Outro verão, tudo igual: enchentes, deslizamentos e reportagens sobre tragédias do ano anterior


Em dezembro e janeiro, quando as chuvas tornam-se mais intensas, invariavelmente ocorrem desastres cuja fórmula mistura fatores como índices pluviométricos acima da média, habitações em locais de risco e leniência na fiscalização pública. Em 2011, cidades como Mauá (São Paulo) e Teresópolis (Rio de Janeiro) já informam mortes por desabamentos ou deslizamentos.

Em 2010, enchentes, deslizamentos e desabamentos causaram 473 mortes em 11 estados – e 7,8 milhões de pessoas foram afetadas em 1.211 cidades, das quais 400 mil perderam tudo ou tiveram de pedir socorro para parentes e amigos.

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Governos municipais defendem-se. Mostram-se sem armas. Ou faltam recursos para remover centenas de famílias que em décadas passadas invadiram áreas de risco ou há capacidade técnica insuficiente para mapear o problema e planejar a ação.

No entanto, também é crível acreditar que é maior prioridade política pode resultar em recursos humanos, técnicos e financeiros em quantidades adequadas para fortalecer a capacidade das cidades resistirem e socorrem famílias atingidas, mesmo que qualquer prevenção nunca será definitiva.

Nesse contexto, a imprensa pode  exercer um papel fundamental – mas as pautas precisam ser antecipadas. Antes e depois das tragédias, a imprensa pode cobrar providências, mês a mês, mesmo as perguntas ameacem cansar e pareçam, aos olhos do leitor ou telespectador, notícia velha, sem novidade. O poder público não pode sentir que o tema foi esquecido.

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O diário de negócios Brasil Econômico fez isso, mas em dezembro. Mostrou que tragédias ocorridas no verão passado em Angra dos Reis (RJ), São Luiz do Paraitinga (SP) e Jardim Pantanal (SP) ainda estavam com soluções precárias ou incompletas. Apesar de pouco ou nunca acessado pela população em geral, certamente está presente sobre a mesa das autoridades públicas.

O telejornal Hoje em Dia visitou cenários de tragédias recentes. Mostrou, de forma realística, como São Luiz do Paraitinga ainda vive amedrontada, um ano depois da enchente histórica. Os estragos permanecem e algumas poucas medidas de prevenção e reconstrução estão em andamento. Em Alagoas, a reportagem escancarou. com muita competência, o estado de calamidade em que vive a população atingida por fortes enchentes em junho de 2010.

img007 Em uma cidade alagoana, casas começam a ser construídas. Em outra, nada ainda, exceto uma planta, desenhada no papel, que indica como pretende ser erguida a futura nova cidade, uma reconstrução prometida para daqui dois anos, para quem acreditar. Como prova do ceticismo, famílias desabrigadas de uma enchente ocorrida em 1988 ainda moram em um presídio desativado. A qualidade da refeição servida pelo poder público local, a salubridade da água “potável” e o ambiente dos alojamentos disponíveis são vergonhosos.

Seria melhor que as cobranças fossem mensais – e não somente na próxima estação de chuvas, mesmo que seja compreensível que, para a produção jornalística, é preciso haver um “gancho”, jargão que expressa a necessidade de haver uma razão para informar ou relembrar um assunto.

Veja mais:

1) Assista duas reportagens produzidas pelo telejornal Hoje em Dia, da Rede Record,  que visitou São Luiz do Paraitinga e Alagoas.

2) Em outra matéria, o Café Expresso sugere um roteiro para uma boa reportagem sobre enchentes: Estragos causados pelas chuvas - a reportagem que precisa ler publicada em janeiro de 2012.

Uma resposta para Outro verão, tudo igual: enchentes, deslizamentos e reportagens sobre tragédias do ano anterior

  1. isso ta ficando cada vez mais orrivel, as vezes parecew que o mundo vai acabar repleto de agua. as pessoas nao se tocam que cada uma tem que fazer a sua parte para isso nao acontecer….

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