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Quem é melhor? Leitores comentam e melhoram ótimas infografias entre Messi e Cristiano Ronaldo

O jornal espanhol El País elaborou um infográfico muito interessante comparando não somente a eficiência entre o argentino Lionel Messi e o português Cristiano Ronaldo, os dois principais jogadores do campeonato local de futebol da primeira divisão – o que é bastante comum fazer em qualquer país –, mas também analisando quais times conseguiram fazer mais gols do que os atletas em questão.

O resultado é bastante curioso e pode suscitar diversas análises e conclusões. Os jogadores são realmente fora de série e espetaculares? Os outros clubes que disputam o torneio são muito fracos? Fica ao gosto0 do leitor – ou do torcedor.

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Os comentários dos leitores – Ler os comentários dos leitores é um método bastante interessante para deixar a análise mais consistente. Um leitor escreveu o seguinte comentário: “Muy interesante estadística, porque demuestra por qué Messi es mejor que Cristiano, primero hay que quitar los goles “de regalo” los de penalty, 11 Ronaldo y 5 de Messi, entonces Ronaldo quedaría con 29 contra 34 de Messi. Y luego hay que ver quien anota más con jugadas individuales, por calidad propia: 10 de Messi, contra 1 de Ronaldo. Y para terminar,¿quién recibe más ayuda de su equipo? Ronaldo tiene 21 con ayuda contra 16 de Messi con ayuda. Con esto queda claro porque Messi es mejor que Ronaldo.”

O argentino, disse o torcedor, apesar de ter um gol a menos que o português (39 x 40), fez bem menos gols de penalti (5 x 11) e muito mais a partir de jogadas individuais (10 x 1), o que, segundo o comentário, demonstra a “qualidade própria” do atleta. Os números estão nos gráficos e a leitura parece bastante pertinente.

Mas pondera outro leitor: “El futbol es un deporte de equipo, cuando se depende de las individualidades, se llega antes al fracaso.” Tem razão também. Por ser esporte coletivo, a tendência é que a qualidade geral da equipe seja tão ou mais importante que a individual. Dessa opinião, poderia derivar uma pergunta: e se o argentino se machucar gravemente algum dia e desfalcar o Barcelona por alguns meses?

Na linha do que o último leitor comentou, a comparação entre Messi e Cristiano Ronaldo avança. O espanhol La Informacion publicou um infográfico com estatísticas mais recentes que apresenta números com outra abordagem para tentar mostrar quem é mais importante para a equipe.

Outra abordagem – O jornal fez um exercício considerando uma hipótese: caso os gols anotados por Messi e Cristiano Ronaldo fossem excluídos, qual seria o impacto para a quantidade de pontos conquistados por Barcelona e Real Madrid. É claro que a brincadeira parte do princípio que nada mais interferiria no resultado das partidas ao longo do torneio.

Messi x Cristiano

O resultado hipotético é que o Barcelona, sem os gols de Messi, perderia 19 dos 81 pontos conquistados até então. O Real Madrid perderia 13 de 85 pontos. Ambos os atletas têm 41 gols. A diferença é que os gols do argentino representam 42,7% dos 96 gols marcados pela equipe catalã, enquanto os gols anotados pelo português significam 38,3% dos 107 gols marcados pelo madrilistas.

Em suma, divirtam-se e melhorem as análises com seus próprios comentários.

Sugestão de pauta – A imprensa esportiva brasileira, que tem se esforçado para produzir pautas inovadoras e ousadas a partir do uso de estatísticas disponíveis ou da construção de bancos de dados próprios, poderia repetir o exercício dos jornais espanhóis El País e La Informacion e comparar a performance e a importância para a equipe entre duplas de craques brasileiros. Liedson (Corinthians) ou Luís Fabiano (São Paulo)? Neymar (Santos) ou Lucas (São Paulo)? Fred (Fluminense) ou Vagner Love (Flamengo)?

Saiba mais:

1) Infográficos ajudam a inovar a pauta no jornalismo esportivo e facilitam a compreensão.

2) Grandes duelos do futebol são oportunidade ímpar para mostrar, por infografias, quem são os melhores atletas

3) Exemplos mostram que blogueiros têm feito reportagens melhores que a imprensa em geral

Infográficos ajudam a inovar a pauta do jornalismo esportivo e facilitam a compreensão

Dias atrás, o jornal The New York Times ganhou um medalhas em uma competição chamada Malofiej, uma espécie de Oscar da infografia. O trabalho mostrou a quantidade de vezes que os atletas da NFL, a liga nacional de futebol americano, foram mencionados no SportCenter e no Sunday NFL Countdown, programas do canal esportivo ESPN.

NFL players most mentioned

Durante a última Copa do Mundo, entre junho e julho de 2010, outra pauta parecida foi feita pelo jornal norte-americano. Os jornalistas organizaram um banco de dados para verificar quais jogadores foram mais citados no Facebook durante cada dia, da inauguração ao jogo final do torneio. Quanto mais mencionados, os jogadores aparecem maiores que outros.

O interessante é verificar a flutuação da audiência que cada atleta recebe de acordo com o papel que eles e as equipes deles obtém em campo. No dia 2 de julho, quando o Brasil perdeu para a Holanda nas quartas de final do torneio e foi desclassificado, Kaka e Felipe Melo foram os campões de audiência entre internautas de todo o mundo no Facebook.

Top World Cup players

A imprensa brasileira também tem se destacado nessa área. jornais e portais nacionais estão aprimorando e investindo mais na elaboração de infografias, estáticas ou interativas.

Foi o que fez o jornal O Estado de S. Paulo durante a cobertura da Copa do Mundo de 2010. A infografia, interativa, mostrou em quais países jogavam os atletas de cada seleção durante as copas de 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010.

Estadão Copa 2010 Benefícios – O grande benefício dos três gráficos é permitir que o internauta ou leitor perceba facilmente e rapidamente a informação principal. Além disso, arejam a pauta dos cadernos esportivos, muitas vezes repletas somente de fofocas ou reproduções do que aconteceu nos jogos do dia anterior.

Nos dois trabalhos do jornal norte-americano, nota-se imediatamente quais atletas foram campeões de audiência e, durante a Copa, quais fatos estavam associados ao pico de visibilidade.

No infográfico do Estadão, a principal conclusão é que, a cada torneio, os treinadores buscam para compor as seleções jogadores que atuam numa quantidade maior de campeonatos estrangeiros. Em 1994, dez atletas atuavam no brasil e 12 no exterior. Em 2010, só três viram do campeonato brasileiro e 20 de ligas de outros países – e a maioria jogava na Itália naquela época.

Nos EUA, famílias contam cada vez mais com programas sociais para melhorar renda. Porque você nunca saberá nada sobre isso no Brasil?

Em 2009, 18% da renda média do cidadão norte-americano foi resultante do pacote de benefícios (mais de 50 programas, de alimentação a saúde e emprego) pagos pelo governo dos EUA. Em 1969, essa parcela era de 8%. O que isso significa? Há duas possibilidades principais: ou as pessoas empobreceram e passaram a precisar da colaboração do poder público para complementar a renda necessária ao suprimento das necessidades básicas ou o próprio Estado tomou a decisão de elevar as transferências de assistência e recursos para aos cidadãos.

Esses números foram tabulados pelo Departamento de Comércio do governo dos Estados Unidos e publicados detalhadamente na edição do dia 12 de fevereiro do The New York Times. Deram substância e conteúdo para uma reportagem abrangente e longa, acompanhada pela publicação de infográficos interativos no formato de mapas, nos quais as diferenças de tonalidade mostram locais onde os cidadãos foram mais ou menos dependentes das transferências de recursos governamentais.

The New York Times 12Feb2012 O mapa com tonalidades diferentes para mostrar localidades nas quais as famílias receberam mais ou menos recursos de programas sociais é mais um projeto bem-sucedido da equipe de infografia do jornal norte-americano. No entanto, vale lembrar que a tarefa fica mais fácil quando há dados disponíveis.

Faltam estatísticas – No Brasil, é bastante comum não encontrar estatísticas confiáveis com um histórico significativo que permita fazer análises responsáveis, estabelecer tendências, interpretar transformações. Raramente é possível encontrar uma série estatística com dados que mensurem 30 ou 40 anos de qualquer coisa, mesmo na área econômica.

O IBGE, claro, é um clássico exemplo positivo dentro de um país acostumado a não contabilizar quase nada. Mesmo feita essa ressalva, dificilmente emanarão dos arquivos do instituto dados com tanto detalhe, com cinco ou seis décadas de sequência, para cada ente federativo.

Nos últimos anos, a área econômica é o setor do governo central que mais evoluiu na organização e confiabilidade de dados orçamentários (tanto arrecadação quanto gasto), principalmente a partir da década de 1990, quando houve a necessidade de organizar as estatísticas das contas públicas por causa do iminente plano de combate à inflação – o Real.

Tornou-se essencial conhecer rigorosamente o destino dos gastos para evitar descontroles nos preços. Na contabilidade pública, o Real forçou uma revolução positiva sem precedentes.

Problema histórico – Essa falta de cultura do poder público brasileiro em registrar e mensurar estatísticas sobre as iniciativas governamentais causou estragos consideráveis no esforço de entender as transformações econômicas e sociais no Brasil.

Mesmo historiadores, quando conseguem resgatar alguns dados, nunca recuperam dados que representem a fotografia do país – no máximo, de um estado ou município. Simples: se o Estado pouco se preocupou em mensurar e registrar as estatísticas sobre gastos e serviços públicos, é impossível resgatá-los de qualquer arquivo.

Los Angeles Times: boa pauta mescla bancos de dados, infografia e narrativa com eficiência

O jornal Los Angeles Times produziu uma bela reportagem que ajuda a demonstrar uma das mais atraentes vertentes do jornalismo atualmente. A matéria faz uso de três ingredientes: bancos de dados, infografias e excelente reportagem para contar a história.

A matéria em questão aborda a retomada das transferência de dinheiro dos estrangeiros residentes nos Estados Unidos para as famílias que eles deixaram nos países de origem. Índia, China e México, nessa ordem, são os principais países de destino dos dólares mandados pelos imigrantes que trabalham no mercado norte-americano.

Dados e visualização – As estatísticas suportam a pauta: o crescimento das remessas de recursos de imigrantes mexicanos para o México. A análise sobre os dados permitiu identificar uma informação nova sobre o mercado de trabalho norte-americano. A partir desse ponto, especialistas ajudaram a entender as causas e consequências dessa mudança e sugerir conclusões sobre o fenômeno.

Los Angeles Times 12jan2012 A infografia reúne recursos como estatísticas sobre mapa e gráficos em barras, com tonalidades diferentes da mesma cor, de forma que o leitor percebe facilmente medidas como distribuição espacial e quantidade. A informação visual permite entender quais estados mexicanos mais receberam dinheiro despachado por imigrantes mexicanos que trabalham nos Estados Unidos.

Personagem – Um terceiro aspecto é a harmonia com a qual todos esses elementos foram organizados na parte principal da capa do jornal.

A reportagem é inaugurada com um personagem comum que representa a essência do fato que pretende ser contado – uma empregada doméstica que espera numa fila a vez de enviar uma pequena quantia para a mãe, que mora em Chiapas, México.

A matéria ainda supõe, a partir dos especialistas, que o crescimento, depois de três anos em queda, da quantidade total de dinheiro enviado por imigrantes para parentes residentes em outros países pode representar uma evidência do fortalecimento e da recuperação do mercado de trabalho norte-americano.

Método – Esse estilo de jornalismo têm sido chamado de “data-driven journalism”, algo como “jornalismo movido por estatísticas”. Em regra geral, é um método baseado na organização e análise de bancos de dados cada vez mais abrangentes que ajudam os jornalistas a detectarem mudanças que embasam as pautas e as notícias subsequentes.

Muitas vezes, a análise dos dados e a visualização deles conta com a participação de programadores que, com as técnicas das ciências da computação, criam regras para cruzar e orientar as estatísticas de forma eficiente.

Grandes duelos do futebol são oportunidade ímpar para mostrar quem são os melhores por infográfico

O Campeonato Brasileiro terminou com uma rodada repleta de clássicos entre clubes da mesma cidade. O título ficou com o Corinthians. O Vasco da gama ficou em segundo lugar. Logo em seguida, o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), foi tomado por torcedores do Santos, cujo time embarcou solo japonês.

No Japão, daqui poucos dias, clubes representantes de todos os continentes começam o aquecimento para disputar mais uma edição do campeonato mundial organizado pela Fifa desde 2005. O que todos querem ver são as jogadas elásticas e rápidas de craques como Messi, do Barcelona, e Neymar, do Santos. É uma oportunidade para os jornais criarem infográficos que comparem os principais astros que entram em campo.

Afinal, todos querem saber o que provam os números e as estatísticas. Quem é melhor: Messe (Barcelona) ou Neymar (Santos)? Os fãs do basquete norte-americano já podem ver, conforme mostra o infográfico abaixo, a comparação entre dois dos maiores jogadores de todos os tempos da modalidade: Michael Jordan e Kobe Bryant.

Os dados podem estar desatualizados, pois Bryant (ainda em atividade) e Jordan (já aposentado) têm atualmente dois anos a mais.

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Estadão faz homenagem aos 80 anos do Cristo Redentor com infografia digna de prêmio

Anos atrás, os apaixonados por infografias tinham apenas a revista Superinteressante para recorrer. Com a guinada do jornalismo para novas frentes, como o uso mais intensivo de estatísticas e bancos de dados e a elaboração de infográficos estáticos ou interativos, diversos jornais impressos ou eletrônicos têm conseguido bons resultados na arte de informar sem usar longos textos.

80 anos Cristo Redentor O jornal O Estado de S. Paulo publicou no dia 12 de outubro uma reportagem para lembrar do aniversário de 80 anos da inauguração do Cristo Redentor e informar a agenda de eventos culturais e de entretenimento programada para a festa. Ao mesmo tempo, aproveitou a oportunidade para instruir os leitores a respeito de uma polêmica que permanece após décadas: quem foram os verdadeiros autores da obra.

A matéria se transformou em alegoria do principal aspecto: uma infografia digna de prêmio, tão boa quanto aquelas produzidas pela Superinteressante. O jornal praticamente “desmontou” a estátua e mostrou como funciona a estrutura interna do monumento e deu instruções sobre a construção.

Saiba mais:

No ano passado, o Estadão já tinha feito algo similar quando o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, já centenário, foi reaberto, em maio de 2010, após 18 meses de reformas. A infografia também “desmontou” o edifício para ativar a curiosidade das pessoas.

Engenheiros e matemáticos ganham 50% a mais que jornalistas e advogados nos EUA

Um infográfico simples e interessante foi publicado no jornal The Washington Post no dia 23 de maio de 2011 em uma reportagem que analisa um estudo da Georgetown University Center on Education and the Workforce, dos Estados Unidos.

O estudo analisou o salário anual médio do trabalhos nos EUA área por área, indicando quais cursos universitários poderiam, em tese, no futuro, oferecer melhores rendimentos aos estudantes.

W Post - Salário por área O objetivo foi oferecer informações estatísticas para famílias cada vez mais endividadas com o crédito estudantil e outros tipos de dívida feitas para pagar os cursos universitários – algo bastante comum nos Estados Unidos. Não é raro as famílias hipotecarem a própria casa para custear a educação dos filhos.

O gráfico, limpo e sem firulas, deixa claro que as carreiras relacionadas às ciências exatas – matemática, engenharia e computação – chegam a pagar 50% a mais que aquelas relacionadas às ciências humanas – educação, psicologia, jornalismo e artes, por exemplo. Os ganhos anuais médios de algumas áreas do primeiro grupo chega, inclusive, a ultrapassar a marca de 50% de algumas carreiras do segundo grupo.

Dos maiores aos mais baixos salários da engenharia norte-americana, separe os 25% mais altos. Neste andar de cima, o salário médio atinge US$ 100 mil por ano. Agora faça o mesmo exercício em outras carreiras. O rendimento anual médio chega a US$ 73 mil para profissionais do jornalismo, da agricultura e da advocacia. O grupo de educadores mais bem pagos ganham US$ 60 mil por ano.

Infográfico mostra recrudescimento da pobreza nos Estados Unidos entre 2007 e 2010

A crise financeira internacional iniciada com a quebra do banco Lehman Brothers em setembro de 2008 continua a causar estragos em todo o planeta. Depois do problema centrado na dívida das empresas, das famílias e das pessoas nos países desenvolvidos, agora a turbulência está focada na dívida dos governos.

Vale lembrar que muitos dos governos com problemas de solvência hoje decidiram socorrer os entes privados endividados no início da crise a partir da emissão de títulos e moeda para captar dinheiro e emprestar aos enforcados. Agora, com dívidas explosivas e quase impagáveis, precisam economizar recursos e aumentar receitas, mas é difícil elevar receitas se a economia não cresce, pois o próprio poder público tem de cortar gastos e isso gera desaceleração na atividade econômica e menos arrecadação tributária.

Uma consequência dessa ciranda é o aumento do desemprego e da queda da renda das famílias. O The New York Times elaborou uma reportagem suportada pelos dados do órgão responsável pelo censo norte-americano evidenciando o recrudescimento da pobreza por todo o país.

Como há estatísticas à vontade, o jornal elaborou uma infografia bastante convencional, mas muito efetiva, usando tonalidades mais fortes ou mais fracas de algumas cores em um mapa dos EUA para mostrar em quais regiões a evolução da renda e da pobreza foi mais ou menos impetuosa.

A reportagem e a infografia poderiam sugerir para algumas redações uma matéria similar, comparando os mapas norte-americano e brasileiro. Os gráficos certamente mostrariam curvas inversas e os mapas tonalidades contrárias.

US poverty 2007 - 2011

Boa reportagem une pauta e apuração bem-sucedidas com infografia bastante eficiente

A imprensa brasileira está utilizando mais e mais a análise de bancos de dados com milhares de estatísticas para oferecer para a audiência matérias mais analíticas e que ultrapassam a fronteira dos meros anúncios das fontes governamentais.

Até poucos anos atrás, era bastante comum folhear os jornais e constatar que a maioria absoluta das matérias tinha protagonista uma única fonte: algum órgão público. Hoje, mesmo que um estudo estatístico abrangente ainda não tenha sido feito, há a sensação que a mídia está analisando as informações e os dados que os governos lhe entregam e, após algum trabalho interno das equipes de reportagens, entregam aos leitores algum material diferenciado.

08ago11 homicídios SP Um exemplo é a reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo no dia 8 de agosto deste ano. Após a divulgação dos números parciais de violência em São Paulo, tanto capital quanto interior, os jornalistas organizaram as estatísticas históricas de homicídios e perceberam que, em 54 cidades, a queda acentuada de mais de 70% de assassinatos entre 2001 e 2011 não se repetiu.

A partir da descoberta, os repórteres puderem avaliar, localmente, quais os problemas enfrentados nas regiões nas quais os assassinatos persistem e solicitar das autoridades uma resposta para uma pergunta muito mais circunscrita, objetiva e direta.

Além de bem-sucedida no planejamento da pauta, na organização e na análise das estatísticas e na própria execução da matéria, a equipe do jornal ofereceu ao leitor uma forma bastante eficiente para a visualização fácil dos dados. Na imagem, percebe-se facilmente que há uma coloração mais fraca no mapa do estado em 2011, o que mostra redução média dos assassinatos, mas que há persistência de regiões problemáticas, evidenciadas na cor mais escura.

Infográficos ajudam a entender o mundo e os EUA nos dez anos após o dia 11 de setembro de 2001

A imprensa, no mundo todo, produziu material especial sobre o aniversário de dez anos do ataque terrorista às duas torres do World Trade Center, na cidade de Nova Iorque, no dia 11 de setembro de 2001. Segue três deles que ajudam a entender algumas transformações na década.

A revista britânica The Economist fez um gráfico simples, mas bastante elucidativo, a respeito de um lado pouco abordado pelas estatísticas: o total de pessoas mortas por causa dos atos terroristas, incluindo civis, ao longo dos últimos anos. É importante notar que a quantidade anual de pessoas mortas – entre combatentes, terroristas e inocentes – foi enorme na década de 90, antes do ataque em 2011, e ainda maior em diversos anos seguintes.

Economist - Global terrorism

No portal da revista Wired, uma reportagem com muitas estatísticas analisa as mortes, os gastos com a guerra e com as ações contra o terrorismo e o armamento utilizado, com especial atenção para os chamados “drones”, os aviões de combate não tripulados da frota norte-americana. Mais do que identificar dados sobre diversos aspectos, foi importante a publicação mostrar a evolução de todos os números ao longo dos últimos dez anos para o leitor tirar as próprias conclusões.

Sep 11 aftermatch

Para saber mais:

Se você quiser se debruçar mais detalhadamente sobre alguns impactos que os ataques terroristas de 2001 causaram nos Estados Unidos, navegue alguns minutos pelo projeto do jornal The Washington Post chamado “Top Secret America”. Ele foi preparado e lançado antes do aniversário de dez anos dos ataques e mostram, com diversas estatísticas bem organizadas e um design bastante criativo, o quanto foi ampliada a máquina de segurança dos EUA sem que os próprios cidadãos percebessem.