Arquivo da categoria: Pensa rápido

Se você fosse presidente, qual caminho escolheria?

O jornal valor Econômico publicou um artigo muito interessante no dia 11 de novembro. O autor é Raghuram Rajan, ex-economista chefe do FMI e professor de Finanças na Universidade de Chicago. Ele aborda as causas e as conseqüências do recrudescimento da desigualdade social nos Estados Unidos.

O Censo dos EUA mostrou que, na última década, o 1% mais rico da população norte-americana enriqueceu muito velozmente, enquanto os 99% menos ricos ou mais pobres enriqueceram de forma bastante singela ou perderam renda.

Princípios – Um aspecto que chama a atenção no artigo são os princípios, amplamente liberais, que formam a espinha dorsal da argumentação de Rajan.

Para ele, educação de qualidade vem em primeiro lugar e tem impacto na redução da pobreza. Para ele, o indivíduo, acima de tudo, é responsável por buscar a solução para os próprios problemas. Para ele, apostar em soluções mágicas é enganar a parcela da população que acredita nelas e acaba arcando com o prejuízo ou com a frustração que elas deixam como rastro.

Separei alguns trechos do pensamento do autor, cujo artigo completo, infelizmente, está disponível somente para assinantes do jornal:

“Entretanto, reconhecer o fato de que o sistema educacional e o sistema de formação de capacitação são responsáveis por grande parte da crescente desigualdade sofrida pelas pessoas comuns prejudica a maior agenda populista, que é aglutinar as massas contra os muito ricos. A realidade tem a inconveniente implicação de que cabe aos pobres fugir da pobreza.”

“Não há soluções educacionais fáceis e rápidas – cada presidente americano, desde Gerald Ford em meados da década de 1970, apelou para reformas educacionais, com escasso resultado prático. Em contraste, culpar as pessoas no imerecido 1% representa uma agenda política redistributiva com efeitos imediatos.”

“Os EUA já tentaram soluções rápidas antes. A desigualdade de renda cresceu rapidamente na última década, mas a desigualdade de consumo não. O motivo: crédito fácil, especialmente os financiamentos habitacionais subprime, que ajudaram as pessoas desprovidas de meios a não ficar atrás de seus vizinhos. O fim dessa história, como todos sabem, não foi feliz. Os mais desfavorecidos acabaram por ficar em situação ainda pior, ao perderem seus empregos e casas.”

“Os ricos, certamente, têm condições de pagar mais impostos, mas se o governo aumentar os impostos sobre os ricos, deve fazê-lo com o objetivo de melhorar as oportunidades para todos, e não como uma medida punitiva para corrigir um erro imaginário.”

Comparação – É inevitável comparar com o pensamento reinante no Brasil. Dica a pergunta: se você fosse presidente da República ou governador, qual caminho escolheria? Soluções mais difíceis, com benefícios duradouros, mas conquistados somente no longo prazo? Ações mais rápidas, com resultados benefícios em pouco tempo, mas cuja duração é curta e as conquistas são temporárias?

No Brasil, vale lembrar que poucas vezes se questiona sobre o custo-benefício, a qualidade e a efetividade de tudo quanto é tipo de assistência que os governos oferecem para tentar resolver – com soluções rápidas, como escreve Raghuram Rajan – problemas nacionais seculares.

Em ambientes nos quais o debate sobre os erros e acertos da gestão pública é raso e extremamente politizado, quem fizer perguntas como essas será rapidamente enquadrado como simpatizante de políticas públicas mais à esquerda ou mais à direita, seja lá o que isso significar, e, a partir daí, qualquer argumento será desqualificado antes de ser compreendido.

Curto prazo? – Mas as perguntas são importantes na medida em que detectam, das autoridades e dos cidadãos, se ambos estão mais preocupados com soluções duradouras de longo prazo ou em remendos temporários de curto prazo.

Desconfie, então, quando o governante aprovar leis como meia entrada para o consumo de cultura e entretenimento, subsidio ou gratuidade para cursos de educação superior em instituições de qualidade mediana ou baixa, mais vagas nas universidades públicas em cursos que estão na rabeira da lista de profissões ou competências mais requisitadas pelo mercado.

A falta de assistência social de um Estado para os cidadãos é um erro, claro. O excesso, também. Medicamento bom é aquele que é ministrado com equilíbrio e por tempo determinado. Erros na posologia geralmente matam o paciente.

Relatos de um viajante em Cuba – e você compara com o Brasil

Havana, capital cubana, é uma cidade com cerca de 2,3 milhões de pessoas. Isso significa que é um espaço interessante para perceber o que as cidades oferecem de bom e de ruim para as pessoas, principalmente considerando que Cuba é um país socialista. Depois de alguns dias passeando por lá e refletir um pouco sobre tudo o que vi e ouvi, abordo alguns aspectos. De antemão, aviso: esse texto não é um ensaio sobre a situação de Cuba, mas apenas um conjunto de itens sobre os quais conversei com as pessoas comuns de lá.

Saúde pública: não usei, não vi, não pude conferir pessoalmente como CIMG5900 funciona o serviço público de saúde cubano. Mas ouvi bastante, principalmente de quem interessa ouvir uma opinião como essa, que é a população, os pacientes. Não tem reclamação. Os cubanos elogiam o serviço e afirmam que ele funciona bem. Em um caso relatado, uma criança tinha asma e como os remédios e procedimentos médicos não surtiam efeito prolongado, o serviço de saúde enviou para a casa dela uma equipe que constatou a causa: o mofo em partes da casa. O governo deu uma nova casa para a família. E a criança não teve mais crises de asma.

Vale lembrar que foi em Cuba que os programas de saúde da família ganharam força e destaque, na década de 80. Nesse modelo, uma equipe médica visita periodicamente as residências para orientar, detectar doenças, medicar e encaminhar as pessoas para a rede de saúde.

No Museu da Revolução, há uma ala pregando as melhorias na saúde da população tão logo os socialistas tomaram o poder. Tem muita propaganda ideológica. Um cartaz, no entanto, chamou a atenção. Não me recordo os números nem a moeda, mas a ordem de grandeza é mais ou menos essa: em 1959, o valor gasto pelo governo federal com saúde por pessoa anualmente era por volta de 25. Aumentou para 175 em 1999.

CIMG5640 Educação pública: novamente, as pessoas com quem conversei – taxistas, garçons, cozinheiros, estudantes – elogiam bastante, mas há algumas ressalvas. Um ponto forte é que lugar de criança é na escola. Até a nona série, é obrigatório estudar. Se o aluno não vai à escola, o governo envia assistentes sociais até a casa da criança para verificar o que está acontecendo. Os pais sabem que sofrerão sanções se não enviarem os filhos para as salas de aula. O analfabetismo em Cuba é zero, segundo pesquisas internacionais. O problema é que criança na escola não significa, necessariamente, criança culta. O Brasil tem um bom índice de crianças em sala de aula, mas a qualidade do sistema público de educação é sofrível. Em 2000, um estudo identificou que os alunos cubanos tinham médias muito mais altas em comparação aos latino-americanos. É um sinal interessante. Ao concluir o ensino médio, o aluno pode requerer vaga na universidade – pública. São diversas carreiras à disposição. No entanto, houve reclamação, indicando que as vagas em melhores profissões ficariam extra-oficialmente reservadas para a elite da burocracia cubana.

Segurança pública: o turista pode caminhar em qualquer horário do dia e da noite, em qualquer parte da cidade de Havana, nas mais ricas e nas mais pobres, mais claras e mais escuras, sem medo. Com ou sem policiais na rua, a sensação é de segurança.

CIMG5653Economia: esse é o principal problema do país, já que o modelo socialista baseado na atuação do Estado em todas as cadeias produtivas engessa a livre iniciativa, a produtividade, a criação de oportunidades. O embargo econômico que os EUA impõem ao país termina de eliminar a geração de oportunidades às pessoas. Há muita reclamação sobre esse aspecto: as pessoas querem trabalhar em outras áreas, fazerem o que gostam, ganhar mais dinheiro. Paralelamente à economia formal, há uma abrangente e gigantesca atividade informal, que não recolhe nem taxas e nem impostos. Produtos e serviços circulam no mercado negro e parecem ser oferecidos com o beneplácito das autoridades, já que são ofertados abertamente, à luz do dia, nas ruas. As gorjetas oriundas do turismo são uma fonte muito importante de renda para as famílias, até mais do que o próprio salário pago pelo Estado. Apesar da força o mercado informal, não há camelôs. Vendedores ficam, no máximo, nas garagens de algumas casas. Também não há mendigos, mesmo que haja pessoas – poucas, muito poucas – pedindo dinheiro.

CIMG5526 Moradia: as pessoas, em regra geral, são donas das próprias casas. O Estado fornece a casa para a família, que pode pagar ao governo pequenas quantias por mês, no longo prazo, para adquirir a casa e não ter de pagar mais aluguel. Em Havana, há muitas moradias em péssimas condições, em pequenos prédios de arquitetura espanhola. Assemelham-se aos cortiços brasileiros, mas considero que não é apro priado comparar dessa forma, porque as casas cubanas, mesmo que feias por fora, parecem ter melhores condições internamente. A arquitetura, apesar de mal cuidada, é maravilhosa, lembrando uma cidade colonial. Uma pessoa me disse que as famílias só podem vender a casa com autorização do Estado, que só aprovaria se não houver lucro na transação. Com exceção a um pequeno aglomerado de casas de madeira perto de uma fábrica fora da capital, não vi favelas. No entanto, não visitei todas as regiões do país.

Para saber mais:

Há sempre risco de distorção nos artigos do Wikipedia, mas o item sobre Cuba me pareceu bastante semelhante ao que vi e ouvi por lá. Por isso, sugiro leitura.

Deve ser difícil viver em um país assim

Assinar as newsletters – aqueles e-mails que oferecem o título e poucas informações das principais reportagens do dia ou da semana – dos grandes jornais norte-americanos oferece uma rápida visão global do que ocorre na principal potência econômica mundial.

Chama a atenção a quantidade de matérias negativas abordando a gestão e a situação no sistema de ensino dos Estados Unidos, sejam os gestores o governo central, os estados ou cidades e condados.

Os problemas: há necessidade de cortar o orçamento para a educação em diversas localidades, o governo federal quer instituir um programa de avaliação dos professores que esbarra na resistência dos sindicatos de funcionários públicos, muitas das escolas que sofrem ameaça de ter recursos cortados enfrentam paralelamente perspectiva de aumento de matrículas e diretores e gestores discutem a ampliação da quantidade de alunos por classe.

Mais problemas – Além disso, os professores não aceitam discutir qualquer tipo de aumento salarial ou de remuneração adicional atrelada ao mérito, nem redução de benefícios para adequar os gastos aos orçamentos curtos do pós-crise financeira e também não querem ouvir falar de metas e cobrança de resultados nas escolas públicas.

Sem esquecer da polêmica em torno das chamadas escolas “charter”, colégios públicos de ensino primário ou médio que não são obrigad0s a seguir todas as regras de governança das outras escolas ditas comuns – uma das razões da polêmica. O modelo, no entanto, parece funcionar, já que há bons resultados, fila de espera em todas elas e uma disputa acirrada por vagas repentinas, preenchidas mediante sorteio. Algumas das “charter” podem se especializar em alguma área do conhecimento – matemática, por exemplo.

É, pegando emprestado o bordão do colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo: deve ser difícil viver em um país assim.

Calvim descobre a verdadeira força de bolinhas de papel, rolos de fita crepe e bexigas cheias de água

Calvim dá uma aula, novamente. Mesmo que você tenha princípios, infelizmente, na maioria das vezes, eles não ditarão o que acontece com sua vida. Diz muito em um momento em que a disputa para chegar ao cargo de Presidente da República usa, como instrumentos, bolinhas de papel, os rolos de fita crepe e as bexigas cheias de água. Começo a achar que são eles – e não os princípios  – que estabelerão aquilo que os cidadãos terão de fazer.

Calvim2

Para quem não entendeu o contexto político-eleitoral do momento no Brasil, vale ler o início do editorial publicado no jornal Folha de S.Paulo no dia 22 de outubro:

“Os incidentes ocorridos nesta quarta-feira, durante caminhada do candidato José Serra (PSDB) no Rio de Janeiro, e com a candidata Dilma Rousseff, do PT, ao desfilar ontem em carro aberto em Curitiba, constituem sinais de que a campanha eleitoral ameaça atingir um novo grau de exacerbação.
Não houve maiores consequências, felizmente, nos dois episódios. Serra foi atingido, sem ferir-se, por um objeto na cabeça, ao passo que um balão de água foi jogado sobre o capô do automóvel que transportava Dilma. É todavia preocupante uma situação na qual candidatos se vejam ameaçados em sua integridade física ao circularem pelas ruas e buscarem contato com o eleitor.”

Quanto maior o fato, melhor para o jornalista fazer notícia

Uma das características mais utilizadas pelos jornalistas para checar se um fato qualquer tem força e apelo para ser uma boa reportagem é o gigantismo do acontecimento. A matéria publicada no O Estado e S. Paulo no dia 4 de outubro é exemplo disso.

Supercargueiro1 A Vale, maior mineradora do mundo, terá, em breve, supercargueiros, com 360 metros de comprimento. Cada um poderá transportar até 400 mil toneladas de carga, algo similar ao peso de 470 mil carros da marca Fiat Uno. Os navios encomendados pela empresa brasileira – foram 35, no total – serão maiores do que o maior porta-aviões e os dois maiores transatlânticos em operação no mundo.

O gigantismo do fato é essencial para o acontecimento virar notícia. Se a Vale estivesse comprando 35 barcos de apoio, certamente conseguiria um pequeno espaço na imprensa, já que se trata de um volume interessante de compras, o que ajuda a movimentar a indústria e firmas de prestação de serviços. No entanto, quando os navios passam a ser os maiores do mundo, o fato ganha uma página inteira.

Supercargueiro2O infográfico, simples e eficiente, torna-se fundamental para dar ao leitor a dimensão do navio e a possibilidade de comparar os novos navios com os já em funcionamento.

O gigantismo não é a única qualidade ou característica que pode fazer de um fato uma notícia importante ou interessante. Os jornalistas costumam ter, mesmo que inconscientemente, um filtro imaginário que verifica automaticamente se uma informação específica tem potencial de ser notícia e, consequentemente, virar uma reportagem.

Outras características muito utilizadas para checar se um fato pode virar notícia são o conflito (o bem contra o mal, candidato um contra candidato dois, o homem contra a natureza), a atualidade (terceiro colocado decidirá apoio no segundo turno eleitoral em breve) ou capacidade de alterar a rotina de milhões de pessoas (tarifa de ônibus aumentará em 20%). Dá para oferecer muitos exemplos sobre o assunto, mas por hoje é só.

Quando rir realmente é cultura

2010 37 José Antônio Costa - TeresinaPI

Nas eleições para cargos legislativos este ano, há um ex-palhaço concorrendo ao cargo de deputado federal, com chance de ser um dos mais bem votados do país por dizer que não sabe o que faz um parlamentar e que o eleitor pode escolhê-lo porque a situação já está tão ruim que não ficará pior com ele.

Muitos que o escolhem imaginam que fazem uma espécie de voto de protesto por meio do humor. Ledo engano. O humor é uma das formas mais antigas de protesto, mas não no caso do ex-palhaço candidato a deputado federal.

Nesse momento, vale a pena relembrar alguns bons desenhos, charges e cartuns da história do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, cidade no interior paulista localizada a 150 quilômetros de São Paulo, realizado anualmente desde 1974. Vale uma boa reportagem para emissoras de televisão, jornais, revistas e portais da internet.

O evento consegue reunir, anualmente, uma nata de desenhos que, muito mais do que rir, fazem refletir e tomar consciência de fatos importantes da história e do cotidiano de diversos países, retratados por artistas locais.

Ao longo dos 37 anos de realização do Salão, artistas de todo o mundo rabiscaram e desenharam análises e críticas para temas variados, como ditaduras militares, desigualdade social, relações econômicas e trabalhistas, terrorismo, miséria, fome e muitos outros. O riso, por esses artistas, consegue ser uma manifestação cultural das mais importantes.

A 37ª edição, este ano, começou em 28 de agosto e segue até 17 de outubro. Nas primeiras três semanas, foi visitada por mais de 30 mil pessoas. O Café Expresso conferiu, gostou, aprovou e sugere a todos. Um dos vencedores deste ano criou a charge que inaugura este artigo. José Antônio Costa (Piauí), com muita criatividade, abordou uma das razões da proliferação da pedofilia no meio religioso.

A quantidade de pessoas pobres cresceu nos Estados Unidos, mas eles são bem mais ricos que os pobres brasileiros

As condições econômicas e de bem-estar das famílias nos Estados Unidos pioraram desde que estourou a crise no sistema financeiro lá, em 2008. A pobreza aumentou, o nível de emprego não se recupera após o baque e os benefícios sociais crescentes pesam cada vez para o orçamento do poder público norte-americano, que não sabe onde cortar após tantos cortes já feitos desde a eclosão da crise.

Dias atrás, o U.S. Census Bureau, o IBGE norte-americano, divulgou que a taxa de pessoas vivendo em condições de pobreza aumentou novamente. Em 2009, 14,3% da população – o equivalente a 43,6 milhões de pessoas, uma em cada sete – viveram no ano passado em condições de pobreza. Em 2008, 39,8 milhões de pessoas estavam nessa faixa de renda.

Dentro dessa estatística estão famílias de quatro pessoas cuja renda familiar seja igual ou inferior a US$ 22.000 por ano. Essa renda inclui salário e qualquer benefício recebido do governo.

O valor equivale a uma renda média domiciliar mensal de R$ 3.100 para o grupo – ou R$ 780 por pessoa por mês. Nada mal comparado ao Brasil, mas pouco para indivíduos acostumados, em geral, a consumir em níveis elevados serviços e produtos de educação a saúde, de lazer a bens duráveis.

Apenas para comparação, no Brasil, 49% das pessoas vivem em famílias cuja renda média mensal é igual ou inferior a três salários mínimos. Isso equivale a uma renda anual de R$ 18.360 por família – ou R$ 493 por pessoa por mês nesta faixa (cuja renda total das pessoas que moram no domicílio é de até 3 salários mínimos). Na média, nessa categoria, há 3 pessoas por casa.

Com menos dinheiro, as famílias deixam de contratar seguros de saúde, cursos educacionais e todo tipo bens e serviços, dependendo cada vez mais dos governos e retirando oxigênio da economia.

Cálculos na lousa:

* 58,6 milhões de residências no Brasil. Desse total, 30,4 milhões são moradias nas quais a renda de todos os integrantes não supera 3 salários mínimos por mês. Essa quantidade equivale a 51,8% do total de residências no país.

* 191,0 milhões de brasileiros. Desse total, 93,6 milhões moram em residências cuja renda de todos os integrantes não supera 3 salários mínimos por mês. Essa quantidade equivale a 49,0% do total de pessoas no país.

* Salário mínimo no Brasil = R$ 510. Renda familiar mensal de até três  salários = R$ 1.530. Renda anual por família = 18.360.

* Quantidade média de pessoas por família nesta faixa de renda = 3,1. Renda anual por pessoa por mês = R$ 493.

Para saber mais: Passeie pela página do IBGE que traz indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2009) e pela página na Wikipédia sobre a história e evolução do salário mínimo no Brasil.

As redes sociais podem ajudar a atingir objetivos – mas sem ilusões

Com a profusão de pessoas usando redes sociais para tudo quanto é fim, não foram poucas as vezes que me perguntaram como usar tais recursos para melhorar a performance daquilo que as pessoas se propõe a fazer no Twitter (que é o caso mais comum).

Internautas dos mais variados perfis, que usam o Twitter para finalidades diferentes, vez ou outra procuram por dicas sobre como atingir mais pessoas, ter mais interação e, desta forma, obter um desempenho mais satisfatório com as redes sociais.

Casos reais não faltam: professores que querem se relacionar com alunos, jornalistas que precisam cobrir um seminário, turistas ansiosos por dicas de lazer durante visita a uma cidade. Sabendo usar, o Twitter pode ajudar.

Achei interessante as dicas de um professor assistente da USC Annenberg, escola de comunicação e jornalismo da Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles. Aproveito as dicas do autor e, em tradução livre, com pitacos próprios, seguem seis dicas:

1) Tão logo você decidir sobre o que precisa das pessoas conectadas ao Twitter, anuncie nele. Diga para qual palestra está indo, se tem alguém participando. Diga qual a sua dúvida, explique que busca por respostas. Repita as perguntas em diferentes momentos, sem exagerar.

2) Se estiver indo para uma palestra e quiser interação, avise quando chegar no local. Pergunte para aqueles que te seguem se há alguém no mesmo local. Peça para disseminarem seu comentário ou pergunta. Peça dicas, sugestões, questões.

3) Aja como uma agências de notícias para despertar o interesse daqueles que estão lendo o que você escreve. Em cada novo comentário, dê informações adicionais. Use múltiplos formatos, como texto, fotos e vídeos, quando aplicável. Aproveite sempre para pedir dicas e ajuda.

4) Não deixe de dar um retorno para aqueles que colaboram e para os que apenas lêem o que você escreve ou anuncia. Agradeça sempre. Ao perceber que há interação, outros podem decidir colaborar. Dê coordenadas para que todos saibam quando e como poderão ter acesso ao resultado do seu trabalho.

5) Evite, em todas as etapas, os exageros. Não repita os mesmos pedidos e informações a todo momento, sem critério. Evite comentários ufanistas quando receber colaborações simples ou costumeiras.

6) Use as tais hashtags (palavras que servem como ponto de referência na navegação pela rede social, que busca todos os comentários que tragam essa palavra e ajudam os leitores a lerem tudo o que foi escrito sobre um evento ou assunto). Geralmente, são precedidas do símbolo #.

Ouvir e colher a opinião das multidões (em inglês, usa-se o termo crowdsourcing), acima de tudo, precisa ser feito com critério. Nem toda opinião alheia é valiosa. Nem toda informação ou dica é verdadeira. Assuntos banais podem ser debatidos por pessoas comuns, mas temas específicos geralmente exigem especialistas ou alguém com alguma experiência. Se qualquer um pode comentar sobre a qualidade da organização do congresso, nem todos conseguem opinar com propriedade a respeito dos temas debatidos.

O uso de redes sociais para colher a opinião das multidões e melhorar o desempenho daquilo que você se propõe a fazer nem sempre dá resultados. Vejo duas razões:

1) Modismo. Como tudo na internet, há um momento de pico seguido por outro de esquecimento. Rede social, opinião das multidões e outros tantos termos no mundo dos internautas podem estourar quando surgem e parecer algo revolucionário. Tudo na internet parece revolucionário inicialmente. Mas boa parte desaparece rapidamente.

2) Futilidade. Outra questão é que enquanto milhares de pessoas gastam tempo comentando um assunto que envolve celebridades, somente um ou dois podem se empenhar em compartilhar o conhecimento próprio em um comentário valioso. A proporção é mais ou menos essa.

Quanto óleo vazou no Golfo do México?

Dias atrás, o Café Expresso publicou informações que tentavam comparar o tamanho dos vazamentos de óleo ocorridos no Golfo do México (BP, 2010) e no Alasca (Exxon Valdez, 1989).

A conta continua incerta, mas uma reportagem no The New York Times mostra que cientistas do governo federal norte-americano calculam que o volume derramado no mar pode chegar a 5.000.000 de barris (cinco milhões de barris), o equivalente a 210.000.000 de galões de óleo (duzentos e dez milhões de galões).

O Exxon Valdez, como já mencionado em artigo anterior, o petroleiro Exxon Valdez carregava cerca de 53.094.510 milhões de galões (equivalente a 1.264.155 barris de óleo), dos quais foram derramados cerca de 10.800.00 de galões, o equivalente a 257.000 barris.

A conta certamente ainda levará alguns meses ou anos para ser ratificada com precisão maior.

Veja mais: Um infográfico interativo elaborado pelo Financial Times mostra,  desde abril, estimativas da quantidade de óleo recolhida do mar e os custos para a limpeza do desastre ambiental ocorrido no Golfo do Méxido.

Em 1989, Exxon Valdez derramou 10,8 milhões de galões de óleo no Alasca. E a BP, agora, no Golfo do México?

O Exxon Valdez, até então considerado o maior desastre ambiental na indústria mundial do petróleo, carregava 53,1 milhões de galões de óleo quando foi avariado após colidir com gelo perto do Alasca, em 1989. Cerca de 20% da carga derramou no mar (algo em torno de 10,8 milhões de galões de óleo), de acordo com um relatório da Alaska Resources Library & Information Services (Arlis) a partir da coleta de dados em diferentes fontes.NYTimes óleo

A instituição apontou que ninguém sabe quantos animais foram mortos de fato,  mas que foram encontradas restos de 35.000 aves e cerca de 1.ooo animais marinhos que teriam sido mortos por causa do desastre. De tudo o que foi derramado, 14% foi recolhido.

WashPost óleo

No Golfo do México, BP, empresa responsável pela prospecção no poço, informou ter conseguido fechá-lo após 87 dias de vazamento contínuo, desde o dia 20 de abril, quando houve uma explosão no fundo do mar, na cabeça do poço.

O tamanho do desastre no Golfo do México ainda é incalculável. O governo norte-americano e a própria empresa divulgaram diversas estimativas até o momento, com larga margem de tolerância. No dia 11 de junho, o jornal britânico The Guardian publicou reportagem com a opinião de cientistas, que estimam que o vazamento fez jorrar no mar um volume entre 42 milhões e 100 milhões de galões de óleo.

Uma simples, porém completa e eficiente infografia do jornal norte-americano The Washington Post mostra que, no Golfo do México, estimativas governamentais divulgadas em junho apontam que podem ter vazado entre 1,47 milhão e 2,52 milhões de galões de óleo por dia. Isso produziria um volume extremamente gigantesco de óleo no mar.Info BP oil

A infografia é eficiente porque resumiu dezenas de dados de forma cronológica para contar a evolução da notícia: as tentativas da empresa para conter o vazamento, a quantidade de visitas do presidente norte-americano Barak Obama ao local, o volume de óleo que vazou e as ações do governo.

A sociedade internacional ainda terá de esperar um bom tempo para conhecer estimativas realistas e críveis da quantidade de óleo que vazou no Golfo do México. De certo, apenas que esse acontecimento é de longe o maior desastre ambiental da história da indústria petrolífera.

Observação: fiz uma pequena mudança no título, para melhorá-lo, conforme crítica do leitor nos comentários.