O portal Economist.com, da consagrada revista inglesa The Economist, reservou o gráfico do dia para analisar a história recente da pobreza no Brasil. A publicação enfileirou dados sobre renda por pessoa, quantidade de brasileiros abaixo da faixa de pobreza, desigualdade de renda e crescimento anual da economia desde 1990.
Esse caso é interessante. Pena que a revista não tenha dedicado as famosas matérias de primeira página para analisar, sob a lupa liberal dos jornalistas deles, as causas, as consequências, os riscos e as perspectivas que se escondem por trás dos indicadores sociais brasileiros.
Na maioria das vezes, é preferível, editorialmente, substituir parágrafos e mais parágrafos de texto corrido por infografias ou qualquer tipo de visualização jornalística. Aqui, seria muito melhor para o leitor ter mais texto com os gráficos funcionando como acessórios.
De forma sucinta, o Economist.com relata e demonstra que a taxa de pobreza caiu pela metade no Brasil nos últimos 20 anos e que a desigualdade de renda também despencou – com uma redução média anual de 1,2%. Tudo graças ao crescimento econômico e às políticas governamentais, que podem fazer do país a sexta principal potência econômica do planeta em 2011, ultrapassando a Inglaterra.
A renda anual por brasileiro cresceu, segundo os cálculos da publicação, 1,7% desde 1990, e tem sido mais forte nas classes menos abastadas. Mesmo com tantas vitórias nos indicadores sociais para comemorar, 8,5% da população brasileira ainda vive com menos de 70 reais por mês.
Essa é uma das principais característica da revista: enxergar a metade cheia do copo sem desconsiderar a arte que ainda precisa ser preenchida. Outra, que só seria percebida caso os dados fossem alvo de uma reportagem especial da publicação, é a defesa insistente da democracia, do capitalismo e dos princípios liberais para resolver problemas sociais e econômicos.
Dois fatores explicam essa evolução bastante positiva dos indicadores sociais. De um lado, o menor desemprego no Brasil é o menor já registrado no país, mesmo considerando que as estatísticas nacionais são restritas e intermitentes (com diversas interrupções).
Para efeito de comparação, no Brasil, cerca de 6% da população em idade economicamente ativa está sem emprego, contra mais de 22% na Espanha e cerca de 17% da Grécia, conforme mostrou reportagem publicada pela Folha de S.Paulo no dia 1 de novembro.
Outro fator que explica a redução dos indicadores de pobreza e concentração de renda é a ampliação dos gastos governamentais com transferências diretas às famílias mais pobres, por meio do programa Bolsa Família, pelas aposentadorias rurais e similares e por causa do reajuste do salário mínimo sempre acima da inflação.
Vale lembrar que mesmo que não tenha muita serventia para os trabalhadores do setor público e da iniciativa privada, o valor do salário mínimo é referência para o pagamento das aposentadorias instituídas para milhões de pessoas a partir da Constituição de 1988, especificamente para aquelas que não tinham empregos formais com carteira assinada e, consequentemente, não contribuíam mensalmente com a Previdência Social – geralmente, as pessoas mais pobres.
Direto na fonte:
Caso queira analisar por conta própria as estatísticas de emprego no Brasil, há três fontes possíveis: Ministério do Trabalho (números absolutos mensais do saldo entre contratações e demissões), IBGE (% de desempregados em relação à população economicamente ativa em seis regiões metropolitanas) e Banco Central (número índice.