Arquivo da tag: infografia

O maravilhoso mundo dos infográficos interativos

Nos últimos dias, me deparei com quatro infográficos interativos que, além de atraentes e interessantes, instigam o público a pesquisar e a aprender. Eles abordam questões candentes e atuais e ajudam a criar consciência e compreensão. Vale lembrar que trabalhos como esses só são possíveis quando há bancos de dados consistentes e abrangentes disponíveis.

Suprimento de água fresca. Produzido para o Visualizing.org em um concurso aberto para celebrar o Dia Mundial da Água. O infográfico permite a comparação entre dois países em diversos aspectos relativos à água: consumo por pessoa, consumo do país por ano e suprimento de água, entre outros. É possível saber quais nações tem menor quantidade disponível de água, quais países usam mais o insumo para fins industrial e agrícola e muito mais.

Water Supply

O caminho do protesto. Produzido pelo jornal inglês The Guardian, mostra, de forma bastante interessante e eficiente, uma linha do tempo narrando a sequência dos protestos no Oriente Médio e no Norte da África. A linha do tempo, que começa com o a notícia do desempregado tunisiano que colocou fogo no próprio corpo após ser impedido de vender legumes na rua, chega a parecer com o Guitar Hero, videogame de sucesso no mundo todo.

Linha do tempo Mapa de ônibus de Londres. Disponível no Tableau Public, o mapa foi produzido com 1,5 milhão viagens de ônibus na capital inglesa. A amostra representa apenas 5% do total de viagens feitas no sistema de transporte, compreendendo ônibus, metrôs e trens. Permite ver rota por rota e a intensidade das viagens por dia e horário.

London buses 

A história da pobreza. Uma mapa-mundi que permite visualizar a mudança de patamar – de pobre para desenvolvido – nas nações em todos os continentes a partir de indicadores desde 1820. A interatividade permite segregar nações ou continentes ao gosto do internauta.

Poverty map

Mapa mundial da pena de morte mostra declínio de execuções em muitos países, mas vigor em outros

O diário sueco Dagens Nyheter produziu uma infografia interativa bastante interessante e abrangente a respeito da pena de morte no mundo desde 1900. Para tanto, teve de identificar a quantidade de condenados realmente executados nos corredores da morte em diversos países e verificar a legislação em cada nação, de forma a mostrar ao leitor onde este tipo de pena está vigente, onde foi abolido pela lei e onde foi abolido na prática.

Pena de morte A equipe de reportagem sueca constatou que a pena de morte está em declínio no mundo, mas resiste nos Estados Unidos e mantém vigor na Ásia, continente que executou dezenas de milhares de pessoas na última década. E prossegue:

“Punir as pessoas com a morte tem sido uma forma bastante comum desde que a ação humana tem sido documentada. O direito penal, por séculos, foram marcados pela idéia de vingança pelos pecados praticados no passado. Hoje em dia, no entanto, a tendência é de um mundo sem a pena de morte – mas o caminho não é linear.”

Os jornalistas, após organizarem os dados, mostram que quase todos os países que ainda aplicam a pena capital estão nos continentes asiático e africano. “Ao sul do Saara foram executadas dez pessoas em 2009, no Norte de África e do Oriente Médio mais de 600 – e na Ásia mais de mil pessoas, das quais a esmagadora maioria na China”.

No mapa interativo, você pode perceber:

1) Entre as nações desenvolvidas, os Estados Unidos e o Japão são os únicos que mantém a prática constante. Os norte-americanos executaram 52 condenados em 2009, contra sete dos japoneses. Mas 15 dos 50 estados dos EUA já baniram a prática – o último foi o Novo México, em 2009.

2) Nos últimos dez anos, a China executou mais de 15.000 pessoas.

3) O Brasil é considerado um país no qual a pena de morte foi abolida na prática, pois a última execução que se tem notícia teria ocorrido em 1.855. Mas traz uma informação interessante: 1979 é o ano em que a pena de morte foi abolida, exceto para crimes extraordinários.

No caso brasileiro, as informações contidas no trabalho de reportagem sueco seria um ótimo ponto de partida para uma investigação, buscando identificar que lei é essa, o que é considerado um crime extraordinário (já que parece que eles têm sido constantes por aqui desde 1979) e qual foi o último condenado (que o mapa indica ter sido morto em 1855, depois da Independência, antes da República e durante a escravidão). Que tal?

Estadão também dá alguns passos na trilha de sucesso da Superinteressante

Dias atrás o Café Expresso mostrou algumas infografias da revista Época, brincando que a publicação estaria seguindo os passos da revista Superinteressante. Foi apenas uma metáfora, uma figura de linguagem para remeter a lembrança dos leitores ao produto editorial da mídia brasileira que inaugurou e melhor aproveita os recursos infográficos para contar histórias no Brasil. Ponto positivo para a Época por tentar narrar as reportagens de uma forma mais dinâmica e atrativa.

reciclagem O Estadão surpreendeu hoje, dia 2 de agosto, ao inaugurar uma bela página, sob a etiqueta Discussões Urbanas. Uma página inteira discutindo o problema do precário e incompetente sistema de coleta seletiva na cidade de São Paulo. O jornalista coletou números, ouviu especialistas e trouxe o relato de pessoas comuns.

No entanto, em vez de escrever um longo texto, fatiou a matéria em diversas pequenas partes e organizou tudo em um infográfico. A leitura virou uma diversão e pode ser uma ferramenta interessante para atrair para o jornal o público jovem que vem consagrando e seguindo pelo resto da vida a Superinteressante.

Não consegui verificar se essa página será parte de uma série do jornal, que inaugurou recentemente um projeto gráfico pelo qual pretende fazer um uso mais intenso de infografias. Quem quiser, posso mandar um arquivo PDF para melhor visualização.

Para saber mais: A Superinteressante mantém no Flickr diversos infográficos para você rever. Aproveite.

Famílias mais pobres gastam R$ 6 por mês com educação. As mais ricas, R$ 410

Para quem gosta de escarafunchar estatísticas, há milhares de dados recém-saídos dos fornos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a respeito do orçamento familiar. São informações que revelam como o brasileiro gasta a própria renda.

A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) é abrangente e traz dados sobre o gasto das famílias por diversas clivagens, como faixa de renda, anos de estudo e por regiões. Um prato cheio para jornalistas e estudiosos, que gostam de lidar com amplos bancos de dados, com o objetivo de extrair boas pautas com belas infografias, mas é preciso entender ou se esforçar para compreender os dados. Saber “ler as tabelas” corretamente é fundamental.

Seguem algumas constatações, a partir de uma rápida leitura feita em algumas tabelas:

- A habitação é ainda o principal peso na renda das famílias mais pobres do Brasil, cuja renda total (incluindo todos os integrantes da família que tenham algum tipo de rendimento) é de até R$ 830. Esse perfil de família gasta, em média, 37% da renda com despesas ligadas à moradia. Já os mais ricos, cuja renda familiar soma mais de R$ 10.375 por mês, gastam 22,8% da renda com itens referentes à moradia, o que também não é pouco.

- As famílias mais pobres gastam 8,8% da renda com serviços como energia elétrica, telecomunicações, gás, água e esgoto. Os mais ricos desembolsam 3,9% da renda da família com tais itens, todos os meses. A diferença é que os 8,8% da renda dos mais pobres significa uma fatura mensal de R$ 65,26 por mês, em média. A fatura dos mais ricos custa R$ 549,86 por mês, em média.

- Apesar de o Brasil já ter mais de 190 milhões de linhas de telefone celular em circulação e este serviço ter grande penetração entre as famílias mais pobres, a fatura paga todo mês é quase insignificante para as operadoras. Os integrantes de famílias cuja renda conjunta não ultrapassa R$ 830 por mês podem até ter aparelhos celulares no bolso, mas, juntos, pagam R$ 5,84 por mês pelo consumo de chamadas telefônicas celulares. Já as famílias mais ricas pagam uma fatura mensal de R$ 133,47, em média.

- Educação é um item que ganha bastante atenção na cesta de consumo das famílias. Quanto maior a renda, mais destaque para o gasto com cursos diversos, incluindo de nível superior. As famílias mais pobres desembolsam, em média, 0,9% da renda mensal com educação, enquanto as mais ricas gastam 2,9% por mês. Em reais, essa fatura mensal representa R$ 6,83 (mais pobres) e R$ 409,31 (mais ricas).

Este último dado não significa que os mais pobres não estudam. Eles estudam, mas em escolas públicas, com as já conhecidas diferenças na qualidade do ensino. Como é sabido, é a educação – e não o consumo de energia ou de alimentos – que move a roda da fortuna da ascensão social. Como diz um ditado italiano, dinheiro faz dinheiro, piolho faz piolho.

Infográfico mostra o mapa mundial dos estoques nucleares

Segundo o portal da The Economist, juntos, todo o estoque de urânio enriquecido e de plutônio disponível nos depósitos mundiais seria suficiente para construir 200.000 armas nucleares.

Em um momento que o presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, tenta um novo acordo mundial para tornar mais seguros esses estoques, a publicação inglesa foi muito feliz em mostrar em quais países estão estocados todo esse explosivo conteúdo por meio de um infográfico simples e didático.

Economist urânio

Infografia mostra muita coisa sobre o censo norte-americano

Uma reportagem publicada no The New York Times trouxe uma infografia muito interessante. Para explicar o atual estágio de realização do censo norte-americano de 2010, um jornalista foi enviado para uma pequena cidade no norte do país para entender e explicar as razões que fazem com que algumas comunidades, cidades e estados inteiros respondam mais rápido que outras os questionários do censo enviados por correio. O título é auto-explicativo: “Poucos para contar, mas todos ansiosos por fazê-lo”.

US census 2010 A infografia em forma de mapa, com tonalidades diferentes, ajuda facilmente a mostrar as regiões do país em que há mais respostas do que outras – e percebe-se que, por trás da devolução dos questionários respondidos pode haver hábitos culturais, sociais e políticos comuns: maior ou menor apreço pelos políticos, governantes e pelo governo ou ainda maior ou menor obediência à lei, entre outros motivos. A infografia cumpre importante função nessa matéria.

Pela internet, é possível ainda entender a reportagem por meio de uma sequência de belas fotos, o que completa, de forma agradável, a melhor compreensão do assunto. Jornais impressos, por restrições de espaço e custo do papel, têm mais dificuldade de explorar esse recurso (publicar sequência de fotos com legendas), mas deveriam ao menos testar se as fotos-legendas agradam os leitores. Ao menos uma página do jornal – que tal uma sobre disputas em partidos políticos? – poderia ser utilizada para contar histórias por meio de fotos-legendas. Que tal?

Para saber mais: Outra reportagem do The New York Times ajuda a entender os motivos pelos quais muitos norte-americanos não respondem, jogam fora e não devolvem os questionários do censo enviados pelo correio.

Avatar será um dos filmes mais rentáveis de todos os tempos?

Só se fala de Avatar, o novo filme de James Cameron, cuja estréia mundial ocorreu em 18 de dezembro. A produção tem proporções gigantescas, tanto no orçamento quanto nas perspectivas de receitas com bilheteria.

Avatar A The Economist, a partir de três fontes diferentes, publicou os valores atualizados de arrecadação e de custos de produções cinematográficas e conseguiu a lista das maiores bilheterias do cinema de todos os tempos.

Avatar pode não ter dificuldade para entrar na lista dos mais comercializáveis. Faturou, no mundo inteiro, de 18 a 22 de dezembro, US$ 301,3 bilhões só com bilheteria (US$ 109,5 milhões no mercado interno dos EUA). Mas pode não ser campeão de rentabilidade, pois teve orçamento superior a US$ 300 milhões.

A infografia da The Economist é muito boa – aliás, gosto muito das artes da revista, pois são  fáceis de entender e trazem muita informação. Apesar de não organizar os filmes pelos mais rentáveis, é fácil comparar o custo e a bilheteria obtida por filme para visualizar os que mais renderam lucros (só com bilheteria).

Ao analisar três fontes diferentes, The Economist deve ter tido critérios para optar por um dado em detrimento de outro quando divergentes. No Box-Office Mojo, por exemplo, Titanic aparece com faturamento de US$ 600,8 milhões no mercado norte-americano e de US$ 1,84 bilhão em todo o mundo. Na infografia, que analisa somente a bilheteria que cada filme conseguiu nos EUA, os valores são maiores.

Os estudantes asiáticos e as universidades americanas

Os asiáticos, na concorrência pelo mercado mundial, principalmente contra os Estados Unidos, mandam seus filhos para estudar exatamente nas escolas e universidades americanas. Mais de 40% dos 106.123 estudantes estrangeiros que estudaram naquele país durante o período acadêmico de 2007-08 eram oriundos de três países asiáticos: China, Índia e Coréia do Sul.Economist Graphic

Além disso, a migração de estudantes de países asiáticos para os EUA cresce mais rapidamente. Basta verificar que, no topo da lista que mede a taxa de crescimento por ano e por país de chegada de estudantes estrangeiros, são novamente os asiáticos que figuram nas primeiras posições.

A infografia é simples, mas extremamente eficaz em transmitir muita informação.

As velhinhas japonesas estão arrepiando ao apagar 65 velinhas

Os números são da OCDE, mas a boa infografia foi entregue pela The Economist, na mesma regra de sempre da revista inglesa: um parágrafo, um gráfico. A notícia é agradável.  Mostra quantos anos a mais de vida as pessoas têm, na média, nos países selecionados.

OldO recorde é das senhoras japonesas. Elas, em média, têm uma expectativa de vida adicional de 23,6 anos tão logo completam 65 anos. Presentão, certo? Os homens, no Japão, têm expectativa de vida extra de 18,6 anos quando apagam o mesmo número de velinhas.

É bastante. Desde 1970, segundo a The Economist, essa expectativa de vida adicional após 65 anos de idade cresceu quase cinco anos para mulheres e quatro anos para os homens no Japão, um país tradicionalmente conhecido pelos hábitos saudáveis da população.

Mostre, não conte: infografia ‘show de bola’

A Folha de S. Paulo criou uma infografia muito boa em reportagem sobre a queda do número de fumantes no Brasil e no mundo, publicada dia 9 de dezembro.

FSP fumantesTudo bem que a fonte ajudou muito – uma pesquisadora que realizou um estudo comparativo por faixa etária, faixa de renda, entre homens e mulheres. Muitos números!

Mas tem de dar crédito para a edição do jornal, que foi muito bem-sucedida na forma de entregar o conteúdo ao leitor. Basta ler o título e gastar o resto do tempo na infografia.