“Em todos houve um denunciante motivado por alguma contrariedade. Todos decorreram do mesmo tipo de acusação, a montagem de esquemas de arrecadação de dinheiro para favorecimentos pessoais ou partidários. Em todos, funcionários ou mesmo figuras sem função oficial atuavam com acesso livre para transgredir. A hipótese de conspirações para destruir reputações de ministros é fantasiosa. Real é a prática disseminada de apropriação do Estado funcionando a partir do loteamento da máquina.” (Dora Kramer, em "Usinas de denúncias", no jornal O Estado de S. Paulo, dia 20 de setembro, indicando a origem conceitual e o roteiro dos últimos escândalos envolvendo ministérios e ministros).
“No mundo real, policiais fecham os olhos diariamente para dezenas de violações à lei. E o fazem porque não é possível nem desejável implementar todas as normas em todos os casos. Aplicar a lei do aborto, por exemplo, exigiria a construção de 5,5 novos presídios femininos (unidades de 500 vagas) por dia só para abrigar cerca de 1 milhão de ex-futuras mamães que interrompem ilegalmente a gravidez a cada ano. Qualquer Código Penal do planeta traz um bom número de dispositivos absurdos ou inócuos, alguns artigos às vezes úteis, mas que em várias situações precisam ser ‘esquecidos’, e umas poucas leis fundamentais, para cujo cumprimento a sociedade deve, de fato, se esforçar.” (Hélio Schwartsman, em "Maconha, leis e bom-senso", no jornal Folha de S.Paulo, dia 4 de novembro, sugerindo que os policiais deveriam ter feito vistas grossas aos alunos da USP que fumavam maconha, cuja abordagem resultou numa das maiores crises da USP dos últimos anos)
“Já é hora de os governantes se darem conta de que leis são assunto sério demais para serem usadas como peça de marketing.” (Hélio Schwartsman, em "A culpa é do garçom", no jornal Folha de S.Paulo, dia 23 de setembro, criticando a criação de uma lei que transfere para os donos dos bares o dever de proibir o consumo de bebidas entre menores, mesmo quando os pais lhes oferecem).
“Muitos especialistas se espantaram no exterior com a ênfase dada ao fim do sigilo eterno no Brasil. Rosental Calmon Alves, professor de jornalismo na Universidade do Texas, em Austin, considera mais relevante o conceito de dar transparência aos atos cotidianos da administração pública.” (Fernando Rodrigues, em "Um país melhor", no jornal Folha de S.Paulo, dia 29 de setembro, avaliando o desafio principal da aplicação da nova lei e acesso a informações públicas no Brasil, que determina que atos dos governos em todos os níveis, dos mais ordinários aos secretos, sejam divulgados para os cidadãos, mediante solicitação ou não)
“É triste testemunhar a decadência sem elegância a que se entrega a faculdade de filosofia, rebatizada de FFLCH. Deixa-se permear por grupelhos semi-alfabetizados e violentos que impõem a sua agenda sem encontrar resistência à altura. Encanta-se por um bordão do passado, mera forma sem conteúdo, quando clama pela saída da PM do campus. (Hélio Schwartsman, em "Os bebês da USP", no jornal Folha de S.Paulo, dia 6 de novembro, criticando a postura dos estudantes da universidade paulista, que enfrenta, mais uma vez, conflitos com estudantes).
“A mesma história (sem fim) vista recentemente em outros ministérios cujos titulares foram substituídos sem que, no entanto, fossem de fato alterados os procedimentos que resultam na produção de escândalos em série” (Dora Kramer, em "História sem fim", no jornal O Estado de S. Paulo, dia 8 de novembro, lembrando as causas das denúncias de corrupção que, desta vez, abalroam o Ministério do Trabalho).