?

Para saber mais:

Para avaliar o desempenho de cada jogador e compará-lo com outros atletas que disputam o campeonato brasileiro 2011 da primeira divisão, basta acessar a página do Globoesporte.com, clicar no escudo do clube. No fim da página de cada clube, estão as ferramentas que permitem analisar as estatísticas.

Quer saber onde arrumar namorado ou namorada? O jornalismo com base em estatísticas te ajuda

Essa reportagem não vai mudar o curso do mundo, mas pode mudar a vida de alguém. Primeiro, porque qualquer ação tem 50% de chances de dar certo e 50% de chances de dar errado. Segundo, porque se a pessoa estiver no lugar certo e na hora certa, pode ter chances maiores de ser bem-sucedida.

O jornal O Estado de S. Paulo produziu uma boa reportagem com base em estatísticas de concentração de homens e mulheres nas regiões da cidade de São Paulo. A equipe de infografia e arte do diário despejou os dados em um mapa e conseguiu um efeito muito interessante, ao mostrar facilmente ao leitor quais são os lugares que ele deveria estar no Dia dos Namorados.

É claro que não hác erteza que alguém conseguirá encontrar um namorado ou namorada somente por estar em um bairro onde há maior porcentagem de homens ou mulheres. A reportagem apenas encontrou uma forma diferente de dizer a mesma coisa. Não há nada para analisar ou divagar. Somente parabenizar a iniciativa.

Dia dos namorados

Para saber mais:

Leia a matéria principal e as reportagens sobre os bairros (Marsilac, República, Barra Funda e Moema, diretamente no portal Estadão. com.

Toda história tem de ter um fim – principalmente no jornalismo

Uma das críticas costumeiras que as pessoas fazem para a imprensa é a capacidade que a mídia tem de mudar de direção e esquecer um caso – até então, extremamente importante – tão logo surja outra história tão ou mais devastadora. É comum notar que um caso sobre corrupção é rapidamente esquecido quando outro aparece. Sim, a mídia é volúvel com suas histórias.

Dia 4 de abril, o jornal Folha de S.Paulo resgatou um caso que ganhou bastante audiência e notoriedade: a Máfia dos Sanguessugas. O gatilho que atiçou a memória da redação foi o aniversário de cinco anos da história, já que em 4 de maio de 2006, a Polícia Federal deflagrou uma operação para combater desvio de verbas públicas federais na compra de ambulâncias por autoridades municipais.

FSP Sanguessugas Antes de tudo, o jornal merece elogios. Foi o único, entre todos os mais importantes da mídia de circulação nacional, que lembrou de aguçar a memória dos leitores.

Atualizou para o público o rumo do julgamento dos envolvidos no escândalo e mostrou que, até o momento, somente um dos envolvidos foi punido criminalmente – que é o que interessa para combater a impunidade.

Problemas – A crítica que a imprensa merece é a capacidade de esquecer facilmente dos casos que descobre. Toda história precisa ter um fim – principalmente no jornalismo. Lançar os casos de corrupção e deixar de acompanhá-los semanas depois, independentemente dos motivos, somente aumenta a sensação de impunidade que a sociedade tem com relação à punição de casos de corrupção.

Manter os principais casos de corrupção atualizados para o público, independente da plataforma que a notícia será distribuída, custa caro. Jornalismo tem um custo e as empresas de mídia ainda não conseguiram fechar as equações para tornar rentáveis as inúmeras oportunidades diante delas. As redações estão cada vez mais enxutas e que a velocidade de circulação das informações aumentou a carga de trabalho dos profissionais.

Saídas para o impasse – Talvez a solução seja a reorganização da pauta das redações – deixar um pouco de lado a cobertura cotidiana dos atos oficiais de centenas de órgãos e autoridades do poder público que vivem apresentando frases de efeito e factóides para ganhar espaço na mídia e passar a produzir conteúdo direcionado ao que pode interessar à audiência.

As grandes empresas de mídia poderiam orientar as equipes para produzirem uma matéria especial por semana para relembrar algum caso de corrupção e atualizar as informações para a audiência. Contar o final das histórias esquecidas – sejam casos da economia, da política ou sobre corrupção – certamente faz parte do grupo de interesse dos consumidores de notícias.

Para saber mais:

1) O Museu da Corrupção é um portal que tem o objetivo de ser um receptáculo dos casos de mal versação dos recursos públicos. De uma maneira bastante humorada e interativa, é possível relembrar os principais escândalos com um nível de atualização até razoável. Vale a pena conferir.

2) O Wikipédia traz uma lista relativamente grande dos principais casos de corrupção que estouraram no Brasil nas últimas décadas. Para alguns itens, há boa descrição da história e até boa atualização. Como é sabido, o Wikipédia é escrito por voluntários, mesmo que haja algum tipo de supervisão. Dependendo do uso que se pretende, é fundamental checar os dados.

3) O Café Expresso produziu um texto recentemente analisando dados estatísticos sobre a evolução do Brasil nas listas que apontam as nações mais e menos corruptas. Você acha que vale a pena relembrá-lo?

Famílias mais pobres gastam R$ 6 por mês com educação. As mais ricas, R$ 410

Para quem gosta de escarafunchar estatísticas, há milhares de dados recém-saídos dos fornos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a respeito do orçamento familiar. São informações que revelam como o brasileiro gasta a própria renda.

A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) é abrangente e traz dados sobre o gasto das famílias por diversas clivagens, como faixa de renda, anos de estudo e por regiões. Um prato cheio para jornalistas e estudiosos, que gostam de lidar com amplos bancos de dados, com o objetivo de extrair boas pautas com belas infografias, mas é preciso entender ou se esforçar para compreender os dados. Saber “ler as tabelas” corretamente é fundamental.

Seguem algumas constatações, a partir de uma rápida leitura feita em algumas tabelas:

- A habitação é ainda o principal peso na renda das famílias mais pobres do Brasil, cuja renda total (incluindo todos os integrantes da família que tenham algum tipo de rendimento) é de até R$ 830. Esse perfil de família gasta, em média, 37% da renda com despesas ligadas à moradia. Já os mais ricos, cuja renda familiar soma mais de R$ 10.375 por mês, gastam 22,8% da renda com itens referentes à moradia, o que também não é pouco.

- As famílias mais pobres gastam 8,8% da renda com serviços como energia elétrica, telecomunicações, gás, água e esgoto. Os mais ricos desembolsam 3,9% da renda da família com tais itens, todos os meses. A diferença é que os 8,8% da renda dos mais pobres significa uma fatura mensal de R$ 65,26 por mês, em média. A fatura dos mais ricos custa R$ 549,86 por mês, em média.

- Apesar de o Brasil já ter mais de 190 milhões de linhas de telefone celular em circulação e este serviço ter grande penetração entre as famílias mais pobres, a fatura paga todo mês é quase insignificante para as operadoras. Os integrantes de famílias cuja renda conjunta não ultrapassa R$ 830 por mês podem até ter aparelhos celulares no bolso, mas, juntos, pagam R$ 5,84 por mês pelo consumo de chamadas telefônicas celulares. Já as famílias mais ricas pagam uma fatura mensal de R$ 133,47, em média.

- Educação é um item que ganha bastante atenção na cesta de consumo das famílias. Quanto maior a renda, mais destaque para o gasto com cursos diversos, incluindo de nível superior. As famílias mais pobres desembolsam, em média, 0,9% da renda mensal com educação, enquanto as mais ricas gastam 2,9% por mês. Em reais, essa fatura mensal representa R$ 6,83 (mais pobres) e R$ 409,31 (mais ricas).

Este último dado não significa que os mais pobres não estudam. Eles estudam, mas em escolas públicas, com as já conhecidas diferenças na qualidade do ensino. Como é sabido, é a educação – e não o consumo de energia ou de alimentos – que move a roda da fortuna da ascensão social. Como diz um ditado italiano, dinheiro faz dinheiro, piolho faz piolho.